No coração da Amazônia, onde o rio ainda dita o ritmo da vida, uma aliança improvável entre guardiões da floresta e executivos do mundo digital tece uma nova forma de pertencer ao século XXI. A Rede Conexão dos Povos da Floresta, liderada por Joaquim Belo e Juliana Dib, conecta quase três mil comunidades tradicionais em nove estados, apostando que a tecnologia pode fortalecer — e não apagar — os saberes ancestrais. É uma aposta sobre o que significa progredir sem se perder.
Doutor da floresta e ex-executiva de big tech lideram revolução digital na Amazônia
Não por acaso uma canoa ocupou espaço principal no salão comunitário da Escola…
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Doutor da floresta e ex-executiva de big tech lideram revolução digital na Amazônia.
Give me the shape of it.
Não por acaso uma canoa ocupou espaço principal no salão comunitário da Escola Família Extrativista do Carvão, em Mazagão (AP). É em torno dela que se sentaram os líderes e parceiros da Rede Conexão…
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The Pulse
- Comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas viviam à margem da conectividade, vulneráveis ao desmatamento e sem acesso a serviços básicos como saúde e políticas públicas.
- A chegada desordenada da internet a territórios tradicionais carrega o risco real de erosão cultural e dependência tecnológica — tensão que a própria rede reconhece como seu maior desafio.
- A Rede Conexão, formada por 60 organizações, responde com uma infraestrutura participativa que já monitora 120 milhões de hectares e viabiliza telemedicina em regiões de difícil acesso.
- A IA Parente, desenvolvida internamente, surge como símbolo da aposta: uma inteligência artificial moldada pelos próprios valores comunitários, não importada do universo corporativo.
- O movimento caminha para uma expansão cuidadosa, buscando escalar a conectividade segura sem reproduzir os vícios digitais que já corroem as periferias urbanas do país.
No coração da Amazônia, onde o rio ainda dita o ritmo da vida, uma aliança improvável entre guardiões da floresta e executivos do mundo digital tece uma nova forma de pertencer ao século XXI. A Rede Conexão dos Povos da Floresta, liderada por Joaquim Belo e Juliana Dib, conecta quase três mil comunidades tradicionais em nove estados, apostando que a tecnologia pode fortalecer — e não apagar — os saberes ancestrais. É uma aposta sobre o que significa progredir sem se perder.
Em Mazagão, no Amapá, uma canoa ocupou o centro do salão comunitário da Escola Família Extrativista do Carvão — imagem que diz muito sobre a filosofia da Rede Conexão dos Povos da Floresta. Não foi por acidente: é em torno da lógica do rio, do território e da escuta que a iniciativa foi construída.
A rede reúne 60 organizações e é liderada por dois perfis que, à primeira vista, parecem improvável combinação: Joaquim Belo, herdeiro simbólico da luta de Chico Mendes, e Juliana Dib, ex-executiva do Google. Juntos, eles articulam líderes indígenas, quilombolas e ribeirinhos com o mundo das grandes empresas de tecnologia, em busca de uma conectividade que sirva às comunidades — e não o contrário.
A infraestrutura já alcança 2.850 comunidades distribuídas por nove estados da Amazônia Legal, permitindo o monitoramento de 120 milhões de hectares contra o desmatamento, além de abrir caminho para a telemedicina e o acesso a direitos e políticas públicas historicamente negados a esses povos.
O projeto mais emblemático dessa visão é a IA Parente, uma inteligência artificial desenvolvida pela própria rede com base nos valores e nas línguas das comunidades atendidas. Ela representa a tentativa de fazer com que a tecnologia fale o idioma da floresta, e não o contrário.
O horizonte, porém, não é sem tensão. Expandir a conectividade segura sem importar os problemas que a internet já causou nos centros urbanos — desinformação, dependência, fragmentação cultural — é o desafio que a Rede Conexão carrega consigo enquanto avança rio acima.
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