Eleições 2026: 28 candidatos usam nomes de Lula e Bolsonaro sem parentesco

Um candidato bolsonarista se apresenta como 'o Lula do Bem'
Estratégia paradoxal de um candidato que adota o nome do presidente petista apesar de apoiar Bolsonaro.
Mark

Por que candidatos sem qualquer vínculo familiar adotariam nomes de Lula e Bolsonaro?

Mimi

É uma estratégia de associação política. Quando um nome está fortemente ligado a um projeto ou ideologia, candidatos menos conhecidos tentam se beneficiar dessa marca já estabelecida. É como emprestar credibilidade ou identidade.

Mark

Mas por que Bolsonaro cresceu tanto enquanto Lula caiu?

Mimi

Provavelmente porque Bolsonaro representa uma ruptura, um movimento que ainda está em construção fora do poder institucional. Seus apoiadores precisam se reorganizar. Lula, como presidente em exercício, talvez não precise dessa estratégia — seu nome já está no poder.

Mark

Esse candidato que é bolsonarista mas usa o nome Lula — como isso funciona eleitoralmente?

Mimi

É uma aposta em contradição. Ele está tentando capturar votos de quem gosta da imagem de Lula mas pode estar insatisfeito com o governo. É uma estratégia de nicho, provavelmente arriscada.

Mark

A maioria está no PL. Isso significa que Bolsonaro endossa isso?

Mimi

Não necessariamente endosso formal, mas o partido oferece estrutura. Candidatos bolsonaristas veem valor em usar o nome porque representa força política, mesmo que Bolsonaro não esteja pessoalmente envolvido em cada candidatura.

Mark

Eles conseguem vencer com essa estratégia?

Mimi

Os dados aqui não mostram resultados eleitorais, apenas inscrições. Mas a persistência do fenômeno — especialmente o crescimento exponencial entre os Bolsonaros — sugere que funciona o suficiente para que candidatos continuem tentando.

  • Vinte candidatos exibem 'Bolsonaro' no nome de urna sem qualquer parentesco com o ex-presidente, um salto de apenas dois em 2018 — sinal de que a marca bolsonarista segue em expansão mesmo fora do clã familiar.
  • Os 'Lulas' encolheram: eram dez em 2018, caíram para sete em 2022 e permanecem em oito em 2026, sugerindo que o apelo do nome petista perdeu parte de sua força de atração eleitoral.
  • O PL concentra 12 das 20 candidaturas 'Bolsonaro', mostrando que o partido transformou o sobrenome do ex-presidente em ativo estratégico institucionalizado, não apenas em fenômeno espontâneo.
  • Um caso extremo expõe a lógica do fenômeno: um candidato bolsonarista declarado usa 'Lula' no nome de urna e se apresenta como 'o Lula do Bem', explorando semelhança física para subverter o símbolo adversário.
  • A maioria das candidaturas mira cargos legislativos estaduais e federais, indicando que a estratégia do nome-emprestado é vista como atalho para visibilidade em disputas de alta concorrência e baixo reconhecimento individual.

Nas democracias modernas, o nome de um líder pode tornar-se símbolo maior do que a própria pessoa — e nas eleições brasileiras de 2026, esse fenômeno se materializa com força: 28 candidatos sem qualquer laço familiar com Lula ou Bolsonaro adotaram seus nomes como estratégia eleitoral deliberada. O crescimento é assimétrico — os 'Bolsonaros' multiplicaram-se dez vezes desde 2018, enquanto os 'Lulas' recuaram levemente — revelando como a polarização nacional se converte em capital político transferível e negociável nas urnas.

Nas eleições de 2026, um fenômeno eleitoral singular ganhou escala: candidatos sem qualquer vínculo familiar com Lula ou Bolsonaro passaram a adotar seus nomes como estratégia política consciente. De 41 candidaturas registradas no TSE com esses nomes, 28 pertencem a pessoas que os escolheram por referência ideológica — não por herança.

O crescimento é profundamente desigual. Os candidatos que se apresentam como 'Bolsonaro' eram apenas dois em 2018, chegaram a 15 em 2022 e agora somam 20 — um aumento de dez vezes em menos de uma década. Do lado oposto, os 'Lulas' recuaram: dez em 2018, sete em 2022, oito em 2026. Entre os bolsonaristas de nome, 16 são homens e quatro são mulheres; o PL abriga 12 dessas candidaturas, consolidando o sobrenome como ativo partidário.

A disputa se concentra em cargos legislativos. Oito candidatos 'Bolsonaro' buscam vagas de deputado estadual, sete concorrem a deputado federal, três ao Senado. Entre os que adotaram 'Lula', seis são filiados ao PT e a maioria também mira assembleias e câmaras.

O caso mais revelador pertence a um dos oito 'Lulas': trata-se de um bolsonarista declarado que usa o nome do presidente petista na urna e se autointitula 'o Lula do Bem', explorando uma semelhança física para construir identidade política por contraste. O episódio condensa o que o fenômeno inteiro revela: em eleições polarizadas, o nome de um líder pode funcionar como moeda — capaz de ser emprestada, reapropriada e até invertida por quem souber usá-la.

Nas eleições de 2026, um fenômeno curioso ganhou força nas urnas: candidatos que não têm qualquer ligação familiar com Luiz Inácio Lula da Silva ou Jair Bolsonaro adotaram seus nomes como estratégia política. Segundo registros do Tribunal Superior Eleitoral, 41 candidaturas foram inscritas em 2026 com "Lula" ou "Bolsonaro" no nome de urna espalhadas por diferentes estados. Desse total, 28 não possuem esses nomes oficialmente nem mantêm parentesco com os dois líderes — usam-nos como referência política deliberada.

O crescimento é desigual entre os dois nomes. Os candidatos que se apresentam como "Bolsonaro" explodiram em número. Há oito anos, em 2018, eram apenas dois. Em 2022, saltaram para 15. Agora, em 2026, chegam a 20 — um aumento de dez vezes em menos de uma década. A tendência entre os "Lulas" segue caminho oposto. Em 2018 havia dez candidatos usando o nome do presidente petista sem parentesco. Esse número caiu para sete em 2022 e permaneceu em oito em 2026.

Entre os 20 candidatos que adotaram Bolsonaro, 16 são homens e quatro são mulheres. A maioria é filiada ao PL, partido do ex-presidente, que concentra 12 dessas candidaturas. Podemos tem duas. Agir, Progressistas, Democrata, Democracia Cristã e Novo têm um candidato cada. A estratégia se concentra principalmente em cargos legislativos: oito disputam vagas de deputado estadual em estados como Ceará, São Paulo, Sergipe, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Paraná. Sete concorrem a deputado federal em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Mato Grosso. Há ainda três candidatos ao Senado em Roraima, Rondônia e Tocantins, um a deputado distrital e um que disputa o governo do Rio Grande do Norte.

Entre os sete candidatos que adotaram Lula como homenagem ao presidente, cinco são homens e duas são mulheres. Seis são filiados ao PT e um ao Avante. Eles também buscam principalmente cargos legislativos: três disputam vagas de deputado estadual em Alagoas, Maranhão e Rio de Janeiro, enquanto dois concorrem a deputado federal em Minas Gerais. No Rio Grande do Norte, um candidato disputa o governo e outro o Senado com Lula no nome de urna.

Um caso particular merece destaque: um dos oito candidatos que usa o nome Lula foge completamente à lógica. Apesar de adotar o nome do presidente petista na urna, é bolsonarista declarado e se apresenta como "o Lula do Bem", explorando uma semelhança física com o presidente para construir sua identidade política. O fenômeno revela como nomes de líderes políticos consolidados funcionam como moeda de troca nas campanhas eleitorais, especialmente quando associados a figuras que polarizam o debate nacional.

Um dos candidatos que usa o nome Lula é bolsonarista e se apresenta como 'o Lula do Bem', explorando semelhança física com o presidente
— Tribunal Superior Eleitoral
Vuoi la storia completa? Leggi l'originale su G1 ↗
Contattaci Domande frequenti