Nas eleições brasileiras de 2026, a polarização política deixou de ser um desvio e passou a ser o próprio método — confirmando, de forma perturbadora, a tese do filósofo alemão Carl Schmitt de que a política se define pela identificação de amigos e inimigos. O ódio, antes imposto por regimes autoritários, é hoje escolhido voluntariamente pelos eleitores em democracias que se tornaram arenas de antagonismo absoluto. O primeiro turno revelou uma direita fortalecida e uma esquerda em crise de resultados e de liderança, deixando em aberto não apenas quem governará o Brasil, mas que tipo de democra
Eleitores escolheram o ódio, e a política se torna arena de gladiadores
A política transformou-se em arena de gladiadores
O colunista está dizendo que os eleitores escolheram o ódio como base da política? Isso é realmente o que as eleições mostram, ou é uma interpretação?
É uma interpretação baseada em padrões que o colunista observa. A polarização extrema, a incapacidade de diálogo, a forma como os adversários são vistos como ameaças existenciais—tudo isso aponta para uma dinâmica de ódio. Mas sim, é uma leitura filosófica dos resultados, não uma medição direta.
Espera. O colunista usa Schmitt para dizer que a política é fundamentalmente sobre amigos e inimigos, e depois conclui que isso é novo ou piorou. Mas Schmitt escreveu isso nos anos 1930. A questão real é: por que agora? Por que as redes sociais amplificam isso de forma diferente?
E quanto aos números? O colunista diz que Flávio superou as expectativas, mas não dá os números reais.
Verdade. Ele menciona que as pesquisas apontavam quase empate, e que Flávio foi além do previsto enquanto Lula chegou aos números esperados. Mas não há porcentagens concretas. É uma análise de tendência, não de dados brutos.
Exatamente. "Humilhação em larga escala da esquerda" é uma caracterização forte. Mas se foi quase empate, como é humilhação? O colunista está usando linguagem emotiva para descrever o que poderia ser descrito de forma mais neutra.
O que ele quer dizer com "Lula não tem herdeiros"?
Que Lula concentrou poder no PT de forma tão centralizada que não desenvolveu lideranças que pudessem sucedê-lo. Transformou o partido em algo irrelevante fora de sua figura pessoal.
Mas isso é uma afirmação sobre a estrutura do PT que merecia mais evidência. Quantos líderes saíram? Quais foram as consequências específicas? O colunista está fazendo uma análise política, mas sem dados que sustentem a afirmação.
Der Puls
- O ódio político deixou de ser sintoma e tornou-se combustível: eleitores escolhem ativamente o adversário como ameaça existencial, esvaziando a ideia de diálogo e consenso.
- As redes sociais funcionam como amplificadores sistemáticos dessa dinâmica, transformando cada eleição em uma guerra de slogans e reduzindo o espaço para pensamento crítico.
- O primeiro turno de 2026 surpreendeu: Flávio Bolsonaro superou as expectativas enquanto Lula chegou apenas ao previsto, lançando a esquerda em pânico e abrindo uma crise de sucessão no PT.
- A direita não venceu apenas na disputa presidencial — devastou a esquerda nas eleições para governadores e senadores, consolidando uma bancada que pode pressionar o STF nos próximos quatro anos.
- A pergunta que paralisa a esquerda é estrutural: sem sucessores construídos e com um partido esvaziado pelo estilo centralizador de Lula, de onde virão os votos para reverter o segundo turno?
Nas eleições brasileiras de 2026, a polarização política deixou de ser um desvio e passou a ser o próprio método — confirmando, de forma perturbadora, a tese do filósofo alemão Carl Schmitt de que a política se define pela identificação de amigos e inimigos. O ódio, antes imposto por regimes autoritários, é hoje escolhido voluntariamente pelos eleitores em democracias que se tornaram arenas de antagonismo absoluto. O primeiro turno revelou uma direita fortalecida e uma esquerda em crise de resultados e de liderança, deixando em aberto não apenas quem governará o Brasil, mas que tipo de democracia restará após esse embate.
As democracias ocidentais parecem estar dando razão a Carl Schmitt, pensador antiliberal do século passado que definiu a política não como negociação, mas como a identificação perpétua de amigos e inimigos. Segundo essa lógica sombria, a política atinge seu verdadeiro núcleo quando os cidadãos chegam a odiar o adversário como uma ameaça existencial — e as eleições brasileiras de 2026 parecem confirmar essa tese de forma cada vez mais nítida.
O que torna esse fenômeno ainda mais inquietante é que o ódio não é imposto de cima para baixo, como nas ditaduras do século 20. Ele é abraçado voluntariamente. A escolha democrática transformou-se em escolha pelo antagonismo absoluto: nós contra eles, sem negociação. As redes sociais amplificaram essa dinâmica de forma exponencial, tornando-se a mídia do ódio em política e alimentando sistematicamente um vocabulário que empobrece o debate público. Escapar dessa armadilha exigiria ampliar repertórios em filosofia, história e ciência política — algo que os algoritmos não incentivam.
No Brasil, a política virou arena de gladiadores. A politização do STF é um sintoma claro: o ódio marca até as relações institucionais. Para a tradição liberal, isso representa um fracasso profundo — a incapacidade de construir um contrato social que reduza o convívio violento.
O primeiro turno de 2026 trouxe uma humilhação em larga escala para a esquerda. Flávio Bolsonaro superou as expectativas enquanto Lula chegava apenas aos números previstos. Apesar do pacote de políticas sociais do governo — que comprometeu o equilíbrio fiscal — e apesar dos escândalos e fake news que cercaram o candidato da direita, a esquerda saiu derrotada simbolicamente. Os candidatos menores que ultrapassaram 2% dos votos pertenciam ao espectro conservador, e a pergunta que paralisa o campo progressista é simples e brutal: de onde virão os votos adicionais para o segundo turno?
A crise da esquerda vai além do resultado imediato. Lula não construiu sucessores — seu estilo populista e centralizador transformou o PT em um espaço de irrelevantes. Nas disputas para governadores e senadores, a direita devastou o campo oposto. O crescimento da bancada conservadora no Senado representa um projeto de longo prazo: pressionar um STF já fragilizado pela politização. Mesmo que Lula vença no segundo turno por margem mínima, a derrota estrutural da esquerda neste ciclo eleitoral já está consumada.
As democracias ocidentais parecem estar dando razão a um filósofo alemão do século passado cujas ideias ninguém gostaria de ver confirmadas. Carl Schmitt, pensador antiliberal e figura maldita da história intelectual europeia, definiu a política não como negociação ou busca de consenso, mas como a identificação perpétua de amigos e inimigos no espaço social. Segundo essa lógica, a política atinge seu verdadeiro centro apenas quando os cidadãos chegam ao ponto de odiar o adversário como uma ameaça existencial. As eleições brasileiras de 2026 parecem estar validando essa tese sombria de forma cada vez mais clara.
A questão que emerge é incômoda: a política realmente é feita de ódio? E se for, em alguma medida, isso representa a verdadeira ruína da democracia liberal tal como a conhecemos? Diferentemente das ditaduras que marcaram a Europa do século 20, esse ódio agora circula livremente, escolhido pelos próprios eleitores. Não é imposto de cima para baixo, mas abraçado voluntariamente. A escolha democrática transformou-se em escolha pelo antagonismo absoluto, em um "nós contra eles, até a morte, sem negociação".
Smitt é uma figura incômoda para citar. Filiado ao partido nazista, antissemita, sua maldição permanece com razão. Mas sua análise da política como território de identificação amigo-inimigo oferece uma chave para entender o que está acontecendo agora. As redes sociais amplificaram essa dinâmica de forma exponencial. Elas se tornaram as gêmeas siamesas das eleições modernas, e são, fundamentalmente, a mídia do ódio em política. Toda ideologia é burra, como observam os críticos, e o vocabulário viciado das redes sociais alimenta essa burrice de forma sistemática. Escapar dessa polarização exigiria ampliar o repertório em filosofia, história e ciência política, abandonando os slogans que circulam nas plataformas digitais.
No Brasil, e não apenas nele, a política transformou-se em uma arena de gladiadores. A ideia de diálogo, de busca de consenso, de constitucionalidade perde força diante do ódio como afeto essencial. Um sintoma claro disso é a politização do Supremo Tribunal Federal, onde o ódio também marca as relações institucionais. Para a teoria liberal, isso representa o fracasso absoluto: a incapacidade de construir um contrato social que reduza o convívio violento. O ódio na política contemporânea é a guerra, apenas por outros meios.
O primeiro turno das eleições de 2026 apontou para uma humilhação em larga escala da esquerda. Embora as pesquisas indicassem um quase empate entre Lula e Flávio Bolsonaro, o resultado mostrou Flávio superando as expectativas enquanto Lula chegava aos números previstos. Simbolicamente, Flávio saiu vitorioso desse primeiro turno, apesar de todo o pacote de políticas sociais de Lula, que destruiu o equilíbrio fiscal do governo, e apesar dos escândalos do candidato de direita e das fake news que circularam. A esquerda entrou em pânico.
Os candidatos menores que ultrapassaram a marca de 2% dos votos pertenciam ao espectro da direita, mesmo tendo atacado Flávio em suas campanhas. A pergunta que paira é: de onde Lula conseguirá votos adicionais para o segundo turno? Muito pode mudar entre os dois turnos, mas a agonia da esquerda vai além disso. Lula não construiu sucessores, em grande medida por seu estilo populista, egocêntrico e centralizador. Transformou o PT em um quintal de irrelevantes.
Quando se observa o resultado das outras eleições—para governadores e senadores—a direita devastou a esquerda de forma considerável. O crescimento da bancada de direita no Senado representa um passo importante no projeto da direita para os próximos quatro anos. Essa bancada pode tentar controlar um STF já humilhado pela politização. Mesmo que Lula vença no segundo turno por uma margem mínima, a esquerda foi derrotada neste primeiro turno. O que vem a seguir dependerá de como a direita usará sua força legislativa renovada.
Bemerkenswerte Zitate
Só quando atingimos o nível de odiar o outro a ponto de considerá-lo uma ameaça existencial é que chegamos ao coração do que significa a política— Análise baseada em Carl Schmitt
O ódio na política de hoje é a guerra, por outros meios— Colunista