Eletrobras elege novo conselho com Ivan Monteiro e bancos, varejo e saneamento divulgam balanços do 2T22

Receita maior nem sempre significa lucro maior
A Simpar elevou a receita em 73,5%, mas o lucro dos controladores caiu 61,84% no segundo trimestre.
Mark

Por que a assembleia da Eletrobras importa tanto hoje?

Mimi

Porque define o conselho da empresa já privatizada. Ivan Monteiro deve presidir o colegiado e Wilson Ferreira Jr. deve voltar à direção executiva.

Luke

Vale separar: isso é expectativa, não fato consumado. A votação ocorre às 13h30.

Mark

E o Bradesco, foi bom?

Mimi

Lucro recorrente de R$ 7,041 bilhões, acima dos R$ 6,755 bilhões previstos pelos analistas consultados pelo Valor.

Luke

Ressalto que essa projeção é a desse grupo de analistas, não um consenso universal.

Mark

Que contraste os balanços mostram?

Mimi

Tupy com alta de 477,3% e Renner com 86,6%, de um lado; Tenda no prejuízo e Alpargatas com queda de 40%, de outro.

Luke

A Tupy se diz recordista, é afirmação da própria empresa. E a Simpar mostra que receita maior não garante lucro maior.

Mark

Sobre Congonhas, o que se sabe?

Mimi

A Abag fez nova representação no TCU; o leilão está marcado para 18 de agosto.

Luke

Não há decisão do TCU ainda. O desfecho é desconhecido.

  • O Bradesco entregou lucro recorrente de R$ 7,041 bilhões, acima dos R$ 6,755 bilhões que os analistas esperavam, e a notícia já mexe no humor dos investidores.
  • Lojas Renner e Tupy dispararam em lucro, com a Tupy anunciando recorde e a Renner com vendas em mesmas lojas avançando 37,8%.
  • Tenda, Porto e Alpargatas expuseram fragilidades, com prejuízo na incorporadora, queda de 76,4% no lucro recorrente da seguradora e recuo de 40% na fabricante das Havaianas.
  • A Eletrobras reúne acionistas às 13h30 para eleger um novo conselho, com Ivan Monteiro cotado para a presidência, em uma transição que segue sob os olhos do mercado.
  • No setor regulado, a Abag voltou ao TCU para tentar barrar o leilão de Congonhas, marcado para 18 de agosto, e a Anatel cobra compromissos das operadoras com o 5G.

Num dia em que a bolsa brasileira reúne um novo capítulo de sua história corporativa, o Bradesco aparece à frente de uma sequência de balanços do segundo trimestre de 2022 ao superar as projeções dos analistas, enquanto a Eletrobras, já afastada do controle estatal, define quem vai conduzir seu conselho. Entre ganhos expressivos no varejo e na indústria e perdas em companhias de outros setores, o mercado mostra que a recuperação pós-pandemia não chega igual para todos. O que se desenha é um retrato de cautela e de apetite por crescimento, à espera de decisões que moldarão os próximos meses.

Às 13h30 desta sexta-feira, 5 de agosto de 2022, a Eletrobras reúne seus acionistas para eleger o conselho que vai orientar a companhia em sua nova fase, já sem o peso do controle estatal. A expectativa é que Ivan Monteiro, ex-presidente da Petrobras e hoje copresidente do Credit Suisse no Brasil, assuma a presidência do colegiado, e Wilson Ferreira Jr. deve retomar a direção executiva. Na véspera, as ações da maior geradora e transmissora do país já haviam fechado em patamares recordes.

No mesmo dia, uma série de balanços do segundo trimestre chega ao mercado. O Bradesco abre a lista com lucro recorrente de R$ 7,041 bilhões, acima dos R$ 6,755 bilhões projetados pelos analistas, com ROE de 18,1%. No varejo e na indústria, os saltos são os mais visíveis: a Lojas Renner lucrou R$ 360,4 milhões, quase o dobro de um ano antes, e a Tupy registrou lucro de R$ 181,7 milhões, alta de 477,3% e recorde para a própria companhia.

Nem todos celebram. A Tenda reverteu um lucro em prejuízo de R$ 144,4 milhões, a Porto viu o lucro recorrente cair 76,4% e a Alpargatas, dona da Havaianas, recuou 40%. A Sanepar e a Simpar também sentiram a pressão, com quedas no lucro mesmo com receitas maiores.

Fora dos balanços, a Urca Real Estate prepara um IPO de cerca de R$ 480 milhões em um ano em que as aberturas de capital estão paralisadas. No setor regulado, a Abag voltou ao TCU para tentar barrar o leilão do aeroporto de Congonhas, marcado para 18 de agosto, e a Anatel notificou Claro, Vivo e TIM sobre compromissos de cobertura do 5G. O que se acompanha agora é o resultado da assembleia da Eletrobras e a decisão do tribunal sobre Congonhas.

Às 13h30 desta sexta-feira, 5 de agosto de 2022, a Eletrobras reúne seus acionistas em assembleia geral para eleger o conselho de administração que vai orientar a companhia daqui para a frente, já como ex-estatal. A expectativa é que Ivan Monteiro, ex-presidente da Petrobras e hoje copresidente do Credit Suisse no Brasil, seja escolhido ainda hoje para presidir o colegiado. Wilson Ferreira Jr. deve reassumir a direção executiva. Na véspera, as ações da maior empresa de geração e transmissão do país fecharam em patamares recordes.

No mesmo dia, uma sequência de balanços do segundo trimestre chega ao mercado. O do Bradesco abre a lista: lucro líquido recorrente de R$ 7,041 bilhões, 3,2% acima do trimestre anterior e 11,4% acima do segundo trimestre de 2021. O número superou os R$ 6,755 bilhões projetados pelos analistas consultados pelo Valor. O resultado contábil foi de R$ 7,075 bilhões, alta de 0,9% sobre o primeiro trimestre e de 18,4% em doze meses. O ROE ficou em 18,1% e o índice de Basileia, em 15,6%, ante 15,7% três meses antes.

O varejo e a indústria trouxeram os maiores saltos. A Lojas Renner lucrou R$ 360,4 milhões, 86,6% a mais que um ano antes e 56% acima do segundo trimestre de 2019, anterior à pandemia. A receita líquida consolidada subiu 45,6%, para R$ 3,63 bilhões, e as vendas em mesmas lojas avançaram 37,8%. A Tupy teve lucro de R$ 181,7 milhões, alta de 477,3% e recorde segundo a própria empresa; a receita cresceu 53,7%, para R$ 2,53 bilhões, com R$ 1,85 bilhão vindo do mercado externo, e 52% do faturamento teve origem na América do Norte. A Grendene, dona da Ipanema, viu as vendas internas acelerarem após um início de ano afetado pela ômicron: lucro contábil de R$ 65,7 milhões (+98%) e recorrente de R$ 66,2 milhões (+67,9%). Vai pagar R$ 25,6 milhões em proventos a partir de 31 de agosto. O Fleury lucrou R$ 70,5 milhões (+7,6%), com receita de R$ 1,1 bilhão, 19,3% maior, dos quais 10 pontos percentuais são crescimento orgânico. A Simpar teve lucro de R$ 102 milhões para os controladores, queda de 61,84%, mesmo com receita 73,5% maior, de R$ 5,46 bilhões, e Ebitda de R$ 1,7 bilhão.

Do lado das perdas, a Tenda registrou prejuízo de R$ 144,4 milhões para os controladores, revertendo lucro de R$ 33,8 milhões de um ano antes; no primeiro trimestre o prejuízo havia sido de R$ 67,3 milhões. O Ebitda ficou negativo em R$ 59,2 milhões. A AES Brasil perdeu R$ 10,2 milhões, após lucro de R$ 23,1 milhões, e aprovou dividendos de R$ 52,8 milhões (R$ 0,1074 por ação ordinária), pagos em 30 de setembro a quem estiver na base em 9 de agosto. A São Carlos teve prejuízo de R$ 27,5 milhões. A Sanepar lucrou R$ 233,7 milhões, 29,57% menos, com Ebitda de R$ 442,9 milhões (-23,9%). A Alpargatas, dona da Havaianas, teve lucro de R$ 64,2 milhões, queda de 40%. O lucro recorrente da Porto caiu 76,4%, para R$ 89,4 milhões.

Há também movimentos fora dos balanços. A Urca Real Estate Holdings protocolou na CVM o prospecto de um IPO, buscando cerca de R$ 480 milhões em oferta primária de BDRs, em um ano de aberturas de capital paralisadas. A Telefônica, dona da Vivo, informou que sua assembleia ratificou a compra de ativos móveis da Oi, e detalhará em breve o direito de recesso. O Hermes Pardini disse que a compra de dez clínicas da DaVita em São Paulo dispensa aval dos acionistas. A 3Tentos obteve da B3 autorização para manter só 20% do capital em livre circulação, pois avalia lançar recompra de ações.

No setor regulado, a Abag voltou ao TCU com nova representação para barrar o leilão do aeroporto de Congonhas, marcado para 18 de agosto; antes, a entidade tentou sem sucesso uma liminar. A Anatel notificou Claro, Vivo e TIM para que cumpram os compromissos de cobertura do 5G, os critérios de qualidade e a informação adequada aos clientes. O que se acompanha agora é o resultado da assembleia da Eletrobras e a decisão do TCU sobre Congonhas.

A expectativa é que Ivan Monteiro seja nomeado presidente do conselho da Eletrobras ainda hoje.
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