Em fevereiro de 1984, a 320 quilômetros acima da Terra, Bruce McCandless II cruzou um limiar que nenhum ser humano havia atravessado antes: afastou-se da nave sem qualquer cabo que o prendesse ao mundo construído pelos homens. Com uma mochila de jatos de nitrogênio nas costas, ele demonstrou que a autonomia humana podia existir no vácuo absoluto — não como ousadia imprudente, mas como conquista meticulosa da engenharia e da vontade. Aquela imagem de um homem minúsculo flutuando sobre o azul do planeta tornou-se um dos espelhos mais honestos que a humanidade já ergueu diante de si mesma.