Em São Paulo, um eletricista da Zona Norte vê seu nome surgir no centro de uma investigação milionária sem, segundo sua defesa, jamais ter exercido qualquer poder real sobre os recursos envolvidos. Vanderlei Magalhães Natividade teria emprestado seus dados pessoais há doze anos a uma prima, tornando-se tesoureiro estatutário do Instituto Conhecer Brasil — entidade que movimentou cerca de R$ 83 milhões em um ano e mantém contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo. O caso levanta uma questão antiga e persistente sobre os limites entre confiança familiar, responsabilidade jurídica e
Eletricista diz ter 'emprestado dados' para ser tesoureiro de ONG de Karina da Gama
Emprestou dados há doze anos, mas nunca tocou em uma conta
Como um eletricista acaba sendo tesoureiro formal de uma organização que movimenta dezenas de milhões de reais?
Segundo a defesa dele, foi um favor à prima. Doze anos atrás, Karina da Gama pediu que ele emprestasse seus dados para ajudar na constituição do instituto. Ele concordou, foi registrado no estatuto, mas nunca tocou em nada depois disso.
Mas espera — se ele nunca movimentou as contas, quem assinou os documentos com a assinatura dele? A PF diz que sua assinatura aparece em movimentações de R$ 83 milhões.
Essa é a questão central. A defesa diz que ele nunca movimentou nada. Mas a PF identificou sua assinatura em documentos. Não sabemos ainda como isso se explica.
E Karina da Gama? Ela está respondendo por isso?
Ela apresentou uma reclamação constitucional ao STF. Sua defesa diz que ela vinha colaborando voluntariamente e entregou mais de vinte mil páginas de documentos à polícia.
Colaborando voluntariamente enquanto era investigada? Isso é possível, mas é também uma estratégia comum de defesa. O fato é que o instituto tem um contrato de R$ 108 milhões com a prefeitura e movimentou R$ 83 milhões em um ano.
Então o dinheiro saiu de onde e foi para onde?
Isso é o que a Polícia Federal está investigando. Os documentos que Gama entregou podem ajudar a esclarecer o fluxo.
Mas note: a defesa de Natividade diz que ele é um pequeno empresário, eletricista, sem envolvimento com política ou produção cultural. Se isso for verdade, por que sua assinatura aparece em documentos de uma organização que ele nunca administrou?
Alguém falsificou a assinatura dele?
Não sabemos. A investigação ainda está em andamento. O que temos são as afirmações da defesa de um lado e as evidências que a PF encontrou do outro.
Le Pouls
- A Polícia Federal identificou movimentações de R$ 83 milhões no Instituto Conhecer Brasil em apenas um ano, e a assinatura de um eletricista aparece vinculada a essas transferências.
- Vanderlei Natividade teve sua casa na Vila Brasilândia invadida por operação policial em setembro — a segunda vez que é alvo de investigação em menos de quatro meses.
- Sua defesa sustenta que ele nunca tocou em contas bancárias, nunca recebeu valores e nunca teve acesso real à administração financeira da entidade.
- A relação entre Natividade e Karina da Gama é de parentesco — ele é primo dela —, e a defesa argumenta que foi essa confiança familiar, e não cumplicidade, que levou ao empréstimo dos dados.
- A defesa de Karina da Gama recorreu ao STF com reclamação constitucional e afirma que ela entregou mais de vinte mil páginas de documentos à Polícia Federal, sinalizando colaboração ativa com a investigação.
Em São Paulo, um eletricista da Zona Norte vê seu nome surgir no centro de uma investigação milionária sem, segundo sua defesa, jamais ter exercido qualquer poder real sobre os recursos envolvidos. Vanderlei Magalhães Natividade teria emprestado seus dados pessoais há doze anos a uma prima, tornando-se tesoureiro estatutário do Instituto Conhecer Brasil — entidade que movimentou cerca de R$ 83 milhões em um ano e mantém contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo. O caso levanta uma questão antiga e persistente sobre os limites entre confiança familiar, responsabilidade jurídica e o peso que um nome pode carregar quando assinado em documentos que outros controlam.
Um eletricista da Zona Norte de São Paulo figura nos registros formais do Instituto Conhecer Brasil como tesoureiro — cargo que, em tese, o tornaria responsável pela administração de milhões de reais. Mas seus advogados afirmam que Vanderlei Magalhães Natividade nunca movimentou uma única conta da entidade. Há doze anos, ele teria apenas emprestado seu nome e dados pessoais como favor à prima, Karina da Gama, para ajudar na constituição da organização.
O Instituto Conhecer Brasil, fundado por Karina da Gama — produtora do documentário sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro —, mantém contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo. A Polícia Federal, com investigação autorizada pelo ministro Flávio Dino do STF, identificou movimentações de aproximadamente R$ 83 milhões da entidade em um único ano. A assinatura de Natividade aparece em documentos ligados a essas transferências, e sua casa na Vila Brasilândia foi alvo de operação policial em 10 de setembro — a segunda em menos de quatro meses.
Em nota divulgada na segunda-feira, 14 de setembro, os advogados Miguel Kupermann e Matheus Yasbeck Montenegro descrevem Natividade como um pequeno empresário sem qualquer vínculo com política, produção cultural ou cinema. Segundo a defesa, ele foi registrado como tesoureiro estatutário, mas nunca exerceu a função de fato, nunca recebeu valores e nunca teve acesso real às finanças da entidade. A proximidade com Gama é familiar — por um período, Natividade chegou a morar em imóvel vizinho ao da família dela, também na Brasilândia.
Do outro lado, a defesa de Karina da Gama apresentou reclamação constitucional ao STF após a operação federal, não para contestar o mérito da investigação, mas para assegurar o cumprimento de decisões da Presidência do tribunal e a competência do juiz natural. A defesa afirma que Gama colaborava espontaneamente e entregou mais de vinte mil páginas de documentos à Polícia Federal na véspera da operação. O Instituto Conhecer Brasil não respondeu à G1 sobre por que Natividade ainda consta como tesoureiro em seus registros.
Um eletricista da Zona Norte de São Paulo aparece nos registros formais de uma organização não governamental como tesoureiro — responsável, em tese, pela administração de milhões de reais. Mas segundo seus advogados, Vanderlei Magalhães Natividade nunca tocou em uma única conta bancária da entidade. Ele apenas emprestou seu nome e seus dados pessoais, há doze anos, como um favor à prima.
O Instituto Conhecer Brasil, fundado por Karina da Gama — produtora do documentário "Dark Horse" sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro — mantém um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo. A Polícia Federal, em investigação autorizada pelo ministro Flávio Dino do Supremo Tribunal Federal, identificou movimentações de aproximadamente R$ 83 milhões da entidade em apenas um ano. A assinatura de Natividade aparece em documentos relacionados a essas transferências. Sua casa, localizada na Vila Brasilândia, foi alvo de uma operação policial na quinta-feira, 10 de setembro.
Os advogados Miguel Kupermann e Matheus Yasbeck Montenegro apresentaram uma nota em defesa do eletricista nesta segunda-feira, 14 de setembro, afirmando que ele "nunca exerceu qualquer atividade de fato no instituto". Segundo a defesa, Natividade forneceu seus dados "para auxiliar na constituição" da organização, sendo registrado formalmente como tesoureiro estatutário, mas nunca movimentou contas, nunca recebeu valores e nunca teve acesso real à administração financeira. Os advogados descrevem Natividade como um pequeno empresário que trabalha como eletricista nas regiões Norte e Oeste de São Paulo, sem envolvimento com política, produção cultural ou cinematográfica.
A proximidade entre Natividade e Karina da Gama é familiar — ele é primo dela. Por um período, Natividade chegou a morar em um imóvel vizinho ao da família de Gama, também na Brasilândia. Segundo a defesa, essa relação de confiança e parentesco explica por que seu nome foi utilizado na constituição do instituto, mas não indica qualquer participação ativa na administração ou movimentação de recursos. A defesa enfatiza que essa proximidade não se confunde com envolvimento executivo.
Natividade já havia sido alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo em 1º de junho. A segunda operação, desta vez da Polícia Federal, ocorreu em 10 de setembro. A G1 procurou o Instituto Conhecer Brasil para questionar por que Natividade ainda aparece como tesoureiro nos registros da entidade, mas não obteve resposta até o momento.
A defesa de Karina da Gama, por sua vez, apresentou uma reclamação constitucional ao Supremo Tribunal Federal após a operação da Polícia Federal. Segundo o advogado Ricardo Sayeg, a medida não questiona o mérito da investigação, mas busca garantir o cumprimento de decisões da Presidência do STF e a competência do juiz natural. A defesa afirma que Gama vinha colaborando espontaneamente com a investigação e entregou à Polícia Federal, na sexta-feira anterior, mais de vinte mil páginas de documentos. Em nota oficial, a defesa de Gama reafirma sua confiança nas instituições e insiste na garantia do devido processo legal.
Citations marquantes
Vanderlei nunca exerceu qualquer atividade de fato no instituto, nunca movimentou contas da entidade e nunca recebeu qualquer valor em detrimento da sua suposta posição executiva— Advogados de Vanderlei Magalhães Natividade
A proximidade familiar e a relação de confiança com Karina — que inclusive motivou, em determinado período, a residência de Vanderlei no imóvel vizinho à família dela — explicam por que seu nome foi utilizado na constituição do instituto— Defesa de Vanderlei Magalhães Natividade