Áudios mostram empresário sancionado pelos EUA dizendo estar 'desesperado' com investigação do FBI

Os caras já tá sabendo de tudo, aí está rastreando todas as wallets
Shimada reconhece em áudio que autoridades monitoravam as operações em criptomoedas dias após a fraude.

Há quase dois anos, Victor Shimada sussurrava em ligações telefônicas o que as autoridades de dois países logo confirmariam em voz alta: o dinheiro deixa rastros, e as fronteiras não apagam crimes. Oito dias após o desaparecimento de mais de 35 milhões de reais do Banco Votorantim, o empresário já sabia que criptomoedas, carteiras digitais e transferências internacionais o haviam exposto a uma investigação que cruzaria o Atlântico e chegaria ao FBI. Em julho de 2026, os Estados Unidos formalizaram o que ele mesmo confessou em pânico: que operava como elo central em uma rede de lavagem de dinheiro do PCC, movimentando mais de 30 milhões de dólares para a facção.

  • Áudios extraídos pela Polícia Federal revelam Shimada em desespero declarado — 'foi no meu nome isso, mano' — reconhecendo que as operações estavam rastreadas e que o FBI já investigava pesado.
  • O dinheiro desviado do Banco Votorantim foi convertido em criptomoedas e circulou por Colômbia, Estados Unidos e pela corretora mexicana Bitso, tornando o caso inevitavelmente internacional.
  • Shimada abandonou o Brasil e a família para tentar pessoalmente desbloquear contas congeladas na Bitso, enquanto uma funcionária da corretora já o orientava a preservar documentos para eventual intimação judicial.
  • Em janeiro de 2025, ele cumpria prisão domiciliar no Brasil; em julho de 2026, as sanções americanas confirmaram sua atuação como lavador de mais de US$ 30 milhões para o PCC.
  • Além da fraude bancária, Shimada responde como réu em São Paulo pelo escândalo de lavagem envolvendo o contrato entre o Corinthians e a casa de apostas VaideBet, ampliando o alcance de sua exposição criminal.

Oito dias depois de mais de 35 milhões de reais desaparecerem do Banco Votorantim, Victor Shimada estava ao telefone admitindo o inevitável. Nos áudios extraídos pela Polícia Federal de seu celular, ele avisa um interlocutor que o caso já havia ultrapassado as fronteiras brasileiras e que o FBI estava envolvido. Sabia que as carteiras digitais haviam sido rastreadas, que o dinheiro havia passado pela Colômbia, pelos Estados Unidos e pela corretora mexicana Bitso — e que tudo estava registrado em seu próprio nome, não no de laranjas. "Por isso que eu tô desesperado", disse ele.

As gravações integram um relatório da PF de janeiro de 2025, produzido após a perícia dos equipamentos apreendidos na casa de Shimada. As investigações apontaram que parte do dinheiro desviado foi convertida em criptomoedas e passou pela empresa Victory Trading, da qual ele era sócio. Nas conversas, Shimada demonstra domínio técnico das operações: discute monitoramento de wallets, transações em USDC e o caráter federal que as movimentações em dólares conferiam ao caso.

O desespero o levou a deixar o Brasil rumo à Colômbia, abandonando família e filhos, com planos de viajar ao México para tratar diretamente com representantes da Bitso e tentar destravar contas bloqueadas. Um segundo áudio, de setembro de 2024, registra uma atendente da corretora informando que a conta permanecia congelada por investigação e orientando Shimada a preservar documentos.

Em janeiro de 2025, ele cumpriu prisão domiciliar no Brasil. Em julho de 2026, o governo americano o sancionou formalmente, acusando-o de lavar mais de 30 milhões de dólares — cerca de 156 milhões de reais — para o PCC. Além do caso Votorantim, Shimada é réu em São Paulo pelo escândalo de lavagem ligado ao contrato entre o Corinthians e a casa de apostas VaideBet. O Banco Votorantim confirmou as movimentações irregulares e disse ter colaborado ativamente com as autoridades desde o início.

Em agosto de 2024, oito dias após desaparecerem mais de 35 milhões de reais do Banco Votorantim, Victor Henrique de Oliveira Shimada estava em uma ligação telefônica reconhecendo o óbvio: as autoridades estavam vindo. Não apenas as brasileiras. "Esse papo vai dar FBI, mano. Você entendeu? Não é brincadeira. Os caras estão investigando pesado", disse ele a um interlocutor, segundo áudios extraídos pela Polícia Federal do seu celular. Naquele momento, em 20 de agosto, Shimada já sabia que o dinheiro havia sido rastreado em carteiras digitais de criptomoedas, que as operações haviam ultrapassado as fronteiras do Brasil, e que o caminho dos recursos levava para a Colômbia, os Estados Unidos, e através da corretora mexicana Bitso. Ele estava certo. Menos de dois anos depois, em 1º de julho de 2026, o governo dos Estados Unidos o sancionou por atuar como um elo-chave em uma rede internacional de lavagem de dinheiro ligada ao PCC, acusando-o de lavar mais de 30 milhões de dólares — cerca de 156 milhões de reais — para a facção criminosa.

Os áudios integram um relatório da Polícia Federal produzido em janeiro de 2025, após a perícia dos equipamentos eletrônicos apreendidos na casa de Shimada durante a investigação da fraude do Votorantim. A investigação apurou que parte do dinheiro desviado em agosto de 2024 foi convertida em criptomoedas e passou pela empresa Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., da qual Shimada era sócio. Nas conversas gravadas, ele demonstra conhecimento detalhado das operações: menciona o monitoramento das wallets, discute o uso da Bitso para transações em USDC — uma criptomoeda pareada ao dólar — e reconhece que as movimentações em dólares nos Estados Unidos tornavam o caso federal.

O que emerge dos áudios é um retrato de um homem em pânico. Shimada afirma a um interlocutor identificado como Rafael que "os caras já tá sabendo de tudo", que estão rastreando todas as carteiras digitais, e que tudo o que ele havia enviado para o exterior — Colômbia, Estados Unidos — "vai voltar tudo". Mas há um detalhe que o aterroriza ainda mais: as operações estavam em seu nome, não em nomes de laranjas. "E outra, foi no meu nome isso, mano. Por isso que eu tô desesperado", disse ele. Essa confissão de desespero o levou a deixar o Brasil. Ele partiu para a Colômbia, deixando sua família e seus filhos para trás, com a intenção de se antecipar aos problemas, de resolver as contas bloqueadas e as ordens financeiras congeladas. Planejava viajar ao México para tratar diretamente com representantes da Bitso e tentar destravar as operações que haviam sido paralisadas.

Em setembro de 2024, um mês após a fraude, um segundo áudio capturado pela PF mostra Shimada em conversa com uma funcionária da Bitso. A atendente informa que a conta permanecia bloqueada por conta de uma investigação e que a empresa aguardava ordem judicial para decidir sobre um possível desbloqueio. Ela o orienta a preservar documentos e evidências caso sua empresa fosse intimada a prestar esclarecimentos às autoridades. Segundo a análise da PF dos celulares apreendidos, Shimada operava regularmente com grandes quantias em criptomoedas, especialmente USDT, utilizando a plataforma Bitso para essas movimentações.

Os investigadores da Polícia Federal, em suas conclusões, afirmam que as conversas analisadas permitem inferir com alto grau de precisão que os áudios tratam da fraude contra o Banco Votorantim, embora ressaltem que as diligências não foram exaustivas. O que as gravações reforçam é que Shimada tinha conhecimento pleno das operações com criptoativos e discutia bloqueios de valores, transferências internacionais e movimentações diretamente ligadas à fraude investigada. Em janeiro de 2025, ele cumpriu prisão domiciliar no Brasil neste processo. Mas a história não termina ali. Além do caso bancário, Shimada é réu em São Paulo como operador financeiro em outro escândalo: a lavagem de dinheiro envolvendo o contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas VaideBet, onde apuram-se desvios de recursos.

O Banco Votorantim, em nota, confirmou que identificou as movimentações irregulares em agosto de 2024 no âmbito de seus serviços de Banking as a Service e que adotou as medidas cabíveis, comunicando os fatos às autoridades competentes e colaborando ativamente com as investigações. A sanção americana de julho de 2026 representa a confirmação oficial do que Shimada já suspeitava naquele áudio de agosto de 2024: que o caso havia ultrapassado as fronteiras, que o FBI estava envolvido, e que não havia como escapar. Os investigadores estavam investigando pesado, como ele mesmo disse.

Esse papo vai dar FBI, mano. Você entendeu? Não é brincadeira. Os caras estão investigando pesado
— Victor Shimada, em áudio de 20 de agosto de 2024
E outra, foi no meu nome isso, mano. Por isso que eu tô desesperado
— Victor Shimada, reconhecendo que as operações estavam em seu nome
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Shimada estava tão convencido de que o FBI entraria no caso tão rapidamente?

Model

Porque ele sabia exatamente como o dinheiro se moveu. Criptomoedas em carteiras digitais, transferências para o exterior, operações em dólares nos Estados Unidos através de uma corretora mexicana. Isso não é um crime local — é um crime que cruza fronteiras e sistemas financeiros americanos. Ele entendia a arquitetura do que havia feito.

Inventor

E por que ele deixou o Brasil? Não era mais seguro ficar?

Model

Ele estava tentando resolver o problema na origem. As contas estavam bloqueadas, as operações congeladas. Ele acreditava que se fosse até o México, se falasse diretamente com a Bitso, conseguiria destravar as coisas. Era uma tentativa de controlar o caos que ele mesmo havia criado.

Inventor

O fato de as operações estarem em seu nome, não em nomes de laranjas, parece ter sido o que mais o assustou.

Model

Exatamente. Um laranja oferece uma camada de proteção, uma negação plausível. Mas quando tudo está em seu próprio nome, você é o rosto do crime. Não há como se esconder. Ele sabia disso naquele momento.

Inventor

Os áudios foram extraídos meses depois. Como a PF conseguiu acessá-los?

Model

Apreenderam os celulares dele durante as buscas na casa. A perícia foi feita em janeiro de 2025, mas os áudios são de agosto e setembro de 2024. Ele estava documentando seu próprio pânico em tempo real, sem saber que cada conversa seria recuperada e usada contra ele.

Inventor

E a sanção americana veio quase dois anos depois. O que ela muda?

Model

Muda tudo e nada. Muda porque agora é oficial — o governo americano o nomeou publicamente como lavador de dinheiro do PCC. Nada muda porque ele já sabia que isso aconteceria. Ele o disse em áudio: "vai voltar tudo". Ele estava certo.

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