Durigan reconhece preocupação com dívida e reforça compromisso com ajuste fiscal

O governo não gasta mais do que arrecada. Não há descontrole fiscal.
Durigan rebate críticas sobre perda de controle das contas públicas e atribui crescimento da dívida aos juros elevados.
Mark

Por que o ministro insiste que não há crise fiscal se a dívida está crescendo?

Mimi

Porque para Durigan a distinção é crucial: o governo não está gastando mais do que arrecada. O problema não é descontrole, é que os juros estão tão altos que rolar a dívida existente fica cada vez mais caro. É como ter uma hipoteca com taxa flutuante em um mercado onde as taxas explodiram.

Mark

Mas se a dívida cresce e preocupa o governo, não é um sinal de que algo está errado?

Mimi

Sim e não. Durigan reconhece a preocupação — ele não está negando o problema. Está dizendo que o problema é externo, não interno. O governo está fazendo sua parte com bloqueios orçamentários. O que ele quer é que os juros caiam.

Mark

Como reduzir os juros se a dívida está crescendo?

Mimi

Aí está o círculo que Durigan quer quebrar. Se o governo melhorar suas contas — ajuste fiscal — isso sinaliza responsabilidade ao mercado, o que teoricamente reduz a desconfiança e permite que os juros caiam. Menos juros significa menos custo para rolar a dívida.

Mark

E se os juros não caírem?

Mimi

Então o ajuste fiscal fica ainda mais urgente. Por isso Durigan fala em aprofundar o ajuste nos próximos anos. É uma aposta de que a disciplina fiscal vai convencer o mercado.

Mark

O que muda com o Orçamento de 2027?

Mimi

Durigan promete um orçamento "estruturalmente melhor". Isso significa cortes mais profundos, não apenas bloqueios emergenciais. Mantém as despesas sociais, mas tira gordura de outros lugares — especialmente dos gastos tributários que ele chama de ineficientes.

  • Bloqueio de R$ 17 bilhões no Orçamento de 2026
  • Bloqueio de R$ 20 bilhões em 2025
  • Governo encaminhará Ploa 2027 no fim de agosto
  • Dívida pública é atribuída principalmente ao custo dos juros, não a desequilíbrio entre receita e despesa

Durigan nega descontrole fiscal e afirma que governo não gasta mais do que arrecada, citando bloqueios orçamentários como prova de compromisso. Ministro aponta que aumento da dívida decorre principalmente da necessidade de rolar títulos em ambiente de juros elevados, não de desequilíbrio entre receita e despesa.

Ministro Dario Durigan admite preocupação com trajetória da dívida pública e reafirma compromisso do governo com ajuste fiscal, atribuindo avanço do endividamento ao elevado custo dos juros.

O ministro da Fazenda Dario Durigan admitiu na quinta-feira que a trajetória da dívida pública é motivo de preocupação para o governo, mas negou que o país esteja em crise fiscal. Em entrevista à GloboNews, ele atribuiu o crescimento do endividamento principalmente ao custo elevado dos juros, não a um descontrole nas contas públicas.

Durigan reafirmou que a equipe econômica pretende aprofundar o ajuste fiscal nos próximos anos para estabilizar o endividamento e criar condições para a redução dos juros. A declaração reforça sinalizações que o ministro vem fazendo nas últimas semanas sobre o compromisso do governo com a consolidação fiscal, mesmo diante de um eventual novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ministro foi direto ao rebater críticas sobre perda de controle das contas públicas. "O governo não gasta mais do que arrecada. Não há descontrole fiscal. Não há crise fiscal", afirmou. Segundo Durigan, o aumento do estoque da dívida decorre principalmente da necessidade de rolar títulos públicos em um ambiente de juros elevados, e não de um desequilíbrio entre arrecadação e despesas. Ele citou o bloqueio de 17 bilhões de reais no Orçamento de 2026 como exemplo do compromisso com a meta de resultado primário, lembrando também dos 20 bilhões bloqueados no ano anterior.

A principal preocupação do governo, segundo Durigan, está na trajetória futura da dívida, que depende não apenas do esforço fiscal interno, mas também do cenário de juros elevados no Brasil e no exterior. O ministro defendeu que a equipe econômica continuará perseguindo melhora do resultado primário e combatendo gastos tributários considerados ineficientes como parte dessa estratégia. "Cabe um debate sobre como nós vamos seguir evoluindo a despesa pública e se vamos conseguir recompor a receita lutando contra os incentivos fiscais, contra os gastos tributários que são ineficientes", disse.

Durigan também anunciou que o governo encaminhará ao Congresso, no fim de agosto, um Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 que será "estruturalmente melhor", preservando as despesas sociais enquanto mantém o compromisso com a responsabilidade fiscal. Para o ministro, o ajuste das contas públicas é condição essencial para reduzir os juros e sustentar o crescimento econômico com controle da inflação.

Há uma preocupação com o tamanho da dívida e é preciso trabalhar para diminuir a taxa de juros com esforço fiscal para estabilizar o endividamento
— Dario Durigan, ministro da Fazenda
Cabe um debate sobre como evoluir a despesa pública e recompor a receita lutando contra gastos tributários ineficientes
— Dario Durigan
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