O ciclo eterno entre El Niño e La Niña volta a girar: o aquecimento anómalo do Pacífico que marcou 2023 e 2024 está a dissipar-se, e a Organização Meteorológica Mundial antecipa a chegada do seu oposto frio ainda antes do fim deste ano. Mas esta alternância natural já não ocorre num planeta neutro — as alterações climáticas de origem humana amplificam cada extremo, tornando a transição entre fenómenos não um intervalo de calma, mas uma nova fase de instabilidade.
El Niño termina e 'La Niña' pode chegar ainda este ano, prevê OMM
O clima vai continuar mais extremo por causa do calor extra
Então El Niño está a terminar. Isso significa que as coisas vão acalmar?
Não exatamente. A OMM prevê que La Niña chegue ainda este ano, provavelmente entre junho e novembro. É o oposto de El Niño — arrefecimento das águas do Pacífico em vez de aquecimento.
Mas qual é a certeza? 50% é uma probabilidade, não uma previsão confirmada.
Verdade. A probabilidade varia entre 50% e 70% conforme o período. Mas o ponto importante é que não há um período de normalidade entre os dois.
E o que muda com La Niña? Fica mais frio?
Não é assim tão simples. La Niña produz mudanças profundas na dinâmica atmosférica global. Alguns lugares ficam mais secos, outros mais húmidos. Há alterações nos padrões de chuva e temperatura.
Mas a OMM também diz que isto tudo acontece num contexto de alterações climáticas causadas pelo ser humano. Portanto, mesmo que La Niña chegue, o clima vai continuar mais extremo do que seria naturalmente.
Exatamente. Ko Barrett da OMM alertou que o clima vai continuar mais extremo por causa do calor e humidade extras na atmosfera. Estes ciclos naturais estão agora amplificados.
Então estamos presos entre dois fenómenos, e ambos estão piores do que deveriam ser?
É uma forma de ver. Os padrões cíclicos continuam, mas o contexto em que ocorrem mudou fundamentalmente.
Le Pouls
- El Niño, responsável por aquecer os oceanos e intensificar eventos climáticos extremos em todo o mundo, está a dar os seus últimos sinais de vida.
- La Niña aproxima-se com probabilidades crescentes: 50% entre junho e agosto, subindo para 70% no período de agosto a novembro.
- O arrefecimento anómalo das águas do Pacífico que La Niña traz consigo irá alterar profundamente a dinâmica atmosférica global, afetando chuvas e temperaturas em múltiplos continentes.
- A OMM alerta que esta transição não representa estabilidade — as alterações climáticas humanas continuam a amplificar os extremos, independentemente do fenómeno em curso.
- Regiões como o norte da América do Sul, o Sahel africano e o sudoeste asiático deverão registar precipitação acima do normal, reflexo dos primeiros impactos típicos de La Niña.
O ciclo eterno entre El Niño e La Niña volta a girar: o aquecimento anómalo do Pacífico que marcou 2023 e 2024 está a dissipar-se, e a Organização Meteorológica Mundial antecipa a chegada do seu oposto frio ainda antes do fim deste ano. Mas esta alternância natural já não ocorre num planeta neutro — as alterações climáticas de origem humana amplificam cada extremo, tornando a transição entre fenómenos não um intervalo de calma, mas uma nova fase de instabilidade.
O El Niño que dominou o clima global em 2023 e 2024 está a chegar ao fim. A Organização Meteorológica Mundial divulgou previsões atualizadas que confirmam o enfraquecimento deste fenómeno, que aqueceu as águas do Pacífico e agravou condições meteorológicas extremas em todo o planeta. No seu lugar, prepara-se para chegar La Niña — o fenómeno oposto, caracterizado pelo arrefecimento anómalo das águas superficiais do oceano Pacífico.
Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, La Niña provoca mudanças profundas na dinâmica atmosférica global, atingindo a sua intensidade máxima no final do ano e dissipando-se geralmente a meio do ano seguinte. As probabilidades estimadas pela OMM são progressivas: 50% de ocorrência entre junho e agosto, 60% de julho a setembro, e 70% entre agosto e novembro. Durante este período, a hipótese de um novo El Niño é praticamente inexistente.
O que torna esta transição particularmente significativa é o contexto em que ocorre. A OMM sublinha que estes ciclos naturais decorrem agora num planeta transformado pelas atividades humanas. Ko Barrett, subsecretária-geral da organização, advertiu que o clima continuará a ser mais extremo devido ao calor e à humidade adicionais presentes na atmosfera. As temperaturas deverão permanecer acima do normal em quase todas as regiões terrestres, e precipitação excessiva é esperada no norte da América do Sul, na América Central, no Sahel e no sudoeste asiático.
A mudança de El Niño para La Niña não é, portanto, um regresso à normalidade — é a continuação de um padrão de extremos climáticos, agora permanentemente amplificado pelas alterações de origem humana.
O fenómeno El Niño que marcou 2023 e 2024 está a desaparecer. A Organização Meteorológica Mundial divulgou hoje previsões atualizadas que apontam para o fim deste evento climático que aqueceu as águas do Pacífico e intensificou condições meteorológicas extremas em todo o mundo. Mas o que se aproxima não é simplesmente um retorno à normalidade — é a chegada provável de La Niña, o seu oposto climático, ainda antes do final deste ano.
La Niña caracteriza-se pelo arrefecimento anómalo das águas superficiais do oceano Pacífico, criando o que os meteorologistas descrevem como uma "piscina de águas frias". Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, este fenómeno produz mudanças profundas na dinâmica geral da atmosfera, alterando comportamentos climáticos de forma significativa. Atinge a sua intensidade máxima no final de cada ano e dissipa-se, na maioria dos casos, por volta de meados do ano seguinte.
As probabilidades são claras nos números. A OMM estima 50% de probabilidade de La Niña surgir entre junho e agosto. Essa percentagem sobe para 60% se considerarmos o período de julho a setembro, e atinge 70% entre agosto e novembro. Durante estes períodos, a possibilidade de um novo El Niño é praticamente nula. Os efeitos de cada evento de La Niña variam consoante a sua intensidade, duração, época do ano em que se desenvolve e a forma como interage com outras variáveis climáticas.
Mas há um contexto mais amplo que não pode ser ignorado. A OMM salienta que estes padrões cíclicos — El Niño e La Niña — ocorrem agora dentro de um cenário de alterações climáticas induzidas pelas atividades humanas. Estas mudanças estão a aumentar as temperaturas globais, a agravar eventos meteorológicos e climáticos extremos, e a afetar os padrões sazonais de chuva e temperatura. Ko Barrett, subsecretária-geral da OMM, alertou que o clima continuará a ser mais extremo por causa do calor e da humidade extras que agora existem na atmosfera.
As previsões da OMM sugerem que as temperaturas permanecerão acima do normal em quase todas as áreas terrestres. A precipitação acima do normal é esperada no extremo norte da América do Sul, na América Central, no nordeste africano, na região do Sahel e em áreas do sudoeste asiático — efeitos que resultam em parte dos impactos típicos da fase inicial de La Niña. O que isto significa é que a transição de um fenómeno para outro não representa um período de estabilidade, mas sim a continuação de um padrão de extremos climáticos, agora amplificado pelas mudanças climáticas de origem humana.
Citations marquantes
O nosso clima vai continuar a ser mais extremo por causa do calor e da humidade extras na nossa atmosfera— Ko Barrett, subsecretária-geral da OMM