Musk, Cook e outros CEOs acompanham Trump em viagem à China

O maior pedido de aviões da história está em jogo
A Boeing espera desbloquear um acordo com a China que poderia incluir até 500 jatos 737 MAX.

Em um momento de tensão estrutural entre as duas maiores economias do planeta, Donald Trump conduz a Pequim uma delegação sem precedentes de executivos americanos — de Elon Musk a Tim Cook — em busca de acordos que possam ser celebrados como vitórias concretas do seu governo. No centro das negociações está a Boeing, que aguarda há quase uma década um pedido histórico de até 500 jatos 737 MAX da China. A viagem revela que, por trás da retórica de confronto comercial, há uma geometria de interesses mútuos que nenhum dos dois lados pode ignorar.

  • Uma concentração extraordinária de poder corporativo americano embarca para Pequim com Trump, reunindo mais de dez CEOs de empresas como Apple, Tesla, Meta e Blackrock em torno de negociações de alto risco.
  • A Boeing carrega o peso maior da viagem: um acordo potencial de até 500 jatos 737 MAX representaria o maior pedido de aviões da história e o primeiro grande contrato chinês com a fabricante desde 2017.
  • A ausência de Jensen Huang da Nvidia sinaliza que a Casa Branca delimitou o escopo da missão — agricultura e aviação comercial entram, semicondutores de IA ficam de fora, ao menos por enquanto.
  • Mesmo onde houve avanços — como a permissão americana para exportar chips H200 da Nvidia à China — o caminho permanece bloqueado: empresas chinesas ainda não conseguem aprovação do próprio governo para fechar as compras.
  • O que está em jogo ao final da semana é mais do que uma lista de contratos: o resultado em Pequim pode redesenhar o equilíbrio das relações comerciais entre os dois maiores poderes econômicos do mundo.

Donald Trump parte esta semana para a China acompanhado de uma delegação que reúne alguns dos nomes mais influentes do capitalismo americano. Elon Musk, Tim Cook, Larry Fink, Stephen Schwarzman e Kelly Ortberg da Boeing estão entre os executivos confirmados — uma concentração de poder corporativo raramente vista em uma única missão diplomática.

O caso mais urgente é o da Boeing. Ortberg declarou em abril que a empresa contava com o apoio do governo Trump para destravar um pedido que vinha sendo aguardado há anos: até 500 jatos 737 MAX, além de dezenas de aeronaves maiores com motores da GE. Seria o primeiro grande contrato chinês com a Boeing desde 2017 e, potencialmente, o maior pedido de aviões da história.

Uma ausência chama atenção: Jensen Huang, da Nvidia, não foi convidado. A Casa Branca sinalizou que o foco da viagem está em agricultura e aviação, não em chips de inteligência artificial — uma escolha que marca prioridades, mesmo que Trump tenha construído uma relação sólida com Huang e já tenha permitido a exportação dos chips H200 para a China. O problema é que nenhum desses chips foi vendido: empresas chinesas ainda enfrentam obstáculos burocráticos internos para fechar as compras.

O que emerge é uma estratégia de resultados visíveis: Trump quer voltar aos Estados Unidos com grandes acordos anunciáveis. Os executivos querem acesso ao mercado chinês. E a China negocia com uma delegação que representa bilhões em poder de compra. O que for decidido em Pequim esta semana pode redefinir o curso das relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo.

Donald Trump está levando uma delegação de executivos americanos à China esta semana, uma comitiva que reúne alguns dos nomes mais influentes do capitalismo dos EUA em torno de negociações comerciais de alto risco. De acordo com autoridades da Casa Branca, Elon Musk da Tesla, Tim Cook da Apple, Larry Culp da GE Aerospace e Kelly Ortberg da Boeing estarão entre os acompanhantes do presidente na viagem de Estado.

A lista se estende além desses quatro. Dina Powell McCormick, da Meta; Larry Fink, do Blackrock; Stephen Schwarzman, do Blackstone; Chuck Robbins, da Cisco; Sanjay Mehrota, da Micron; Michael Miebach, da Mastercard; Christiano Amon, da Qualcomm; e Ryan McInerney, da Visa também integram a delegação. Trata-se de uma concentração extraordinária de poder corporativo americano, reunida em um único voo para Pequim.

O que torna essa viagem particularmente significativa é o que está em jogo nos bastidores. A Boeing, em particular, tem apostado alto nesta negociação. Ortberg declarou à Reuters em abril que a empresa contava com o governo Trump para ajudar a destravar um pedido monumental da China que vinha sendo aguardado há anos. As conversas entre a fabricante de aviões americana e Pequim envolvem a possibilidade de um acordo que poderia incluir até 500 jatos 737 MAX, além de dezenas de aeronaves maiores equipadas com motores da GE. Seria o primeiro grande pedido chinês à Boeing desde 2017, e potencialmente o maior pedido de aviões da história.

A ausência de um nome é tão reveladora quanto a presença de tantos outros. Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, não acompanhará Trump. A Casa Branca não o convidou, segundo pessoas familiarizadas com os planos, porque o foco da viagem está concentrado em agricultura e aviação comercial, não em semicondutores de inteligência artificial. É uma decisão que marca uma mudança de prioridades, apesar do relacionamento sólido que Trump desenvolveu com Huang desde que retornou ao cargo.

Esse relacionamento, aliás, já produziu concessões significativas. Trump concordou em permitir que os chips H200 AI da Nvidia fossem exportados para a China, uma decisão que representou uma flexibilização das restrições tecnológicas que caracterizaram sua primeira administração. Mas há um problema: nenhum desses chips foi vendido ainda. O secretário de Comércio Howard Lutnick explicou em abril que as empresas chinesas enfrentam dificuldades para obter aprovação do governo chinês para fazer as compras, um obstáculo burocrático que permanece mesmo com a permissão americana já concedida.

O que emerge desse quadro é uma estratégia clara: Trump está usando a viagem para tentar desbloquear acordos comerciais concretos que possam ser anunciados como vitórias diplomáticas e econômicas. A Boeing precisa desesperadamente desse pedido chinês. Os executivos de tecnologia querem acesso ao mercado chinês. E Trump quer poder voltar aos Estados Unidos com notícias de grandes negócios fechados. A China, por sua vez, está negociando com uma delegação que representa bilhões em poder de compra e influência corporativa. O que sairá dessa semana em Pequim pode redefinir as relações comerciais entre os dois maiores poderes econômicos do mundo.

A Boeing estava contando com o governo Trump para ajudar a desbloquear um grande pedido da China há muito aguardado
— Kelly Ortberg, CEO da Boeing, à Reuters
A Casa Branca está se concentrando mais em assuntos de agricultura e aviação comercial na viagem atual
— Autoridade da Casa Branca
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a Casa Branca escolheu especificamente esses executivos e não outros?

Model

Porque cada um deles representa um setor que a China quer ou precisa. Boeing e GE têm produtos que Pequim deseja comprar. Meta, Blackrock e Blackstone têm capital e influência financeira. É uma delegação montada para abrir portas específicas.

Inventor

E por que Jensen Huang foi deixado de fora?

Model

Porque os chips de IA são um ponto de fricção maior entre os dois países. A Casa Branca está tentando fechar acordos em setores menos politicamente sensíveis primeiro. Huang pode vir depois, quando o terreno estiver mais preparado.

Inventor

Esse pedido de 500 aviões é realmente tão importante assim?

Model

É histórico. A Boeing não recebe um pedido grande da China desde 2017. Isso representaria não apenas receita massiva, mas também um sinal de que as tensões comerciais estão diminuindo. É exatamente o tipo de vitória que Trump quer anunciar.

Inventor

Mas e se a China não fechar o acordo?

Model

Então Trump volta com as mãos vazias, e a narrativa muda completamente. Cada executivo naquele avião está apostando que ele consegue fazer isso acontecer. Se não conseguir, todos saem prejudicados.

Inventor

Há algo de preocupante em reunir tanto poder corporativo em uma negociação com a China?

Model

Depende de como você vê. De um lado, é eficiente: os executivos podem negociar diretamente. Do outro, concentra muito poder nas mãos de poucos homens em uma situação de alta pressão política.

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