PIB chileno contraiu 0,5% e 0,2% nos dois primeiros trimestres de 2026, a maior retração desde a pandemia, enquanto desemprego atinge 9,6%. Aumento de 30% na gasolina e 40% no diesel após recusa do governo em intervir no mercado de combustíveis elevou inflação a 4,1% e reduziu poder de compra.
Economia chilena desaba sob Kast com desemprego recorde e inflação elevada
A popularidade de Kast caiu rapidamente e não se recuperou
Por que o governo Kast decidiu não intervir nos preços dos combustíveis? Parecia uma escolha política arriscada.
Ele priorizava reduzir o déficit público. Intervir custaria muito aos cofres do Estado, então optou por deixar os preços subirem naturalmente no mercado. O problema é que isso afetou diretamente o bolso das pessoas.
Mas quanto custaria realmente intervir? O artigo diz que Saldías mencionou o "custo fiscal excessivo", mas não há números concretos sobre qual seria esse custo versus o custo político que efetivamente ocorreu.
Ótima observação. Sabemos que a popularidade de Kast caiu rapidamente e não se recuperou, mas o artigo não quantifica quanto a intervenção teria custado em termos orçamentários.
E a reforma tributária que reduz impostos sobre empresas — ela está funcionando?
É cedo para dizer. Foi sancionada no início de outubro, e a teoria é que incentivos tributários gerem empregos e crescimento. Mas os números de desemprego e investimento ainda estão ruins.
Exatamente. O artigo menciona a "esperança" de que os incentivos compensem a perda de arrecadação, mas não há evidência de que isso esteja acontecendo. É uma aposta, não um resultado.
E quanto ao plano de US$ 1,3 bilhão para empregos? Isso parece ser uma mudança de rumo.
É. Kast começou com austeridade pura, mas diante do desemprego recorde, teve que anunciar esse plano de estímulo. Mostra que a estratégia inicial não funcionou.
Mas quando foi anunciado? O artigo não deixa claro se já começou a ser implementado ou se é apenas um anúncio.
Boa pergunta. Parece ser recente, mas o artigo não especifica a data exata do anúncio ou o cronograma de implementação.
A mineração caiu 17,4% — isso é por causa da política de Kast ou de fatores externos?
O artigo menciona "dificuldades operacionais e condições climáticas adversas", então não é só política. Mas a austeridade também reduz investimento público, o que pode afetar a infraestrutura de mineração.
Verdade. O artigo não separa claramente quanto da queda é culpa de Kast e quanto é de fatores fora do controle dele. Isso importa para avaliar se ele é realmente responsável pela crise.
Il Polso
- Desemprego atingiu 9,6%, maior índice em mais de cinco anos
- PIB contraiu 0,5% no primeiro trimestre e 0,2% no segundo de 2026
- Gasolina subiu 30% e diesel mais de 40% após recusa de intervenção nos combustíveis
- Produção de cobre caiu 17,4% em agosto de 2026 comparado a agosto de 2025
- Desaprovação ao governo ultrapassou 60% segundo pesquisas locais
PIB chileno contraiu 0,5% e 0,2% nos dois primeiros trimestres de 2026, a maior retração desde a pandemia, enquanto desemprego atinge 9,6%. Aumento de 30% na gasolina e 40% no diesel após recusa do governo em intervir no mercado de combustíveis elevou inflação a 4,1% e reduziu poder de compra.
O Chile enfrenta forte desaceleração econômica sob o presidente José Antonio Kast, com desemprego recorde de 9,6%, inflação elevada e queda na mineração, resultando em desaprovação superior a 60%.
Sete meses após assumir a presidência com promessas de crescimento e geração de empregos, José Antonio Kast enfrenta uma economia chilena em colapso. O desemprego atingiu 9,6%, o maior índice em mais de cinco anos. A inflação segue elevada. A produção de cobre, a espinha dorsal das exportações do país, caiu 17,4% em agosto comparado ao mesmo mês do ano anterior — seu nível mais baixo em três décadas. A desaprovação ao governo ultrapassou 60%.
Os números econômicos revelam a dimensão da crise. O Produto Interno Bruto contraiu 0,5% no primeiro trimestre e 0,2% no segundo, comparados aos mesmos períodos de 2025. Trata-se da maior retração desde a pandemia de Covid-19. O Banco Central do Chile revisou suas projeções para o crescimento em 2026, reduzindo-as a uma faixa entre 0,25% e 0,75%. O Fundo Monetário Internacional também ajustou sua estimativa para 0,6%. Se essas previsões se confirmarem, o Chile estará entre as economias de pior desempenho da América Latina, superado apenas pela Bolívia.
Um dos principais catalisadores da crise foi a decisão do governo de não intervir nos preços dos combustíveis após o início da guerra no Irã. A gasolina subiu aproximadamente 30%, enquanto o diesel aumentou mais de 40% entre o período anterior ao conflito e meados de outubro. A medida, conhecida localmente como "bencinazo", provocou manifestações populares e elevou os custos tanto para famílias quanto para empresas. Em julho, a inflação anual chegou a 4,1%, pressionada principalmente pelos combustíveis. O encarecimento dos transportes e da produção afetou outros setores, reduzindo o poder de compra da população. Nicolás Saldías, economista da Economist Intelligence Unit, explicou que o governo optou por não compensar os aumentos porque considerava excessivo o custo fiscal da intervenção. A decisão buscava preservar a estratégia de redução do déficit público, mas teve consequências políticas severas. "O custo político para o governo foi muito elevado, já que a popularidade de Kast caiu rapidamente e não se recuperou", afirmou.
A política de austeridade fiscal adotada desde março também contribuiu para a desaceleração. O governo determinou um corte de 3% nos orçamentos dos ministérios, reduziu investimentos públicos e promoveu o encerramento ou diminuição de programas considerados ineficientes. Segundo Saldías, essas medidas contribuem para a desaceleração ao diminuir a demanda interna. Os efeitos já aparecem no consumo das famílias: as vendas dos supermercados caíram 1,2% em agosto na comparação anual. Os investimentos públicos e privados apresentaram crescimento nulo no segundo trimestre.
Em resposta à crise, Kast anunciou um plano de aproximadamente US$ 1,3 bilhão para estimular a criação de mais de 100 mil empregos entre 2026 e 2027, prevendo a aceleração de obras públicas e subsídios para empresas que realizarem contratações. Essa iniciativa representa uma mudança em relação à política inicial de contenção de gastos. Paralelamente, o governo conseguiu aprovar uma reforma tributária que reduz gradualmente o imposto sobre as empresas de 27% para 23%, além de oferecer garantias de estabilidade tributária para grandes investimentos. A proposta foi sancionada no início de outubro, com a esperança de que os incentivos compensem a perda de arrecadação através da geração de empregos e crescimento econômico.
No início de outubro, o ministro da Fazenda Jaime Quiroz tentou tranquilizar empresários cristãos durante um encontro em Santiago, utilizando referências bíblicas e dados econômicos para pedir que mantivessem a confiança na recuperação do país. "Não percam a calma nem se desesperem", afirmou em meio às preocupações com os resultados econômicos. A proposta orçamentária para 2027 prevê aumento real de apenas 1,5% nos gastos públicos, o que provocou críticas da oposição sobre a redução de recursos destinados a programas sociais e seus efeitos sobre a população mais vulnerável.
Economistas consultados pela BBC Mundo avaliam que a economia chilena poderá apresentar recuperação em 2027, caso os preços internacionais da energia diminuam, a mineração volte a crescer e as reformas produzam os resultados esperados. Até lá, o governo Kast enfrenta o desafio de conciliar sua política de austeridade com o aumento do desemprego, a perda de poder de compra e a insatisfação crescente da população.
Citazioni salienti
Não percam a calma nem se desesperem— Jaime Quiroz, ministro da Fazenda do Chile
O custo político para o governo foi muito elevado, já que a popularidade de Kast caiu rapidamente e não se recuperou— Nicolás Saldías, economista da Economist Intelligence Unit