Eloralintida da Lilly combinada com tirzepatida resultou em perda de 23,3% do peso corporal em 48 semanas, versus 14,8% apenas com tirzepatida. Amilina atua em via biológica diferente do GLP-1, oferecendo alternativa para milhões de pacientes que não responderam bem aos medicamentos existentes.
Eli Lilly e Novo Nordisk apostam na amilina para próxima geração de medicamentos contra obesidade
Há milhões que tentaram GLP-1 e não tiveram sucesso
Por que a amilina é tão diferente do GLP-1 se ambas fazem basicamente a mesma coisa — reduzem o apetite?
Porque usam caminhos completamente diferentes no corpo. O GLP-1 atua em um receptor específico, a amilina em outro. Quando você combina os dois, está ativando múltiplas vias biológicas ao mesmo tempo, e parece que isso amplifica o efeito.
Mas espera — esses números de 23,3% versus 14,8% vêm de um estudo de Fase 2 pequeno. Quantos pacientes estamos falando?
A fonte não especifica o tamanho exato da amostra, apenas que é "relativamente pequeno". É por isso que a Lilly precisa fazer os testes de Fase 3.
E quanto aos efeitos colaterais? Parece que muita gente desistiu.
Sim, entre 10,8% e 27% dos pacientes na combinação abandonaram o tratamento, dependendo da dose. Comparado com 2,9% apenas com tirzepatida, é um aumento significativo.
Então a pergunta real é: vale a pena uma perda de peso maior se um quarto dos pacientes não consegue tolerar o medicamento?
Exatamente. É por isso que a tolerabilidade na Fase 3 será tão importante quanto a eficácia. Se conseguirem reduzir esses efeitos colaterais, o medicamento muda de jogo.
E a Novo Nordisk está fazendo algo parecido?
Sim, com a cagrilintida e o CagriSema. Mas eles também têm um medicamento chamado amicretina que combina GLP-1 e amilina em uma única molécula.
Isso é mais elegante tecnicamente, mas ainda está em Fase 2. Ninguém sabe se vai funcionar melhor que combinar dois medicamentos separados.
Quando é que esses medicamentos chegam ao mercado?
O CagriSema sai no início do próximo ano. O eloralintida isolado da Lilly em 2029, a combinação em 2030. Mas tudo depende dos testes de Fase 3 confirmarem os resultados.
Il Polso
- Eloralintida + tirzepatida: 23,3% de perda de peso em 48 semanas vs. 14,8% apenas com tirzepatida
- Entre 10,8% e 27% dos pacientes na combinação abandonaram por efeitos colaterais
- Projeção de US$ 23,2 bilhões em vendas anuais para produtos com eloralintida até 2035
- CagriSema da Novo Nordisk lançado no início de 2027; eloralintida isolada em 2029
Eloralintida da Lilly combinada com tirzepatida resultou em perda de 23,3% do peso corporal em 48 semanas, versus 14,8% apenas com tirzepatida. Amilina atua em via biológica diferente do GLP-1, oferecendo alternativa para milhões de pacientes que não responderam bem aos medicamentos existentes.
Eli Lilly e Novo Nordisk desenvolvem novos medicamentos contra obesidade baseados em amilina, um hormônio que regula fome e saciedade. Estudos mostram resultados promissores quando combinados com drogas existentes como tirzepatida e semaglutida.
Duas das maiores farmacêuticas do mundo estão apostando em um hormônio pouco conhecido para criar a próxima geração de medicamentos contra obesidade. A amilina, liberada naturalmente pelo pâncreas junto com a insulina, funciona de forma completamente diferente dos fármacos que dominam o mercado hoje — e os primeiros resultados sugerem que essa diferença pode importar muito para os milhões de pessoas que não responderam bem aos tratamentos existentes.
A Eli Lilly testou seu candidato experimental, o eloralintida, combinado com a tirzepatida, o princípio ativo de seus medicamentos de grande sucesso Zepbound e Mounjaro. Após 48 semanas, pacientes obesos com diabetes tipo 2 que receberam a dose mais alta da combinação perderam em média 23,3% do seu peso corporal. Aqueles que tomaram apenas a tirzepatida em dose elevada perderam 14,8%. A diferença é substancial — quase dez pontos percentuais a mais — e sugere que adicionar um segundo mecanismo de ação pode amplificar significativamente os resultados.
Mas esses números vêm de um estudo de Fase 2 relativamente pequeno, e a Lilly terá de confirmar os achados em ensaios de Fase 3 previstos para começar ainda este ano. Há também uma questão de tolerabilidade que não pode ser ignorada. Entre 10,8% e 27% dos pacientes que usavam ambos os medicamentos interromperam o tratamento por causa de efeitos colaterais, dependendo da dose testada. Apenas 2,9% dos que tomavam apenas tirzepatida abandonaram o tratamento. Uma terapia só funciona se os pacientes conseguem mantê-la, e esses números sugerem que a Lilly ainda tem trabalho a fazer.
O analista David Risinger, da Leerink Partners, projeta vendas anuais de US$ 23,2 bilhões para os produtos baseados em eloralintida até o final de 2035, com o medicamento isolado chegando ao mercado em 2029 e a versão combinada em 2030. Risinger vê um potencial particular no uso isolado do eloralintida, porque há milhões de pessoas — potencialmente mais de dez milhões — que tentaram medicamentos da classe GLP-1 e não obtiveram sucesso por questões de eficácia, tolerabilidade ou fatores genéticos que impedem a resposta ao tratamento. Para esses pacientes, um mecanismo completamente diferente poderia ser uma alternativa importante.
A Novo Nordisk está seguindo uma estratégia semelhante há anos. Seu medicamento experimental à base de amilina, a cagrilintida, demonstrou perda de peso significativa quando usado isoladamente. Combinado com a semaglutida em um tratamento chamado CagriSema, os resultados foram ainda maiores. O lançamento do CagriSema está previsto para o início do próximo ano, seguido pela cagrilintida isolada e uma versão de dose mais alta do CagriSema em 2028. A Novo também está desenvolvendo a amicretina, uma molécula única que atua tanto no GLP-1 quanto na amilina, testada em duas formas — injeção semanal e comprimido diário — e que apresentou resultados promissores em testes de Fase 2 no início deste ano.
A amilina funciona de forma semelhante ao GLP-1 em alguns aspectos: ajuda a sinalizar saciedade, suprime o apetite e retarda o esvaziamento gástrico. Mas alcança esses efeitos através de uma via biológica completamente diferente. A ideia é que atuar em múltiplas vias poderia gerar maior perda de peso ou outros benefícios metabólicos do que qualquer via isolada conseguiria sozinha, sem depender inteiramente de doses cada vez mais altas de um único medicamento.
Os dados do CagriSema sugerem que essa abordagem pode ter efeitos além da simples redução de peso. O tratamento reduziu o que os pesquisadores chamam de "ruído alimentar" — pensamentos persistentes sobre comida — e demonstrou melhorias na saúde de órgãos e ossos em um estudo de um ano usando ressonância magnética funcional. A Novo informou que o CagriSema alterou a forma como o cérebro reage a alimentos tentadores e calóricos em áreas associadas ao desejo intenso, ao prazer e ao autocontrole. Essa mudança na atividade cerebral estava associada a uma melhor qualidade de vida nos pacientes estudados.
O desenvolvimento de tratamentos que atuam em várias vias hormonais representa uma mudança mais ampla na corrida pelos medicamentos contra obesidade. A tirzepatida já combina GLP-1 com GIP. A retatrutida, outro candidato experimental da Lilly, acrescenta glucagon a essa combinação e apresentou alguns dos resultados mais expressivos de perda de peso já relatados em estudos clínicos, com reduções substanciais também em gordura hepática, triglicerídeos e níveis de insulina em jejum. A amilina é apenas o próximo passo em uma estratégia de combinar múltiplos mecanismos para alcançar resultados melhores.
Citazioni salienti
São resultados animadores. Adultos com diabetes tipo 2 geralmente perdem menos peso com essas terapias do que pessoas sem a doença.— Benjamin Bikman, professor da Universidade Brigham Young
Os pacientes podem não obter os resultados necessários com um medicamento como a tirzepatida. Eles também podem não obter o que precisam com um medicamento como a eloralintida isoladamente.— Ken Custer, presidente da divisão de Saúde Cardiometabólica da Lilly