Numa sexta-feira de início de fevereiro de 2021, o dólar atravessou a marca de 5 reais e fechou a 5,0523 reais, lembrando que o câmbio brasileiro costuma refletir menos o cenário global do que as angústias de Brasília. Quatro altas seguidas somaram uma valorização semanal de 2,32%, a maior desde março, puxada pela CPI da Covid no Senado, pelas denúncias sobre a compra de vacinas e pelo desconforto causado pelo texto da reforma tributária. Lá fora, o clima era de apetite por risco, mas o investidor olhou para dentro, como quem percebe que a confiança no país depende também da política que se de
Dólar sobe pelo quarto pregão e tem maior alta semanal desde março, pressionado por crise política
O mercado olhou mais para Brasília do que para o clima favorável lá fora
O dólar subiu quatro dias seguidos. O que pesou mais nessa semana?
O ruído doméstico. A CPI da Covid ganhou força com denúncias de corrupção na compra de vacinas, e o mercado, que vinha minimizando o tema, passou a reagir.
E a reforma tributária entra onde nessa história?
O texto da segunda fase foi apresentado uma semana antes e causou mal-estar. Naquele dia o dólar chegou a subir 1,40%.
Vale separar o que é fato do que é leitura. A alta de 2,32% na semana é número medido. A ligação com a CPI vem da interpretação do mercado, não de uma prova.
Então o exterior não ajudou?
Ajudou na direção contrária: o índice do dólar caía 0,35% no dia. Mesmo assim, o real não acompanhou.
E o receio no Ministério da Economia sobre a agenda no Congresso é atribuído ao noticiário, segundo a XP. Não é confirmado pela matéria.
Os analistas estão alarmados?
Não. O Rabobank projeta 5,15 reais em dezembro e 5,20 ao fim de 2022, sem deterioração relevante.
Mas são projeções de um banco, não garantia. A matéria não diz como os depoimentos da CPI vão evoluir, nem se o auxílio emergencial será prorrogado.
O Pulso
- O dólar subiu quatro pregões seguidos e ultrapassou 5 reais, no nível mais alto desde 18 de junho.
- A CPI da Covid no Senado ganhou força com denúncias de corrupção na compra de vacinas, e o mercado, que antes ignorava o tema, passou a sentir o peso.
- O texto da segunda fase da reforma tributária provocou mal-estar entre agentes financeiros, e o dólar chegou a subir 1,40% em um único momento do dia.
- A XP prevê que o período turbulento deve se arrastar com novos depoimentos, enquanto analistas do Rabobank ainda não enxergam deterioração relevante e projetam 5,15 reais em dezembro.
Numa sexta-feira de início de fevereiro de 2021, o dólar atravessou a marca de 5 reais e fechou a 5,0523 reais, lembrando que o câmbio brasileiro costuma refletir menos o cenário global do que as angústias de Brasília. Quatro altas seguidas somaram uma valorização semanal de 2,32%, a maior desde março, puxada pela CPI da Covid no Senado, pelas denúncias sobre a compra de vacinas e pelo desconforto causado pelo texto da reforma tributária. Lá fora, o clima era de apetite por risco, mas o investidor olhou para dentro, como quem percebe que a confiança no país depende também da política que se desenrola em casa.
O dólar fechou a sexta-feira a 5,0523 reais, em alta discreta de 0,15%, e deixou para trás a barreira de 5 reais pelo quarto pregão consecutivo. É o maior patamar desde 18 de junho. Na semana, a moeda acumulou valorização de 2,32%, a mais intensa desde março. A reportagem da Reuters mostra um mercado que, naquele dia, prestou mais atenção a Brasília do que ao ambiente favorável a risco no exterior.
O motivo principal está no noticiário doméstico. Durante algum tempo, os investidores minimizaram os possíveis efeitos da CPI da Covid-19, instalada no Senado. Nesta semana, porém, a pressão sobre o governo cresceu com denúncias de corrupção na compra de vacinas, e os preços passaram a refletir isso. A XP avaliou que os próximos depoimentos devem prolongar o período turbulento, e a imprensa relatou receio no Ministério da Economia de que o clima atrapalhe a agenda econômica no Congresso.
As reformas também pesaram. O texto da segunda fase da reforma tributária, apresentado uma semana antes, causou desconforto entre agentes financeiros, e o dólar chegou a subir 1,40% em certo momento da sexta-feira. Lá fora, o índice do dólar caía, após dados de emprego dos EUA fortes o bastante para mostrar a economia americana, mas não para apressar a retirada de estímulos do Federal Reserve.
Apesar do tom cauteloso, analistas não projetam deterioração do câmbio nos próximos meses. O Rabobank vê a moeda a 5,15 reais em dezembro e a 5,20 reais no fim de 2022, citando a normalização monetária e a melhora dos termos de troca. Os riscos fiscais de longo prazo, contudo, seguem desafiadores. Na semana seguinte, o mercado acompanha a ata do Fed, um indicador de junho e uma eventual decisão sobre a prorrogação do auxílio emergencial.
O dólar fechou a sexta-feira a 5,0523 reais na venda, em alta de 0,15%, e deixou para trás a marca de 5 reais pelo quarto pregão consecutivo de ganhos. É o nível mais alto desde 18 de junho, quando a moeda chegou a 5,0713 reais. A reportagem da Reuters, assinada por José de Castro, descreve um mercado que olhou mais para Brasília do que para o clima favorável a risco lá fora.
O dia teve oscilação ampla. A moeda saiu de uma mínima de 4,9882 reais, queda de 1,12%, e foi até 5,0742 reais, alta de 0,58%. Na semana, a valorização acumulada foi de 2,32%, a mais intensa desde a semana encerrada em 26 de março, quando o avanço havia sido de 4,68%.
Nas quatro altas seguidas, o dólar ganhou 2,51%. Série igual não era vista desde as quatro altas entre 24 e 29 de março, quando a moeda se fortaleceu 4,56%. Em duas sessões de julho, a alta é de 1,53%, o que reduz a desvalorização no ano para 2,68%.
O principal motivo está no noticiário doméstico. Por algum tempo, o mercado minimizou os efeitos possíveis da CPI da Covid-19, instalada no Senado. Nesta semana, porém, os preços sentiram o impacto: cresceu a pressão sobre o governo com denúncias de corrupção na compra de vacinas contra a Covid-19, e o assunto ganhou mais destaque nos trabalhos da comissão.
A XP avaliou em nota que, com novos depoimentos marcados para a próxima semana, o período turbulento tende a se arrastar. A corretora citou ainda um receio, reportado pela imprensa, no Ministério da Economia: o de que o ambiente prejudique o avanço da agenda econômica no Congresso.
As reformas também incomodaram. O mercado ainda digere o texto da segunda fase da reforma tributária, apresentado uma semana antes, que causou muito mal-estar entre agentes financeiros. Na sexta-feira da publicação, o dólar chegou a subir 1,40%.
Lá fora, o cenário era outro. O índice do dólar caía 0,35% no dia, afastando-se de máximas em três meses atingidas mais cedo, após dados de emprego dos EUA. Os números vieram fortes, mas não o bastante para sustentar a expectativa de que o Federal Reserve reduza em breve os estímulos.
Apesar do tom cauteloso, os cenários de analistas não preveem deterioração do câmbio nos próximos meses, ainda que o dólar possa terminar o ano acima de 5 reais. O Rabobank vê a moeda a 5,15 reais em dezembro e a 5,20 reais ao fim de 2022. Mauricio Une e Gabriel Santos, do banco, apontaram que a normalização mais rápida da política monetária e a melhora dos termos de troca dão força ao real, e que indicadores melhores de sustentabilidade da dívida reduzem os prêmios de risco no curto prazo. As perspectivas fiscais de longo prazo e uma retirada mais rápida de estímulos nos EUA, disseram, seguem desafiadoras.
Na próxima semana, o mercado espera a ata da última reunião de política monetária do Fed, na quarta-feira, e um indicador de junho na quinta. Também acompanhará uma eventual decisão do governo sobre a prorrogação do auxílio emergencial e possíveis avanços na discussão da reforma tributária.
Citações Notáveis
Com novos depoimentos marcados para a semana que vem, o período turbulento tende a se arrastar.— XP, em nota