No Centro de Eventos de Fortaleza, o governador Elmano de Freitas tornou oficial o que já era esperado: sua candidatura à reeleição pelo PT, com Lula ao lado como símbolo de uma aliança consolidada. Sem nomear adversários, Elmano traçou uma fronteira moral entre seu projeto e o de seus opositores, enquanto as pesquisas revelam que Ciro Gomes parte na frente com dez pontos de vantagem. A disputa de 2026 no Ceará não é apenas sobre gestão — é sobre narrativas de caráter, lealdades fraturadas e o peso de uma história política que remonta a décadas.
Elmano é lançado candidato à reeleição no Ceará e critica 'time da intriga'
Aqui é o time da entrega e lá é o time da intriga
Por que Elmano escolheu não nomear Ciro diretamente, se todos sabem quem é o adversário?
Porque nomear é confrontar. Quando você fala em abstrato — o time da intriga, o time da mentira — você permite que cada eleitor projete seus próprios medos e críticas. É mais seguro politicamente. Além disso, há uma elegância em deixar implícito.
Mas a pesquisa mostra Ciro com dez pontos de vantagem. Como Elmano pode estar confiante?
Pesquisas mudam. Elmano venceu em 2022 com margem confortável. Ele tem a máquina do governo, tem Lula ao seu lado, tem apoio consolidado. Ciro tem números, mas tem fraturas. Ninguém sabe ainda qual pesa mais.
Essas fraturas na coligação de Ciro — elas são realmente um problema para ele?
Sim e não. Mostram que a oposição não está unida, o que é bom para Elmano. Mas também mostram que há espaço para negociação, para que Ciro resolva essas contradições. A política cearense é feita de alianças que se refazem constantemente.
Elmano menciona a façanha de 2022. Ele acredita que pode repetir?
Ele precisa acreditar. Mas 2022 foi diferente — era a primeira vez, havia entusiasmo, havia rejeição ao governo anterior. Agora ele é o governo. As pessoas cobram resultados. É mais fácil prometer do que entregar.
O que significa, na prática, esse contraste entre entrega e intriga?
Significa que Elmano está tentando ocupar o espaço da competência e da seriedade, enquanto coloca Ciro no espaço da política tradicional, da fofoca, da desunião. É uma aposta de que os eleitores preferem alguém que trabalha a alguém que fala bem.
E se Ciro conseguir resolver essas fraturas internas antes da eleição?
Então o jogo muda. Uma coligação unida é mais forte. Mas unir PL, União Brasil e Progressistas em torno de um candidato tucano não é trivial. Há egos, há interesses. Elmano está apostando que isso não aconteça.
O Pulso
- Elmano lança sua reeleição com Lula presente, mas as pesquisas mostram Ciro Gomes à frente com 43% contra 33% do governador — uma desvantagem incômoda para quem busca um segundo mandato.
- O discurso de Elmano evita nomes, mas aponta diretamente para o adversário: de um lado, o 'time da entrega'; do outro, o 'time da intriga', da mentira e da arrogância.
- A coligação de Ciro enfrenta rachaduras internas: diretórios estaduais do União Brasil e dos Progressistas declararam apoio a Elmano, contrariando a direção da Federação União Progressista, e o caso foi parar na justiça.
- Flávio Bolsonaro, candidato à presidência, não declarou apoio público a Ciro, deixando a aliança do tucano com o PL sem o respaldo simbólico mais esperado.
- Elmano aposta na vinculação com Lula e na trajetória de décadas dentro da esquerda cearense para compensar a desvantagem nas pesquisas e consolidar seu eleitorado de base.
No Centro de Eventos de Fortaleza, o governador Elmano de Freitas tornou oficial o que já era esperado: sua candidatura à reeleição pelo PT, com Lula ao lado como símbolo de uma aliança consolidada. Sem nomear adversários, Elmano traçou uma fronteira moral entre seu projeto e o de seus opositores, enquanto as pesquisas revelam que Ciro Gomes parte na frente com dez pontos de vantagem. A disputa de 2026 no Ceará não é apenas sobre gestão — é sobre narrativas de caráter, lealdades fraturadas e o peso de uma história política que remonta a décadas.
Na sexta-feira, Elmano de Freitas subiu ao palco do Centro de Eventos de Fortaleza para formalizar sua candidatura à reeleição como governador do Ceará. Com o presidente Lula presente na convenção do PT, o governador de 56 anos — advogado, filiado ao partido desde 1989 — transformou o momento em algo além de uma celebração interna: um manifesto de contraste moral com seus adversários.
Sem citar nomes, Elmano dividiu o campo político em dois times. "Aqui é o time da entrega e lá é o time da intriga", declarou, atribuindo ao outro lado ódio, mentira e arrogância, enquanto reivindicava para si humildade, verdade e amor. O alvo implícito era Ciro Gomes, do PSDB, apoiado pelo PL e pela Federação União Progressista — e que, segundo pesquisa Quaest divulgada na véspera, lidera com 43% das intenções de voto contra 33% de Elmano.
A vantagem de dez pontos de Ciro pesa, sobretudo porque Elmano venceu em 2022 com 54% no primeiro turno. Mas o campo adversário não é coeso. Os diretórios estaduais do União Brasil e dos Progressistas declararam apoio à reeleição de Elmano, contrariando a Federação União Progressista — presidida por Capitão Wagner e Roberto Cláudio, ex-prefeito de Fortaleza e candidato a vice na chapa de Ciro. A direção nacional confirmou a validade da convenção que apoiou o tucano, mas a confusão jurídica e política permanece. Flávio Bolsonaro, por sua vez, não fez declarações públicas de apoio a Ciro, deixando a aliança com o PL sem seu respaldo mais simbólico.
Do lado de Elmano, o senador Camilo Santana — ex-governador que o indicou em 2022 — segue ao seu lado, assim como Lula, evocado no slogan "É Lula lá e Elmano aqui". A candidatura de 2026 marca a continuidade de uma ruptura iniciada em 2022, quando o PT encerrou 16 anos de aliança com o PDT, colocando Ciro — então pedetista — no campo oposto. Agora, a disputa se desenha entre um governador que apela à narrativa da entrega e um adversário que lidera nas pesquisas, mas precisa resolver as contradições de sua própria coligação antes de chegar ao segundo turno.
Elmano de Freitas subiu ao palco na sexta-feira para formalizar o que já era esperado: sua candidatura à reeleição como governador do Ceará. O PT, com o presidente Lula presente na convenção realizada no Centro de Eventos de Fortaleza, selou o compromisso com o petista de 56 anos, advogado de formação, que já governa o estado desde 2022. Mas o discurso de Elmano não foi apenas uma celebração interna. Ele usou o momento para desenhar uma linha clara entre seu projeto e o dos adversários, sem precisar nomear ninguém.
"Aqui é o time da entrega e lá é o time da intriga", disse Elmano, expandindo a crítica em seguida. Seu adversário principal, Ciro Gomes do PSDB, apoiado pelo PL e pela Federação União Progressista, não foi mencionado pelo nome, mas estava ali, implícito, em cada contraste que o governador traçava. Enquanto Elmano falava em humildade, verdade e amor, atribuía ao outro lado ódio, mentira e arrogância. A estratégia era clara: não era sobre políticas específicas, mas sobre caráter e disposição.
Os números, porém, contam uma história menos confortável para Elmano. A pesquisa Quaest divulgada na quinta-feira mostrou Ciro com 43% das intenções de voto contra 33% do governador na pesquisa estimulada. Uma vantagem de dez pontos que não pode ser ignorada, especialmente quando se trata de uma disputa pela reeleição. Elmano já venceu uma vez, em 2022, com 54% dos votos válidos no primeiro turno. Desta vez, o cenário é mais competitivo.
O lado de Ciro, porém, não é monolítico. A coligação que o apoia enfrenta fraturas internas que revelam as complexidades da política cearense. André Fernandes, deputado federal e presidente do PL no Ceará, é um dos principais apoiadores de Ciro, mas Flávio Bolsonaro, que concorre à presidência, não fez declarações públicas de apoio ao tucano. A Federação União Progressista, que oficialmente apoia Ciro, é presidida por Capitão Wagner e Roberto Cláudio, ex-prefeito de Fortaleza e candidato a vice na chapa de Ciro. Mas aqui está o problema: os diretórios estaduais individuais do União Brasil e dos Progressistas tomaram o caminho oposto, declarando apoio à reeleição de Elmano e levando o caso à justiça. A direção nacional da Federação confirmou a validade da convenção estadual que apoiou Ciro, mas a confusão permanece.
Elmano, por sua vez, tem consolidado seu apoio nas lideranças de esquerda. O senador Camilo Santana, ex-governador que o indicou em 2022, segue ao seu lado. Lula também está presente, não apenas na convenção, mas como símbolo de uma aliança que Elmano quer reforçar. "É Lula lá e Elmano aqui", disse o governador, tentando vincular sua campanha à força do presidente.
A trajetória de Elmano o posiciona como um político de carreira dentro da esquerda cearense. Filiado ao PT desde 1989, trabalhou com movimentos sociais, foi secretário de Educação de Fortaleza, coordenou o Orçamento Participativo na gestão de Luizianne Lins, e foi eleito deputado estadual em 2014 e 2018 antes de chegar ao Executivo. Sua indicação em 2022 marcou o fim de uma aliança de 16 anos entre PT e PDT no Ceará, uma ruptura que colocou Ciro, então membro do PDT, do lado oposto.
Agora, em 2026, a disputa se desenha entre um governador que busca consolidar sua gestão e um adversário que lidera nas pesquisas mas enfrenta desafios de coesão em sua própria coligação. Elmano apela para a narrativa da entrega e da humildade. Ciro tem números a seu favor, mas precisa resolver as contradições internas de seus apoiadores. A campanha está apenas começando.
Citações Notáveis
O time de lá é ódio. O time de cá é amor. O time de lá é mentira. O time daqui é verdade.— Elmano de Freitas, em discurso de campanha
É Lula lá e Elmano aqui. Essa é a vitória que nós queremos construir.— Elmano de Freitas, durante convenção do PT