Doria não descarta lockdown em SP se Covid-19 não recuar

Potencial impacto econômico e social significativo caso lockdown seja implementado em São Paulo, afetando população e atividades comerciais.
Não hesitaremos em adotar todas as medidas necessárias
Doria sinalizou disposição de implementar lockdown se a fase emergencial não contiver a Covid-19.

Em um momento em que São Paulo registrava uma das piores fases da pandemia, o governador João Doria sinalizou que o estado poderia avançar para um confinamento total caso a fase emergencial — já a mais restritiva até então — não fosse suficiente para deter o avanço da Covid-19. A decisão, anunciada em meio à entrega de milhões de doses da Coronavac, revelava a tensão entre a urgência sanitária e o peso humano de medidas cada vez mais severas. Como tantas vezes na história, a sociedade se via diante da escolha entre a liberdade imediata e a proteção coletiva.

  • São Paulo entrou na fase emergencial mais dura já adotada, com toque de recolher das 20h às 5h, e o governador Doria não descartou ir além com um lockdown total se os números não recuarem.
  • A ameaça de confinamento total pesa sobre a maior economia do país, com impactos potencialmente devastadores para trabalhadores, comércios e famílias já fragilizadas pela crise.
  • Doria convocou a população a respeitar as restrições vigentes, alertando que a adesão coletiva é a única forma de evitar medidas ainda mais drásticas nos próximos dias.
  • Enquanto isso, 3,3 milhões de doses da Coronavac foram entregues ao Ministério da Saúde, com previsão de 46 milhões até abril — a vacina surge como a principal saída do labirinto, mas ainda não chega rápido o suficiente.
  • O governador chamou as manifestações pró-Bolsonaro do domingo de 'manifestações pela morte', expondo a fratura política que atravessa a resposta à pandemia no Brasil.

João Doria deixou em aberto, nesta segunda-feira, a possibilidade de São Paulo decretar lockdown total caso a fase emergencial recém-iniciada não consiga conter o avanço da Covid-19. Sem detalhar como seria esse confinamento, o governador foi claro: todas as medidas estão sobre a mesa, e as decisões caberão ao Centro de Contingência do Coronavírus, grupo formado por mais de 20 médicos e cientistas.

A fase emergencial, vigente de 15 a 30 de março, já é a mais rigorosa já adotada pelo estado. Vai além da fase vermelha anterior ao impor toque de recolher das 20h às 5h. "Não hesitaremos em adotar todas as medidas necessárias para proteger a população", afirmou Doria, pedindo que os paulistanos ficassem em casa e respeitassem as restrições para evitar um aperto ainda maior.

O anúncio foi feito durante a liberação de um lote de 3,3 milhões de doses da Coronavac ao Ministério da Saúde. Desde janeiro, São Paulo já havia repassado 20,6 milhões de doses. A previsão é chegar a 46 milhões até o fim de abril e a 100 milhões até agosto. Dimas Covas, diretor do Butantan, reforçou que a primeira dose já é capaz de evitar mortes, ainda que a imunização completa exija duas aplicações.

Doria também criticou as manifestações pró-Bolsonaro realizadas no domingo em diversas cidades, classificando-as como "manifestações pela morte". O cenário que se desenhava era de incerteza: a fase emergencial funcionaria como um teste — e seu resultado determinaria se São Paulo enfrentaria, ou não, as consequências ainda mais profundas de um confinamento total.

João Doria deixou em aberto, nesta segunda-feira, a possibilidade de São Paulo entrar em lockdown total caso a fase emergencial que acaba de começar não consiga frear o avanço da Covid-19 no estado. O governador não detalhou como seria esse confinamento, mas deixou claro que todas as medidas estão sobre a mesa se os números da pandemia não recuarem nos próximos dias.

A fase emergencial, que teve início no dia 15 de março e segue até 30 de março, é já a mais rigorosa adotada até agora. Ela impõe um toque de recolher das 20h às 5h, além de outras restrições que vão além do que era exigido na fase vermelha anterior. Doria afirmou que as decisões sobre possíveis endurecimentos virão do Centro de Contingência do Coronavírus, um grupo formado por mais de 20 médicos e cientistas que assessora o governo estadual.

"Não hesitaremos em adotar todas as medidas que forem necessárias para proteger a população de São Paulo", disse o governador, pedindo que os cidadãos sigam as orientações médicas, permaneçam em casa e respeitem o período da fase emergencial para evitar que restrições ainda mais severas se tornem necessárias. A declaração foi feita enquanto Doria acompanhava a liberação de um lote de 3,3 milhões de doses da Coronavac, a vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac e processada pelo Instituto Butantan em São Paulo.

Esse lote faz parte de um esforço maior de distribuição de imunizantes. Desde 17 de janeiro, quando os envios começaram, o governo paulista já repassou 20,6 milhões de doses ao Ministério da Saúde para distribuição entre os estados. A previsão é que até o fim de abril o Instituto Butantan entregue 46 milhões de doses, e até o fim de agosto chegue aos 100 milhões de doses contratadas pela pasta. Na quarta-feira seguinte, mais 2 milhões de doses seriam entregues.

De acordo com Dimas Covas, diretor do Butantan, a primeira dose da Coronavac já é suficiente para impedir mortes pela Covid-19, embora a vacinação completa exija duas doses com intervalo de 28 dias entre elas. Essa informação ganhou relevância em um momento em que o estado enfrentava pressão para conter a disseminação do vírus.

Doria também aproveitou a ocasião para criticar as manifestações realizadas no domingo anterior em várias cidades brasileiras, que apoiavam o presidente Jair Bolsonaro e se opunham às restrições estaduais. O governador chamou esses atos de "manifestações pela morte", sinalizando sua posição firme sobre a necessidade de medidas de contenção. Historicamente, quarentenas rígidas como um lockdown têm se mostrado eficazes em reduzir as taxas de transmissão de vírus respiratórios, uma prática adotada há mais de um século para conter doenças infecciosas.

O cenário que se desenhava era de incerteza: a fase emergencial seria um teste de quanto as restrições poderiam impedir o avanço do vírus. Se falhasse, São Paulo enfrentaria a perspectiva de um confinamento total, com consequências econômicas e sociais ainda mais profundas para a população.

A população precisa seguir as orientações dos médicos para se protegerem, ficarem em casa e respeitarem esse período da fase emergencial para que não tenhamos que adotar restrições mais duras
— João Doria, governador de São Paulo
A primeira dose da Coronavac é suficiente para impedir mortes pela Covid-19
— Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Doria menciona especificamente o lockdown agora, em março de 2021, e não antes?

Model

Porque os números estavam piorando rapidamente. A fase vermelha não estava contendo a transmissão, então o governo precisava sinalizar que havia uma linha vermelha além da qual entraria em confinamento total.

Inventor

O Centro de Contingência realmente tem poder de decisão, ou é mais um escudo político para Doria?

Model

Tem poder real — são mais de 20 médicos e cientistas. Mas claro que Doria, como governador, tem a palavra final. É uma forma de compartilhar responsabilidade em uma decisão que afeta milhões de pessoas.

Inventor

A Coronavac estava sendo entregue enquanto ele falava sobre lockdown. Isso não é contraditório?

Model

Não. A vacina era a esperança de longo prazo, mas a situação imediata era crítica. Ele precisava conter o vírus agora enquanto a vacinação avançava lentamente.

Inventor

Quando ele diz que a primeira dose já impede mortes, isso muda o cálculo do lockdown?

Model

Teoricamente sim, mas em março apenas uma fração pequena da população tinha sido vacinada. A maioria ainda estava vulnerável, então o lockdown continuava sendo uma possibilidade real.

Inventor

As manifestações contra as restrições no domingo — elas influenciaram essa fala de Doria?

Model

Provavelmente o irritaram, mas sua mensagem era clara: não importa a pressão política, se os números não caírem, ele vai endurecer ainda mais. Era um recado tanto para a população quanto para os críticos.

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