Em 2011, Elton John enfrentou plateia jovem desatenta durante o Rock in Rio, enquanto em 1995 havia reunido 40 mil fãs no Estádio do Flamengo. O cantor britânico encerra aposentadoria após turnê de despedida de 330 shows que arrecadou US$ 1 bilhão, citando dívida com o Brasil que não visitou na megaturnê.
Elton John retorna ao Rock in Rio aclamado, 15 anos após recepção hostil
Um retorno que parecia improvável aos 79 anos
Como um artista que foi tão mal recebido em 2011 consegue retornar como atração principal 15 anos depois?
Porque o contexto mudou completamente. Em 2011, ele foi colocado entre duas pop stars em ascensão, para uma plateia jovem que não estava ali por ele. Desta vez, o festival o coloca como destaque máximo, reconhecendo seu peso histórico.
Mas precisamos ser claros: ele tentou novamente em 2015 e foi bem recebido. Então não é exatamente um retorno do zero — é mais uma consolidação de uma segunda chance que já havia começado.
Por que ele sairia da aposentadoria especificamente para o Brasil?
Ele disse que se sentia em dívida com o país porque não o visitou durante a turnê de despedida. É uma questão de deixar algo pendente resolvido.
Embora seja importante notar que ele também se apresentará na Cidade do México depois. Então não é apenas Brasil — é uma série de datas pontuais, não um retorno completo à estrada.
Qual é a importância de ele poder incluir músicas novas?
Mostra que ele ainda está criando, que não é apenas uma turnê de nostalgia. O álbum "Who Believes in Angels?" é recente, feito com Brandi Carlile, e representa que ele continua relevante como artista.
Verdade, mas também não sabemos se ele vai incluir essas músicas. Os fãs esperam, mas o setlist ainda não foi confirmado. Pode ser que ele escolha apenas os clássicos.
Como sua saúde atual afeta o que esperamos ver?
Ele mesmo brincou sobre isso, dizendo que não sobrou muita coisa dele. Mas o fato de estar se apresentando significa que ele se sente capaz de fazer isso.
Certo, mas há um limite entre o que ele diz em uma piada e o que realmente consegue fazer em um show de duas horas. Não temos informações sobre como sua visão limitada ou seus problemas físicos vão impactar a performance.
Il Polso
- Em 2011, Elton John enfrentou plateia hostil entre Katy Perry e Rihanna; em 1995 havia reunido 40 mil fãs no Estádio do Flamengo
- Turnê de despedida "Farewell Yellow Brick Road" teve 330 apresentações e arrecadou US$ 1 bilhão
- Apresentação no Rock in Rio será 7 de setembro; novo álbum "Who Believes in Angels?" lançado após última turnê
- Elton John tem 79 anos e enfrentou infecção nos olhos em 2024 que afetou sua visão
Em 2011, Elton John enfrentou plateia jovem desatenta durante o Rock in Rio, enquanto em 1995 havia reunido 40 mil fãs no Estádio do Flamengo. O cantor britânico encerra aposentadoria após turnê de despedida de 330 shows que arrecadou US$ 1 bilhão, citando dívida com o Brasil que não visitou na megaturnê.
Elton John, aos 79 anos, encabeça o palco Mundo do Rock in Rio 2026 em retorno aclamado ao festival, contrastando com a recepção hostil que recebeu há 15 anos quando se apresentou entre Katy Perry e Rihanna.
Elton John retorna ao Rock in Rio na segunda-feira, 7 de setembro, como uma das poucas atrações que o festival conseguiu transformar em evento imperdível — uma volta que parecia improvável há apenas alguns anos. Aos 79 anos, aposentado dos grandes palcos e ausente do Brasil por quase uma década, o britânico agora encabeça o palco Mundo, o principal do evento. A ironia é aguda: em 2011, quando pisou no festival pela primeira vez em 16 anos, Elton John enfrentou uma plateia hostil.
Naquela apresentação de 2011, o cantor de 64 anos foi alocado entre Katy Perry, então em ascensão, e Rihanna, uma das maiores estrelas pop do período. A multidão era jovem, distraída, mais interessada em celulares ou na chegada da cantora de Barbados do que no artista que se apresentava. Era um contraste brutal com 1995, quando ele havia reunido 40 mil fãs no Estádio do Flamengo durante a turnê "Made in England Tour" — uma gravação remasterizada daquele show será exibida gratuitamente em cinemas de São Paulo e Rio no dia 31 de agosto.
Em 2015, Elton John fez as pazes com o Rock in Rio. Desta vez, encontrou um público que realmente acompanhava sua apresentação, diferente do que havia vivido quatro anos antes. Para esta 11ª edição do festival, a organização não hesitou em colocá-lo como destaque máximo, liderando o palco principal pela primeira vez.
O retorno é notável considerando a trajetória recente do artista. Seus últimos grandes shows aconteceram em 2023, após cinco anos viajando pela Europa, Oceania e América do Norte com a megaturnê de despedida "Farewell Yellow Brick Road". Foram 330 apresentações que geraram US$ 1 bilhão — ou cerca de R$ 5 bilhões — um recorde à época, depois superado por Taylor Swift. Quando o Rock in Rio anunciou sua contratação, John usou as redes sociais para explicar que abriria uma exceção à aposentadoria porque se sentia em dívida com o Brasil, país que não visitou durante sua turnê derradeira. Após o Rio, ele também se apresentará na Cidade do México.
Os últimos anos não foram simples para o cantor. Em 2024, enfrentou uma infecção nos olhos que o deixou sem visão do lado direito, problema que se agravou posteriormente. Durante o evento de estreia de um documentário dirigido por seu marido, o cineasta David Furnish, em Nova York, John fez piada sobre seu estado de saúde: "Não sobrou muita coisa de mim. Não tenho amígdalas, adenoides ou apêndice. Não tenho próstata. Não tenho mais o quadril direito, nem o joelho esquerdo".
O setlist do Rio permanece em aberto, mas fãs esperam novidades. Desde seu último show em Estocolmo, na Suécia, Elton John lançou o álbum "Who Believes in Angels?", fruto de parceria com a americana Brandi Carlile, cantora de música country e folk. No Rio, ele pode mesclar faixas deste novo trabalho com os sucessos que acumulou ao longo de mais de seis décadas de carreira. "Tiny Dancer", "Rocket Man" e "Your Song" devem estar presentes. "Cold Heart", sua música mais ouvida no Spotify e um dos maiores sucessos entre gerações mais jovens — conquistado ao lado da britânica Dua Lipa — também é aposta certeira.
O repertório carrega a dimensão do artista que o Rock in Rio agora recebe: um músico que ajudou a redefinir o lugar do piano no rock e no pop, cujos álbuns dos anos 1970 sustentam ainda hoje suas apresentações. Pode haver atenção especial ao disco "Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy", que completou 50 anos em 2025 e que o próprio Elton John considera sua melhor obra, reunindo canções como "Someone Saved My Life Tonight" e uma versão de "Lucy in the Sky with Diamonds", o clássico dos Beatles.
Citazioni salienti
Não sobrou muita coisa de mim. Não tenho amígdalas, adenoides ou apêndice. Não tenho próstata. Não tenho mais o quadril direito, nem o joelho esquerdo— Elton John, durante evento de estreia de documentário em Nova York em outubro de 2024
Abriria uma exceção à aposentadoria porque vinha se sentindo em dívida com o Brasil, por onde não passou com sua turnê derradeira— Elton John, em comunicado nas redes sociais quando do anúncio da apresentação