Mais da metade da receita trimestral agora vem de um único segmento
Pela primeira vez na história da indústria farmacêutica, uma empresa do setor cruzou a marca de um trilhão de dólares em valor de mercado. A Eli Lilly chegou a esse patamar não pela conquista de fronteiras tradicionais da medicina, mas pela reinvenção de um mercado antes marginalizado: o combate à obesidade. O que os medicamentos Mounjaro e Zepbound representam vai além de números financeiros — eles sinalizam uma reconfiguração profunda de como a sociedade e o capital encaram o peso humano como problema médico e econômico.
- As ações da Eli Lilly ultrapassaram US$ 1.057 em novembro de 2025, tornando-a a primeira farmacêutica da história a atingir capitalização de um trilhão de dólares.
- Medicamentos para obesidade já respondem por mais da metade da receita trimestral da companhia, que somou US$ 17,6 bilhões — um desequilíbrio que revela tanto a força quanto a dependência estratégica da empresa nesse segmento.
- A Lilly superou a Novo Nordisk na corrida pelos tratamentos injetáveis de emagrecimento, acumulando ganhos de mais de 75% desde o lançamento do Zepbound, desempenho que eclipsa o próprio S&P 500 no período.
- Wall Street aguarda o Orforglipron, versão oral do tratamento para obesidade com aprovação prevista para 2026, apostando que a eliminação das injeções pode ampliar dramaticamente o mercado potencial.
No final de novembro de 2025, as ações da Eli Lilly tocaram US$ 1.057,70 — um momento fugaz, mas suficiente para inscrever a companhia na história como a primeira farmacêutica a cruzar a marca de um trilhão de dólares em valor de mercado. O feito não veio de avanços em oncologia ou cardiologia, mas de um mercado que até pouco tempo era tratado como nicho: os medicamentos para perda de peso.
O crescimento foi extraordinário. As ações subiram mais de 35% em 2025, puxadas pela demanda explosiva por Mounjaro e Zepbound, que rapidamente ganharam terreno sobre a Novo Nordisk. Desde o lançamento do Zepbound, no fim de 2023, os papéis da Lilly acumularam alta superior a 75%, superando com folga o avanço de pouco mais de 50% do S&P 500 no mesmo intervalo.
Os números do negócio explicam o entusiasmo. A receita combinada de obesidade e diabetes superou US$ 10 bilhões no trimestre mais recente, mais da metade do total de US$ 17,6 bilhões da companhia. Kevin Gade, da Bahl and Gaynor, foi categórico: a obesidade é o único motor real do preço das ações neste momento. O mercado global desses medicamentos deve atingir US$ 150 bilhões até 2030, com Lilly e Novo Nordisk dominando as vendas projetadas.
O próximo capítulo já está sendo escrito. O Orforglipron, versão oral do tratamento para obesidade, deve receber aprovação regulatória no início de 2026. Analistas do Citi acreditam que o medicamento se beneficiará do caminho aberto pelos injetáveis — e que a ausência de agulhas pode ampliar o mercado de forma significativa. James Shin, do Deutsche Bank, observou que a Lilly começa a se assemelhar novamente às Sete Magníficas, posicionando-se como alternativa atraente até para investidores em busca de refúgio diante das incertezas recentes em ações de inteligência artificial.
A Eli Lilly cruzou uma linha que nenhuma empresa farmacêutica havia cruzado antes. No final de novembro de 2025, suas ações atingiram US$ 1.057,70, elevando a capitalização da companhia para um trilhão de dólares. O momento foi breve — a ação recuou logo depois, fechando o dia em US$ 1.046,10 — mas o marco havia sido alcançado. O que levou a farmacêutica americana a esse patamar não foi uma descoberta revolucionária em oncologia ou cardiologia. Foi um mercado que, até pouco tempo atrás, era considerado um nicho: medicamentos para perda de peso.
O crescimento foi vertiginoso. As ações da Eli Lilly subiram mais de 35% em 2025, impulsionadas quase inteiramente pela explosão de demanda por seus tratamentos de obesidade. Mounjaro e Zepbound — os medicamentos injetáveis da companhia — ganharam terreno rapidamente contra a Novo Nordisk, que havia sido a primeira a dominar esse espaço. Desde o lançamento do Zepbound no final de 2023, as ações da Lilly acumularam ganhos superiores a 75%, enquanto o S&P 500 avançou pouco mais de 50% no mesmo período. A diferença de desempenho é gritante.
Os números revelam por que os investidores estão tão entusiasmados. No trimestre mais recente, a receita combinada do portfólio de obesidade e diabetes da Eli Lilly ultrapassou US$ 10 bilhões, representando mais da metade de sua receita total de US$ 17,6 bilhões. Kevin Gade, diretor de operações da Bahl and Gaynor, uma das acionistas da companhia, foi direto ao ponto: qualquer sugestão de que algo além da obesidade esteja impulsionando o preço das ações neste momento seria, em suas palavras, uma afirmação que não corresponde aos fatos. A obesidade é tudo.
Wall Street projeta que esse mercado continuará crescendo de forma agressiva. Analistas estimam que os medicamentos para perda de peso valerão US$ 150 bilhões até 2030, com a Eli Lilly e a Novo Nordisk controlando juntas a maioria das vendas globais. A Lilly agora é negociada com um múltiplo de cerca de 50 vezes seus lucros antecipados para os próximos 12 meses — um dos mais altos entre as grandes farmacêuticas — refletindo a confiança dos investidores de que a demanda permanecerá forte.
Mas o melhor pode estar por vir. Os olhos de Wall Street estão agora fixos no Orforglipron, o medicamento oral da Lilly para obesidade, que deve receber aprovação regulatória no início de 2026. Analistas do Citi observaram que a última geração de medicamentos emagrecedores já foi um fenômeno de vendas, e o Orforglipron está posicionado para se beneficiar dos avanços feitos por seus antecessores injetáveis. Um medicamento oral — mais fácil de usar, sem injeções — poderia abrir o mercado ainda mais.
O recente acordo da Eli Lilly com a Casa Branca para reduzir os preços de seus medicamentos para perda de peso, combinado com investimentos planejados para expandir a capacidade de produção, também alimenta o otimismo. James Shin, diretor de pesquisa de ações farmacêuticas no Deutsche Bank, observou que a companhia está começando a se assemelhar novamente às Sete Magníficas — o grupo de gigantes da tecnologia que impulsionou grande parte dos retornos do mercado em 2024 e 2025. A Eli Lilly havia sido vista como parte desse círculo de elite em um momento anterior, mas caiu em desgraça após algumas notícias decepcionantes e resultados abaixo das expectativas. Agora, porém, parece pronta para retornar a esse status, possivelmente até como uma alternativa atraente para investidores preocupados com as fraquezas recentes em algumas ações de inteligência artificial.
Notable Quotes
Sugerir que qualquer coisa esteja impulsionando o preço das ações além da obesidade neste momento não seria uma afirmação factual— Kevin Gade, diretor de operações da Bahl and Gaynor
A companhia está começando a se assemelhar às Sete Magníficas novamente— James Shin, diretor de pesquisa de ações farmacêuticas no Deutsche Bank
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como uma farmacêutica consegue chegar a um trilhão de dólares em capitalização? Isso não deveria ser território exclusivo das gigantes de tecnologia?
Deveria ser, mas o mercado de medicamentos para obesidade mudou tudo. A Eli Lilly não é uma empresa de IA ou semicondutores — é uma farmacêutica tradicional. Mas seus medicamentos para perda de peso estão gerando receitas que rivais com décadas de história não conseguem igualar.
Mais de 35% de ganho em um ano é extraordinário. O que explica essa velocidade?
Dois fatores. Primeiro, o mercado de obesidade cresceu de um nicho para um segmento de US$ 150 bilhões projetados até 2030. Segundo, a Lilly não apenas entrou nesse mercado — ela o dominou. Seus medicamentos Mounjaro e Zepbound superaram a Novo Nordisk em prescrições. Quando você tem a maior fatia de um mercado que está explodindo, o preço das ações acompanha.
Mas uma avaliação de um trilhão de dólares é baseada em quê? Esses medicamentos para perda de peso vão durar para sempre?
Essa é a aposta. Os investidores acreditam que a demanda permanecerá forte porque a obesidade é um problema crônico e crescente. Além disso, a Lilly tem o Orforglipron chegando — um medicamento oral que pode ser ainda mais lucrativo que as injeções. Se funcionar como esperado, o mercado pode crescer ainda mais.
A companhia está realmente tão focada em obesidade quanto parece?
Completamente. No trimestre mais recente, mais da metade da receita total de US$ 17,6 bilhões veio do portfólio de obesidade e diabetes. Quando você gera US$ 10 bilhões em um trimestre de um único segmento, tudo mais fica em segundo plano. Não há como negar o que está acontecendo.
E quanto ao acordo com a Casa Branca para reduzir preços? Isso não prejudica as margens?
No curto prazo, talvez. Mas a Lilly está investindo em expansão de produção, o que sugere que a companhia acredita que o volume compensará qualquer redução de preço. É uma aposta de que quanto mais acessível o medicamento, maior a demanda — e maior o lucro total.
Então a Eli Lilly é agora o que a Nvidia foi para IA?
Talvez. James Shin, do Deutsche Bank, sugeriu exatamente isso — que a Lilly está retornando ao círculo das Sete Magníficas, possivelmente como alternativa para investidores preocupados com ações de IA. É uma mudança notável para uma companhia que havia caído em desgraça.