Economia chilena desaba sob Kast com desemprego recorde e inflação elevada

Redução do poder de compra das famílias, aumento do desemprego afetando mais de 9,6% da população economicamente ativa, e cortes em programas sociais prejudicando população vulnerável.
A popularidade de Kast caiu rapidamente e não se recuperou
Economista explica o custo político da decisão de não intervir nos preços dos combustíveis.
Mark

Por que o governo Kast decidiu não intervir nos preços dos combustíveis? Parecia uma escolha política arriscada.

Mimi

Ele priorizava reduzir o déficit público. Intervir custaria muito aos cofres do Estado, então optou por deixar os preços subirem naturalmente no mercado. O problema é que isso afetou diretamente o bolso das pessoas.

Luke

Mas quanto custaria realmente intervir? O artigo diz que Saldías mencionou o "custo fiscal excessivo", mas não há números concretos sobre qual seria esse custo versus o custo político que efetivamente ocorreu.

Mimi

Ótima observação. Sabemos que a popularidade de Kast caiu rapidamente e não se recuperou, mas o artigo não quantifica quanto a intervenção teria custado em termos orçamentários.

Mark

E a reforma tributária que reduz impostos sobre empresas — ela está funcionando?

Mimi

É cedo para dizer. Foi sancionada no início de outubro, e a teoria é que incentivos tributários gerem empregos e crescimento. Mas os números de desemprego e investimento ainda estão ruins.

Luke

Exatamente. O artigo menciona a "esperança" de que os incentivos compensem a perda de arrecadação, mas não há evidência de que isso esteja acontecendo. É uma aposta, não um resultado.

Mark

E quanto ao plano de US$ 1,3 bilhão para empregos? Isso parece ser uma mudança de rumo.

Mimi

É. Kast começou com austeridade pura, mas diante do desemprego recorde, teve que anunciar esse plano de estímulo. Mostra que a estratégia inicial não funcionou.

Luke

Mas quando foi anunciado? O artigo não deixa claro se já começou a ser implementado ou se é apenas um anúncio.

Mimi

Boa pergunta. Parece ser recente, mas o artigo não especifica a data exata do anúncio ou o cronograma de implementação.

Mark

A mineração caiu 17,4% — isso é por causa da política de Kast ou de fatores externos?

Mimi

O artigo menciona "dificuldades operacionais e condições climáticas adversas", então não é só política. Mas a austeridade também reduz investimento público, o que pode afetar a infraestrutura de mineração.

Luke

Verdade. O artigo não separa claramente quanto da queda é culpa de Kast e quanto é de fatores fora do controle dele. Isso importa para avaliar se ele é realmente responsável pela crise.

  • Desemprego atingiu 9,6%, maior índice em mais de cinco anos
  • PIB contraiu 0,5% no primeiro trimestre e 0,2% no segundo de 2026
  • Gasolina subiu 30% e diesel mais de 40% após recusa de intervenção nos combustíveis
  • Produção de cobre caiu 17,4% em agosto de 2026 comparado a agosto de 2025
  • Desaprovação ao governo ultrapassou 60% segundo pesquisas locais

PIB chileno contraiu 0,5% e 0,2% nos dois primeiros trimestres de 2026, a maior retração desde a pandemia, enquanto desemprego atinge 9,6%. Aumento de 30% na gasolina e 40% no diesel após recusa do governo em intervir no mercado de combustíveis elevou inflação a 4,1% e reduziu poder de compra.

O Chile enfrenta forte desaceleração econômica sob o presidente José Antonio Kast, com desemprego recorde de 9,6%, inflação elevada e queda na mineração, resultando em desaprovação superior a 60%.

Sete meses após assumir a presidência com promessas de crescimento e geração de empregos, José Antonio Kast enfrenta uma economia chilena em colapso. O desemprego atingiu 9,6%, o maior índice em mais de cinco anos. A inflação segue elevada. A produção de cobre, a espinha dorsal das exportações do país, caiu 17,4% em agosto comparado ao mesmo mês do ano anterior — seu nível mais baixo em três décadas. A desaprovação ao governo ultrapassou 60%.

Os números econômicos revelam a dimensão da crise. O Produto Interno Bruto contraiu 0,5% no primeiro trimestre e 0,2% no segundo, comparados aos mesmos períodos de 2025. Trata-se da maior retração desde a pandemia de Covid-19. O Banco Central do Chile revisou suas projeções para o crescimento em 2026, reduzindo-as a uma faixa entre 0,25% e 0,75%. O Fundo Monetário Internacional também ajustou sua estimativa para 0,6%. Se essas previsões se confirmarem, o Chile estará entre as economias de pior desempenho da América Latina, superado apenas pela Bolívia.

Um dos principais catalisadores da crise foi a decisão do governo de não intervir nos preços dos combustíveis após o início da guerra no Irã. A gasolina subiu aproximadamente 30%, enquanto o diesel aumentou mais de 40% entre o período anterior ao conflito e meados de outubro. A medida, conhecida localmente como "bencinazo", provocou manifestações populares e elevou os custos tanto para famílias quanto para empresas. Em julho, a inflação anual chegou a 4,1%, pressionada principalmente pelos combustíveis. O encarecimento dos transportes e da produção afetou outros setores, reduzindo o poder de compra da população. Nicolás Saldías, economista da Economist Intelligence Unit, explicou que o governo optou por não compensar os aumentos porque considerava excessivo o custo fiscal da intervenção. A decisão buscava preservar a estratégia de redução do déficit público, mas teve consequências políticas severas. "O custo político para o governo foi muito elevado, já que a popularidade de Kast caiu rapidamente e não se recuperou", afirmou.

A política de austeridade fiscal adotada desde março também contribuiu para a desaceleração. O governo determinou um corte de 3% nos orçamentos dos ministérios, reduziu investimentos públicos e promoveu o encerramento ou diminuição de programas considerados ineficientes. Segundo Saldías, essas medidas contribuem para a desaceleração ao diminuir a demanda interna. Os efeitos já aparecem no consumo das famílias: as vendas dos supermercados caíram 1,2% em agosto na comparação anual. Os investimentos públicos e privados apresentaram crescimento nulo no segundo trimestre.

Em resposta à crise, Kast anunciou um plano de aproximadamente US$ 1,3 bilhão para estimular a criação de mais de 100 mil empregos entre 2026 e 2027, prevendo a aceleração de obras públicas e subsídios para empresas que realizarem contratações. Essa iniciativa representa uma mudança em relação à política inicial de contenção de gastos. Paralelamente, o governo conseguiu aprovar uma reforma tributária que reduz gradualmente o imposto sobre as empresas de 27% para 23%, além de oferecer garantias de estabilidade tributária para grandes investimentos. A proposta foi sancionada no início de outubro, com a esperança de que os incentivos compensem a perda de arrecadação através da geração de empregos e crescimento econômico.

No início de outubro, o ministro da Fazenda Jaime Quiroz tentou tranquilizar empresários cristãos durante um encontro em Santiago, utilizando referências bíblicas e dados econômicos para pedir que mantivessem a confiança na recuperação do país. "Não percam a calma nem se desesperem", afirmou em meio às preocupações com os resultados econômicos. A proposta orçamentária para 2027 prevê aumento real de apenas 1,5% nos gastos públicos, o que provocou críticas da oposição sobre a redução de recursos destinados a programas sociais e seus efeitos sobre a população mais vulnerável.

Economistas consultados pela BBC Mundo avaliam que a economia chilena poderá apresentar recuperação em 2027, caso os preços internacionais da energia diminuam, a mineração volte a crescer e as reformas produzam os resultados esperados. Até lá, o governo Kast enfrenta o desafio de conciliar sua política de austeridade com o aumento do desemprego, a perda de poder de compra e a insatisfação crescente da população.

Não percam a calma nem se desesperem
— Jaime Quiroz, ministro da Fazenda do Chile
O custo político para o governo foi muito elevado, já que a popularidade de Kast caiu rapidamente e não se recuperou
— Nicolás Saldías, economista da Economist Intelligence Unit
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