Eclipse lunar encobre 93% da Lua entre 27 e 28 de agosto; veja como assistir

A Lua vai estar quase toda encoberta, vermelha
O astrônomo Thiago Gonçalves descreve o que os brasileiros verão durante o eclipse de agosto.
Mark

Por que um eclipse lunar é tão raro de se ver bem do Brasil?

Mimi

Não é que seja raro em termos de frequência — eclipses lunares acontecem regularmente. O que é raro é um eclipse de magnitude tão alta, tão próximo, tão acessível. Você não precisa viajar, não precisa de telescópio, não precisa de nada além de sair de casa e olhar para cima.

Mark

E por que a Lua fica vermelha? Parece contraintuitivo — você esperaria que ficasse preta.

Mimi

Exatamente. A maioria das pessoas pensa assim. Mas a atmosfera da Terra age como uma lente. Ela filtra a luz azul e deixa passar o vermelho. É como se o planeta inteiro estivesse projetando um pôr do sol gigante sobre a Lua.

Mark

Então tecnicamente não é um eclipse total?

Mimi

Não, porque cerca de 7% da Lua permanece fora da sombra. Mas essa é uma distinção que importa mais aos astrônomos do que às pessoas observando. Quando você vê 93% da Lua desaparecer, a diferença entre "parcial" e "total" deixa de ser relevante.

Mark

Qual é a próxima oportunidade se alguém perder esta?

Mimi

Essa é a questão que Gonçalves está tentando responder com seu apelo. Não há garantias de quando a próxima oportunidade tão boa chegará. Pode ser anos. Por isso ele diz: não deixe de ver.

Mark

Preciso de algum equipamento especial?

Mimi

Não. Seus olhos são suficientes. Diferente de um eclipse solar, onde você precisa de óculos especiais, um eclipse lunar é seguro de observar diretamente.

  • Com 93% da Lua encoberta pela sombra terrestre, o eclipse de agosto será o mais próximo de um eclipse total que os brasileiros poderão testemunhar nos próximos anos.
  • A Lua não desaparecerá na escuridão — ela se transformará, assumindo uma tonalidade vermelha profunda causada pela luz solar filtrada pela atmosfera da Terra.
  • Thiago Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da UFRJ, é direto: 'Não deixe de ver', recomendando o evento como uma oportunidade verdadeiramente extraordinária.
  • Nenhum equipamento especial é necessário e nenhuma viagem é exigida — o fenômeno será visível de qualquer ponto do território brasileiro, tornando-o acessível a todos.

Na última semana de agosto de 2026, a geometria silenciosa do cosmos oferece ao Brasil um presente raro: a Lua, quase inteiramente engolida pela sombra da Terra, tingir-se-á de vermelho na madrugada entre os dias 27 e 28. Com 93% de sua superfície encoberta, o fenômeno flerta com a totalidade sem jamais alcançá-la — uma distinção técnica que pouco diminui a grandeza do espetáculo. Para qualquer brasileiro que olhar para o céu naquela noite, será uma lembrança de que vivemos suspensos entre corpos enormes, sujeitos a danças que não controlamos.

Na madrugada entre 27 e 28 de agosto, a Lua quase desaparecerá do céu brasileiro. Um eclipse lunar encobrirá aproximadamente 93% do satélite, deixando visível apenas uma fina margem iluminada — uma distinção técnica em relação ao eclipse total que, na prática, pouco importa para quem estiver olhando para o céu.

O mecanismo é de geometria pura: a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua, bloqueando a luz solar e mergulhando progressivamente a superfície lunar na sombra. Mas o fenômeno guarda uma surpresa visual. Em vez de escurecer por completo, a Lua adquire uma tonalidade avermelhada intensa. Isso acontece porque a luz solar, ao atravessar a atmosfera terrestre antes de alcançar o satélite, perde seus tons azuis e verdes — dispersados pela camada de ar — e deixa passar apenas os comprimentos de onda vermelhos. É como se a Terra projetasse seu próprio pôr do sol sobre a Lua.

Thiago Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, não hesita em recomendar o espetáculo: 'A gente vai ver a Lua vermelha, inclusive', afirma, com a convicção de quem sabe que o evento merece ser presenciado. Para os brasileiros, a oportunidade é especialmente valiosa: não é necessário equipamento, não é preciso viajar, e um eclipse de tal magnitude não se apresenta com frequência. A última semana de agosto será um convite aberto para que o país inteiro olhe para o céu.

Na última semana de agosto, a Lua desaparecerá quase completamente do céu noturno. Entre os dias 27 e 28, um eclipse lunar encobrirá aproximadamente 93% do satélite, deixando visível apenas uma fina margem iluminada. O fenômeno será observável de qualquer ponto do Brasil, oferecendo aos brasileiros uma das oportunidades mais próximas de acompanhar um eclipse de magnitude verdadeiramente notável.

Tecnicamente, os astrônomos não o classificam como eclipse total — essa designação é reservada para quando a Lua desaparece completamente. Mas a distinção é quase semântica. Com 93% da superfície lunar coberta pela sombra da Terra, o que restará será pouco mais que um fio de luz. Thiago Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, não hesita em recomendar o espetáculo. "Não deixe de ver", afirma. Para quem deseja testemunhar algo extraordinário sem esperar anos, este eclipse representa exatamente o tipo de evento que vale a pena acordar cedo ou ficar acordado até tarde.

O mecanismo por trás do eclipse é geometria pura. A Terra se posiciona entre o Sol e a Lua, bloqueando a luz solar que normalmente ilumina o satélite. Conforme a Lua avança pela sombra projetada pelo nosso planeta, sua superfície escurece progressivamente. Mas aqui está o detalhe que torna o fenômeno visualmente memorável: a Lua não desaparece na escuridão total.

Invés disso, ela adquire uma tonalidade avermelhada — um efeito que parece quase impossível até você o vê acontecendo. A explicação reside na física da luz e da atmosfera. Quando a luz solar atravessa a camada atmosférica da Terra antes de alcançar a Lua, as cores de comprimento de onda menor — azuis e verdes — são dispersadas e espalhadas. Os tons avermelhados, porém, conseguem penetrar essa barreira atmosférica e atingem a superfície lunar, tingindo-a de um vermelho profundo e inconfundível. É como se a Terra projetasse sua próprio pôr do sol sobre a Lua.

Gonçalves enfatiza que este será um espetáculo visível de todo o país. "A gente vai ver a Lua vermelha, inclusive", comenta, com o tom de quem sabe que está descrevendo algo que merece ser presenciado. Para os brasileiros interessados em astronomia ou simplesmente curiosos sobre os fenômenos celestes, este eclipse representa uma janela rara. Não é necessário equipamento especial, não há necessidade de viajar para um local específico, e a oportunidade de ver algo tão próximo a um eclipse total não se apresenta com frequência. A última semana de agosto marca um momento em que o Brasil inteiro pode olhar para o céu e testemunhar a dança gravitacional dos corpos celestes.

Não deixe de ver. A Lua vai estar quase toda encoberta, e a gente vai ver a Lua vermelha.
— Thiago Gonçalves, astrônomo e diretor do Observatório do Valongo da UFRJ
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