Em democracias que dependem da consciência coletiva, a distração voluntária torna-se um ato político por si só. O colunista Moisés Mendes, escrevendo no Diário do Centro do Mundo, volta seu olhar satírico para um comportamento que identifica entre apoiadores do psiquiatra e figura pública Augusto Cury: a arte de olhar para a realidade e, deliberadamente, não a reconhecer. Mais do que criticar a ignorância, o texto acusa o fingimento — e essa distinção, sutil mas profunda, coloca em xeque a qualidade do engajamento democrático no Brasil contemporâneo.