Na terça-feira, 3 de novembro, cerca de 210 milhões de americanos vão às urnas em um teste de meio de mandato que pode devolver ao Congresso parte do freio sobre o presidente Donald Trump. Em jogo estão a Câmara, um terço do Senado e dezenas de governos estaduais, num momento em que a inflação, a guerra contra o Irã e a queda de popularidade pesam sobre o clima político. Como lembra o analista Paulo Abraão, o controle do Legislativo define quanto poder o Executivo terá para ser fiscalizado, e essa disputa interna também reverbera para o Brasil, cuja relação com Washington já estava marcada por
Eleição nos EUA nesta terça define o alcance do poder de Trump e repercute nas relações com o Brasil
Cartas hoje, investigações amanhã: o que a eleição pode mudar
Por que uma eleição de meio de mandato americana interessa tanto ao Brasil?
Porque o Congresso pode fiscalizar o presidente. Democratas já mandam cartas sobre supostas interferências de Trump no Brasil, e com maioria poderiam transformar isso em investigações.
Que temas estariam na mira?
A atuação da família Bolsonaro nos EUA, o papel da Casa Branca na saída de Flávio Bolsonaro do país, a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti e a denúncia contra a Meta.
Convém separar o que está comprovado do que é alegação. As interferências são "supostas", e a denúncia contra a Meta é isso, uma denúncia. A empresa falou em problemas técnicos.
E a vitória democrata, está garantida?
Não. As pesquisas indicam vitória, e a média do New York Times mostra 61% de desaprovação contra 36% de aprovação, mas pesquisa não é resultado.
Também há o custo de vida, com a guerra no Irã apontada como causa da inflação nos combustíveis.
Mudaria a política externa?
Menos do que se imagina, segundo o especialista ouvido. A Presidência tem ampla margem na diplomacia; o Congresso aumenta custos políticos, não comanda.
E o próprio Abraão avisa que investigações não são automáticas: dependem das prioridades da nova maioria e podem enfrentar disputas judiciais.
Aliás, a leitura sobre os efeitos no Brasil é de um único analista. É uma projeção, não um fato.
O Pulso
- A desaprovação de Trump chegou a 61%, contra 36% de aprovação, e alimenta a expectativa de uma virada democrata.
- Republicanos têm maioria apertada no Congresso, e qualquer perda pode travar a agenda presidencial.
- Democratas podem abrir investigações sobre a atuação da família Bolsonaro e sobre a conduta da Meta na eleição brasileira.
- A mudança não é automática: cartas e pedidos de explicação precisam virar investigações com poder real de produzir provas, o que depende das prioridades da nova maioria.
Na terça-feira, 3 de novembro, cerca de 210 milhões de americanos vão às urnas em um teste de meio de mandato que pode devolver ao Congresso parte do freio sobre o presidente Donald Trump. Em jogo estão a Câmara, um terço do Senado e dezenas de governos estaduais, num momento em que a inflação, a guerra contra o Irã e a queda de popularidade pesam sobre o clima político. Como lembra o analista Paulo Abraão, o controle do Legislativo define quanto poder o Executivo terá para ser fiscalizado, e essa disputa interna também reverbera para o Brasil, cuja relação com Washington já estava marcada por tensões e pelo caso Bolsonaro.
Na próxima terça-feira (3), cerca de 210 milhões de americanos vão às urnas para um teste de meio de mandato. Estão em disputa as 435 cadeiras da Câmara, 35 vagas do Senado e os governos de 36 estados. O resultado deve definir quanto poder Donald Trump terá nos próximos dois anos.
Hoje os republicanos têm maioria apertada nas duas casas, o que dá ao presidente liberdade para avançar com suas políticas. As pesquisas apontam vitória democrata, em parte por causa do custo de vida. A guerra contra o Irã é vista como uma das causas da inflação, já que os combustíveis subiram após as restrições à navegação no Estreito de Ormuz. A média de pesquisas do The New York Times mostra 61% de desaprovação e 36% de aprovação. Para reverter o quadro, Trump prometeu pagar US$ 5 mil a cada adulto se os republicanos vencerem.
Paulo Abraão, da Brazil Office Alliance, explica que o controle do Legislativo é o que pode frear o presidente. A Câmara é especialmente importante para a fiscalização, e o Senado confirma ou rejeita juízes e autoridades. Mesmo sem maioria no Parlamento, a Presidência mantém ampla margem na diplomacia, mas um Congresso independente pode elevar os custos políticos de suas decisões.
Para o Brasil, uma virada democrata pode ampliar a apuração sobre a família Bolsonaro e seus vínculos com o governo Trump, incluindo o possível financiamento de campanhas contra o STF. Também podem ser examinadas as denúncias contra a Meta, acusada de favorecer Flávio Bolsonaro e de reduzir o alcance de contas ligadas a Lula. Cartas já enviadas à Casa Branca mostram o interesse, mas, como lembra Abraão, transformá-las em investigações depende das prioridades da nova maioria e pode enfrentar resistência judicial.
Na próxima terça-feira (3), cerca de 210 milhões de eleitores americanos são chamados às urnas para um teste de meio de mandato. Estão em disputa as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 das 100 vagas do Senado e os governos de 36 dos 50 estados. O resultado deve definir quanto poder o presidente Donald Trump terá nos próximos dois anos.
Hoje, republicanos têm maioria apertada nas duas casas do Congresso, o que dá a Trump mais liberdade para implementar suas políticas. As pesquisas indicam uma vitória democrata, em parte pelo aumento do custo de vida. A guerra iniciada por Trump contra o Irã é apontada como uma das causas da inflação, porque os combustíveis ficaram mais caros depois das restrições à navegação no Estreito de Ormuz.
A popularidade do presidente reflete esse quadro. Segundo a média de pesquisas calculada pelo jornal The New York Times, a desaprovação cresceu nos últimos meses e chegou a 61%, contra 36% de aprovação. Nesse cenário, Trump prometeu pagar US$ 5 mil a cada adulto do país se os republicanos vencerem na Câmara e no Senado, e tem viajado pelo país em campanha para aliados.
Paulo Abraão, diretor-executivo da Brazil Office Alliance, organização que conecta pesquisadores brasileiros que atuam nos EUA, avalia que a eleição definirá o controle do Legislativo sobre o presidente. Se a oposição conquistar uma das casas, poderá ampliar investigações, exigir explicações do governo e dificultar a agenda legislativa; o controle da Câmara, diz ele, é particularmente relevante para a fiscalização. Já o Senado confirma ou rejeita autoridades e juízes indicados. Se os republicanos mantiverem as duas casas, Trump teria condições mais favoráveis, embora isso não elimine divergências dentro do próprio partido.
Há também a questão do processo eleitoral. Trump tem levantado dúvidas sobre a segurança do sistema americano. Em 2020, ao perder para Joe Biden, acusou fraude sem apresentar provas. Na semana passada, questionado por jornalistas, disse que respeitaria o resultado "se forem eleições honestas".
Na política externa, espera-se que uma vitória democrata provoque alguma mudança, sobretudo em relação à guerra no Irã. Abraão pondera, porém, que a Presidência tem ampla margem de ação mesmo sem maioria no Parlamento. Um Congresso mais independente, segundo ele, pode aumentar os custos políticos, fiscalizar decisões e disputar recursos, mas sem comandar a diplomacia.
Para o Brasil, o enfraquecimento de Trump teria efeitos numa relação já marcada pelo tarifaço e por atritos com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Abraão avalia que os democratas podem ampliar a apuração sobre a atuação da família Bolsonaro nos EUA e suas conexões com o governo Trump. Parlamentares democratas já cobram explicações sobre supostas interferências, como o financiamento americano a campanhas contra o Supremo Tribunal Federal. O ponto central, na leitura dele, seria esclarecer se instrumentos do Estado americano foram usados para favorecer um grupo político estrangeiro, e com que fundamento.
Uma investigação parlamentar também poderia examinar a denúncia de que a Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, favoreceu o candidato Flávio Bolsonaro na eleição brasileira. A empresa atribuiu a redução do alcance das contas ligadas a Lula a "problemas técnicos". Nas últimas semanas, democratas enviaram cartas à Casa Branca sobre a ação da Meta e sobre a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Na quinta-feira (30), cobraram explicações sobre o envolvimento da Casa Branca na saída do Brasil do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apesar de proibição da Justiça brasileira. Ele responde por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.
Abraão ressalta que a mudança não é automática: cartas podem virar investigações com mais poder de produzir provas, mas isso depende das prioridades da nova maioria e pode enfrentar resistência e disputas judiciais.
Citações Notáveis
Uma mudança no controle do Congresso pode transformar cobranças, hoje expressas em cartas, em investigações com maior capacidade de produzir provas; isso não é automático.— Paulo Abraão, diretor-executivo da Brazil Office Alliance