Há despedidas que não cabem em uma única turnê. Elton John, que encerrou sua última grande excursão em 2023 sem passar pelo Brasil, encontrou no Rock in Rio 2026 a ocasião para saldar essa dívida afetiva com um país que o acolheu por décadas. Diante de dezenas de milhares de pessoas no Parque Olímpico, o britânico — com a visão comprometida e a voz marcada pelo tempo — ofereceu não apenas um show, mas um ato de gratidão e encerramento, lembrando que os grandes artistas não se aposentam da memória de quem os amou.
Elton John faz despedida emocionante do Brasil no Rock in Rio 2026
O homem para, mas sua música continua.
Por que essa apresentação importa tanto? Elton John já se aposentou em 2023.
Porque ele deixou o Brasil de fora daquela turnê de despedida. A Covid-19 impediu. Então essa noite no Rock in Rio é a chance que ele nunca teve de dizer adeus ao país que o amou por décadas.
Mas ele ainda faz shows ocasionais, certo? Então tecnicamente não é uma despedida total.
Verdade. Mas é diferente. Ele não viaja mais como antes. Esses shows especiais são raros. Para o Brasil, essa é a despedida.
Como ele conseguiu fazer um show tão forte com as limitações físicas que tem?
Perdeu a visão do olho direito há dois anos. O esquerdo também é comprometido. A voz não tem mais a potência de antes. Mas no palco, ele concentrou toda a energia que antes despundia noite após noite em turnês.
A voz falhou em alguns momentos no começo, certo? Não é exatamente uma performance perfeita.
Não é. Mas o público não estava lá esperando perfeição. Estava lá para um momento histórico. E ele entregou isso.
O que tornou "Your Song" tão especial naquela noite?
Foi o encerramento. Parecia que ele estava se despedindo enquanto deixava seu presente mais precioso. Muita gente chorava.
Mas a fonte diz "aparentemente o próprio cantor estava em lágrimas". Não é confirmado que ele chorava.
Justo. O que é confirmado é que foi um momento de catarse coletiva. O resto a gente sente.
Il Polso
- A ausência do Brasil na turnê 'Farewell Yellow Brick Road' deixou uma ferida aberta que só o próprio Elton John poderia curar — e ele escolheu o Rock in Rio 2026 para fazê-lo.
- Limitações físicas reais — cegueira no olho direito, visão reduzida no esquerdo, voz que demorou a aquecer — criaram tensão desde os primeiros acordes, testando a expectativa de dezenas de milhares de fãs.
- A partir de 'Bennie and the Jets', cantor e plateia encontraram o mesmo ritmo, transformando o Parque Olímpico em um coro coletivo que cantou cada clássico como se fosse a última vez — porque era.
- O encerramento com 'Your Song' provocou uma catarse visível: lágrimas na plateia, emoção no palco, e Elton agradecendo ao Brasil em português por décadas de amor e fidelidade.
- O show deixou claro que o homem pode se retirar dos palcos, mas a música — de 'Skyline Pigeon' às novelas brasileiras até 'Candle in the Wind' — permanece como herança inapagável.
Há despedidas que não cabem em uma única turnê. Elton John, que encerrou sua última grande excursão em 2023 sem passar pelo Brasil, encontrou no Rock in Rio 2026 a ocasião para saldar essa dívida afetiva com um país que o acolheu por décadas. Diante de dezenas de milhares de pessoas no Parque Olímpico, o britânico — com a visão comprometida e a voz marcada pelo tempo — ofereceu não apenas um show, mas um ato de gratidão e encerramento, lembrando que os grandes artistas não se aposentam da memória de quem os amou.
Elton John encerrou suas grandes turnês em 2023, mas havia deixado uma lacuna que o incomodava: o Brasil e a América Latina ficaram de fora daquele giro de adeus. Na noite de 7 de setembro, no Rock in Rio 2026, ele finalmente saldou essa dívida. Como atração principal do quarto dia do festival, dividiu o palco Mundo com nomes como Gilberto Gil, Luisa Sonza e Jon Batiste. Todos no Parque Olímpico sabiam que era a última chance de vê-lo no Brasil.
O show carregava o peso de uma despedida real. Dois anos antes, uma infecção ocular o deixou cego do olho direito, com visão comprometida no esquerdo. Sua voz, outrora potente, demorou a aquecer e falhou em alguns momentos. Ainda assim, quando chegou a 'Bennie and the Jets', cantor e plateia já estavam em plena sintonia. O repertório era quase inteiramente formado pelos clássicos que todos queriam ouvir, com destaque para sequências do álbum 'Goodbye Yellow Brick Road' de 1973 e uma 'Candle in the Wind' tocada apenas ao piano e voz que arrancou um coro monumental.
Os telões de LED trouxeram homenagens ao fotógrafo Martin Parr, cenas do filme 'Rocketman' e imagens de fãs brasileiros estilosos durante 'Crocodile Rock'. 'Skyline Pigeon', trilha da novela 'Carinhoso', ganhou menção especial: 'Aqui é o único lugar do mundo em que ela é popular', disse Elton, citando Bernie Taupin como parceiro na composição.
O encerramento com 'Your Song' foi um dos maiores momentos de catarse coletiva já vistos no festival. Vestindo terno amarelo sobre camisa azul — alusão às cores do Brasil — Elton explicou que a turnê de despedida não passou pelo país por causa da Covid-19, e que quando foi convidado para o Rock in Rio não conseguiu recusar. 'Só queria dizer obrigado por todo amor que vocês deram ao longo da minha carreira. Obrigado, Brasil, por fazer parte da minha vida', disse, visivelmente emocionado. No fim, parecia não apenas a despedida de um palco, mas de uma geração inteira — com o lembrete de que o homem para, mas sua música continua.
Elton John encerrou suas grandes turnês em 2023, quando a excursão "Farewell Yellow Brick Road" chegou ao fim. Mas havia deixado uma lacuna que o incomodava: o Brasil e toda a América Latina não constavam daquele giro de adeus. Na noite de segunda-feira, 7 de setembro, ele finalmente saldou essa dívida. Como atração principal do quarto dia do Rock in Rio 2026, dividiu o palco Mundo com Gilberto Gil, Luisa Sonza, Roupa Nova, Jon Batiste, Péricles e Laufey. Todos no Parque Olímpico sabiam que era a última oportunidade de vê-lo no Brasil.
O show carregava o peso de uma despedida. Elton não mais viaja constantemente como fazia décadas atrás, apresentando-se apenas em ocasiões especiais espalhadas pelo mundo. Ainda assim, diante de dezenas de milhares de pessoas, ele demonstrou que sua presença no palco mantinha a força de sempre. Isso apesar de limitações que não podiam ser ignoradas. Dois anos antes, uma infecção ocular o deixou cego do olho direito. Sua visão no olho esquerdo também era comprometida. No palco, era visível sua dificuldade em se comunicar com os músicos da banda. Sua voz, outrora potente e profunda, não possuía mais aquela ressonância. No início da apresentação, ela demorou a aquecer e em alguns momentos falhou.
Mas quando chegou a "Bennie and the Jets", a segunda música da noite, tanto o cantor quanto a plateia já estavam em sintonia. O público cantava junto nos sucessos, os olhos fixos no palco, aplaudindo com força ao fim de cada canção. Ficava claro que Elton John não havia saído de casa por obrigação. Ele oferecia um show de entrega total, concentrando naquela noite a energia que antes despunha noite após noite em turnês. O repertório era quase inteiramente composto pelos clássicos que todos queriam ouvir. Muitos vinham de "Goodbye Yellow Brick Road", seu álbum mais celebrado de 1973. A apresentação abriu com "Funeral for a Friend / Love Lies Bleeding" e depois trouxe "Candle in the Wind" e a faixa-título em sequência, um dos momentos mais bonitos da noite.
No palco do Rock in Rio, Elton John reafirmou por que integra um grupo extremamente seleto de artistas com habilidade rara ao piano e microfone. Isso ficou evidente nas baladas, mas também quando seus dedos passeavam pelo instrumento em jams divertidas, como na versão estendida de "Rocket Man" e nas passagens mais próximas do rock clássico. Não era a primeira vez que o Brasil presenciava seus truques. Esta era sua oitava vinda ao país desde os anos 1990, sendo a terceira apresentação no Rock in Rio após shows em 2011 e 2015. O britânico até estranhou o clima de 17°C na capital carioca, comentando em uma das poucas interações com o público: "Está tão frio!".
Apesar do uso criativo dos telões de LED gigantes do palco Mundo, em algumas performances o artista não era visível para a maioria da plateia. "I Guess That's Why They Call it the Blues" exibiu imagens do fotógrafo britânico Martin Parr, falecido em dezembro do ano anterior. "Honky Cat" trouxe trechos do filme "Rocketman" de 2019. "Rocket Man" veio acompanhada de efeitos visuais espaciais. Houve um momento de menor intensidade no meio da apresentação, durante a sequência de "Levon", "Sorry Seems to Be the Hardest Word" e "Someone Saved my Life Tonight". Mas logo a energia retornou com uma sublime "Candle in the Wind" tocada apenas ao piano e voz, seguida por "Goodbye Yellow Brick Road", que evocou um coro monumental da plateia.
A sequência roqueira que se seguiu colocou o público para dançar. "Crocodile Rock" exibiu imagens de fãs do britânico vestidos de forma estilosa e extravagante, com diversas menções ao Brasil. "Saturday Night's Alright (For Fighting)" trouxe cenas de brigas famosas de filmes como "Indiana Jones" e "Kung Fu Panda". A reta final incluiu "Cold Heart", um remix com batidas eletrônicas que mistura trechos de várias de suas músicas e ficou famoso nos últimos anos com a participação de Dua Lipa. Também tocou "Skyline Pigeon", música que se tornou especificamente popular no Brasil após ser trilha da novela "Carinhoso" em 1973. Elton John adquiriu o costume de tocá-la em seus shows no país. "Essa é a primeira música que escrevi com Bernie [Taupin]", disse, citando seu maior parceiro de composições. "Aqui é o único lugar do mundo em que ela é popular."
O encerramento trouxe talvez seu maior sucesso, "Your Song". Foi um dos maiores momentos de catarse coletiva do Rock in Rio até então. O britânico parecia se despedir enquanto deixava seu presente mais precioso—sua música—enquanto parte do público e aparentemente o próprio cantor estavam em lágrimas. Elton explicou por que havia aceitado tocar no festival: sua turnê de despedida não passou pelo Brasil por causa da Covid-19 e isso o deixou triste. Quando foi convidado para o Rock in Rio, não conseguiu recusar. Usando um terno amarelo sobre uma camisa azul em alusão às cores do país, ele disse que o Brasil é um dos melhores lugares para ele e que queria se despedir de amigos e fãs daqui. "Só queria dizer obrigado por todo amor que vocês deram ao longo da minha carreira. Obrigado, Brasil, por fazer parte minha vida", afirmou, visivelmente emocionado, antes de puxar "Don't Let the Sun Go Down on Me". No fim, parecia não apenas a despedida dos palcos de um país, mas de várias coisas—da juventude, da saúde plena de anos atrás, de uma geração libertina e roqueira da qual Elton John faz parte. E também um lembrete: o homem para, mas sua música continua.
Citazioni salienti
Essa é a primeira música que escrevi com Bernie. Aqui é o único lugar do mundo em que ela é popular.— Elton John, sobre 'Skyline Pigeon'
Só queria dizer obrigado por todo amor que vocês deram ao longo da minha carreira. Obrigado, Brasil, por fazer parte minha vida.— Elton John, em despedida emotiva ao público