Num tempo em que a produtividade costuma ser medida em horas acordadas, especialistas lembram que o corpo também trabalha enquanto dormimos, restaurando o coração, a circulação e o cérebro. Em conversa no CNN Sinais Vitais, a neurologista Cristine Cukiert e o cardiologista Ronaldo Rosa mostraram que o sono de má qualidade, como ocorre na apneia, pode abrir caminho para AVC, doenças cardíacas e declínio cognitivo. A mensagem ganha peso particular para as mulheres após a menopausa, quando as mudanças hormonais alteram o descanso e elevam o risco.
Dormir mal eleva risco de AVC, doenças cardíacas e declínio cognitivo, alertam médicos
Muitos AVCs acontecem justamente durante o período de sono
Por que o sono entra no mesmo nível da alimentação e do exercício?
Porque, segundo Ronaldo Rosa, é um terço da vida, cerca de 8 horas por dia, e o que acontece ali repercute nas outras 24. Frequência cardíaca e pressão caem, principalmente nas fases profundas.
E quando o sono não chega a essas fases?
O risco cardiovascular aumenta de forma significativa. A apneia do sono foi o exemplo citado, porque interrompe o descanso.
Vale notar que é um debate de televisão, com opiniões de especialistas. Não foram apresentados números, estudos ou percentuais de aumento de risco.
Cristine Cukiert falou em Alzheimer. Isso é uma causa?
Ela disse que dormir mal é um dos maiores fatores de risco para alteração cognitiva e Alzheimer no futuro. Fator de risco, não causa comprovada.
Exato. E a afirmação de que muitos AVCs ocorrem durante o sono também é dela, sem dado de frequência.
E o ponto sobre as mulheres?
A menopausa muda a arquitetura do sono por causa dos hormônios, e o risco de infarto e AVC cresce depois dela. O mito de que mulher não infarta foi desmontado.
Ainda não sabemos, pelo que foi dito, quanto desse aumento se deve ao sono e quanto à menopausa em si.
The Pulse
- O sono ruim deixa de ser um incômodo passageiro e passa a ser apontado como fator real de risco cardiovascular.
- A apneia do sono aparece como exemplo clássico de descanso que não cumpre sua função restauradora.
- Muitos AVCs acontecem durante o sono, o que torna a noite um momento de vulnerabilidade pouco discutido.
- Após a menopausa, a arquitetura do sono muda e o risco de eventos cardíacos e cerebrais sobe de forma clara.
- A proposta dos médicos é incluir a pergunta sobre o sono na rotina de consultas de cardiologia e neurologia.
Num tempo em que a produtividade costuma ser medida em horas acordadas, especialistas lembram que o corpo também trabalha enquanto dormimos, restaurando o coração, a circulação e o cérebro. Em conversa no CNN Sinais Vitais, a neurologista Cristine Cukiert e o cardiologista Ronaldo Rosa mostraram que o sono de má qualidade, como ocorre na apneia, pode abrir caminho para AVC, doenças cardíacas e declínio cognitivo. A mensagem ganha peso particular para as mulheres após a menopausa, quando as mudanças hormonais alteram o descanso e elevam o risco.
No programa CNN Sinais Vitais deste sábado, o apresentador Dr. Roberto Kalil recebeu a neurologista Cristine Cukiert e o cardiologista Ronaldo Rosa para tratar de um problema que muita gente encara como detalhe: dormir pouco ou dormir mal. A mensagem dos convidados foi direta. O sono ruim está ligado a mais risco de doenças cardiovasculares, AVC e até Alzheimer.
Rosa lembrou que o sono costuma ser apontado como parte do tripé da saúde, ao lado da alimentação e do exercício. Durante as horas de descanso, o organismo realiza ajustes importantes, como a queda natural da frequência cardíaca e da pressão arterial, mais evidente nas fases profundas do sono. Quando essas fases não são alcançadas, o risco cardiovascular sobe de forma significativa. O exemplo clássico é a apneia do sono, que interrompe o descanso e impede o corpo de se recuperar.
Cukiert ressaltou que muitos AVCs ocorrem justamente durante o sono e que dormir mal é um dos grandes fatores de risco para declínio cognitivo e Alzheimer. Ela defendeu que a qualidade do sono seja investigada rotineiramente nas consultas de cardiologia e neurologia.
A neurologista dedicou atenção especial às mulheres. Na menopausa, as variações hormonais alteram a arquitetura do sono e elevam o risco cardiovascular, tanto cardíaco quanto cerebral. Ela também desfez a ideia de que mulheres não sofrem infarto: a incidência de eventos cardíacos cresce após a menopausa, assim como o risco de AVC. Kalil encerrou reforçando que a mulher precisa cuidar dos fatores de risco tanto quanto o homem, e o recado prático é que a pergunta sobre como a pessoa dorme entre na consulta.
No programa CNN Sinais Vitais deste sábado (31), o tema foi um problema que muita gente trata como detalhe: dormir pouco ou dormir mal. O Dr. Roberto Kalil conduziu a conversa com dois convidados, a neurologista Cristine Cukiert e o cardiologista Ronaldo Rosa, que também é diretor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. A mensagem dos especialistas foi direta: o sono ruim está associado a mais risco de doenças cardiovasculares, de AVC e até de Alzheimer.
Rosa lembrou que o sono costuma ser apresentado como parte do chamado tripé da saúde, ao lado da alimentação e do exercício físico. Segundo ele, por décadas a medicina deu pouca atenção a esse período, mas hoje se sabe que esse um terço da vida, cerca de 8 horas por dia, repercute nas 24 horas. Durante o sono, explicou, o organismo passa por mudanças que buscam restabelecer a normalidade fisiológica, tanto no cérebro quanto no sistema cardiocirculatório.
Uma dessas mudanças é a queda natural da frequência cardíaca e da pressão arterial, mais evidente nas fases mais profundas do sono. Quando a pessoa dorme pouco, ou dorme mal, a ponto de não alcançar essas fases, esse processo fica comprometido, e o risco cardiovascular sobe de forma significativa, afirmou o cardiologista.
O exemplo clássico, segundo Rosa, é a apneia do sono, condição que interrompe o descanso e impede que o corpo realize seus processos restauradores. "Dormir pouco e dormir mal tem repercussão no nosso organismo", resumiu.
Cristine Cukiert disse que os efeitos não se limitam ao coração. Muitos AVCs, observou, ocorrem justamente durante o sono. A neurologista afirmou ainda que dormir mal é um dos maiores fatores de risco para alteração cognitiva e para um Alzheimer no futuro. Por isso, defendeu que a qualidade do sono seja investigada rotineiramente em consultas tanto de cardiologia quanto de neurologia.
Cukiert dedicou atenção especial às mulheres. Na menopausa, as variações hormonais mudam a arquitetura do sono, o que, segundo ela, eleva de forma muito significativa o risco cardiovascular, tanto cardíaco quanto cerebral. A discussão também desmentiu a ideia de que mulheres não sofrem infarto: a incidência de eventos cardíacos cresce após a menopausa, assim como o risco de AVC.
Kalil encerrou com um recado: a mulher precisa cuidar dos fatores de risco tanto quanto o homem. Cukiert concordou com ênfase: "Muito, muito, com certeza." O ponto prático levantado pelos médicos é que a pergunta sobre como a pessoa dorme passe a fazer parte da consulta, sobretudo depois da menopausa.
Notable Quotes
Dormir mal é um dos maiores fatores de risco para o desenvolvimento de uma alteração cognitiva, de um Alzheimer no futuro.— Cristine Cukiert, neurologista
A mulher tem que se cuidar tanto quanto o homem nos fatores de risco.— Dr. Roberto Kalil