Em um mundo onde capitais migram para onde os juros chamam com mais força, o real brasileiro cedeu terreno nesta quinta-feira, 24 de setembro, fechando o dólar a R$ 5,1931 — o maior patamar desde agosto. A convergência de rendimentos americanos acima de 5%, projeções domésticas de crescimento em queda e uma eleição presidencial tecnicamente empatada compõem um retrato de incerteza que os mercados já precificam com cautela. O Brasil navega entre dois ventos contrários: a necessidade de cortar juros para sustentar a economia e a pressão de um dólar global que não espera.
Dólar sobe para R$ 5,19 com foco em eleições brasileiras e juros dos EUA
O real não tinha como não se desvalorizar
Por que o dólar subiu justamente nesta quinta-feira? Parece um movimento coordenado.
Não foi coordenado, mas convergente. Os Treasuries americanos ultrapassaram 5% de rendimento por preocupações com inflação nos EUA, o dólar se fortaleceu globalmente, e o real foi arrastado junto com outras moedas emergentes.
Mas o real caiu mais que outras emergentes? Os dados mostram o movimento geral, mas não fica claro se o Brasil foi mais afetado.
É uma boa pergunta. O que sabemos é que o dólar subiu 0,47% contra o real especificamente, enquanto o índice do dólar global subiu apenas 0,14%. Então sim, o real sofreu mais.
E o Banco Central tentou fazer algo a respeito?
Vendeu US$ 1 bilhão em leilões de linha para aumentar liquidez. Mas isso é uma medida tática, não resolve o problema estrutural.
Qual é o problema estrutural?
O diferencial de juros. Se o Brasil corta a Selic e os EUA aumenta os juros, fica menos atrativo investir aqui. Dinheiro sai, dólar sobe.
E as eleições? Quanto peso têm nisso?
Lula e Flávio Bolsonaro estão empatados tecnicamente. Essa incerteza faz investidores saírem antes de outubro, o que piora o fluxo cambial.
Mas a gente não sabe ainda quem vai ganhar, então é difícil dizer quanto dessa saída é por medo de um resultado específico e quanto é só cautela geral.
Verdade. O que sabemos é que em setembro até o dia 18 o fluxo foi negativo em US$ 7 bilhões. Isso é fato.
Então o dólar a R$ 5,19 é o resultado de tudo isso junto?
Exatamente. Juros americanos altos, crescimento brasileiro fraco, incerteza eleitoral, saída de dinheiro. Nenhum fator sozinho explica.
The Pulse
- Os rendimentos dos Treasuries ultrapassaram 5% e funcionaram como gatilho imediato para a alta do dólar, que atingiu R$ 5,2020 ainda pela manhã.
- O Banco Central reduziu a projeção de crescimento do PIB para 1,8% em 2026 e apenas 1,4% em 2027, abrindo espaço para cortes na Selic que encolhem o diferencial de juros com os EUA.
- Com Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados nas pesquisas e outubro se aproximando, investidores retiram recursos do país, agravando o fluxo cambial negativo de US$ 7 bilhões só em setembro.
- O Banco Central respondeu vendendo US$ 1 bilhão em leilões de linha para injetar liquidez e sinalizar presença, mas a pressão estrutural permanece.
- O real acumula queda de 5,39% no ano frente ao dólar, e o mercado segue de olho no Fed, na Selic e nas urnas para calibrar os próximos movimentos.
Em um mundo onde capitais migram para onde os juros chamam com mais força, o real brasileiro cedeu terreno nesta quinta-feira, 24 de setembro, fechando o dólar a R$ 5,1931 — o maior patamar desde agosto. A convergência de rendimentos americanos acima de 5%, projeções domésticas de crescimento em queda e uma eleição presidencial tecnicamente empatada compõem um retrato de incerteza que os mercados já precificam com cautela. O Brasil navega entre dois ventos contrários: a necessidade de cortar juros para sustentar a economia e a pressão de um dólar global que não espera.
O dólar encerrou a quinta-feira, 24 de setembro, a R$ 5,1931 — maior cotação de fechamento desde 28 de agosto, com alta de 0,47% no dia. O movimento acompanhou um fortalecimento mais amplo da moeda americana no exterior, que pressionou também o peso colombiano, o mexicano e o rand sul-africano. No acumulado do ano, porém, o dólar ainda cede 5,39% frente ao real.
A alta se intensificou pela manhã, quando os rendimentos dos títulos do Tesouro americano ultrapassaram 5%, alimentados pelo temor de novas altas de juros pelo Federal Reserve. Para João Oliveira, head da mesa de operações do Banco Moneycorp, o real simplesmente não tinha como resistir a esse cenário externo. No mercado futuro, o contrato de outubro subia 0,52%, a R$ 5,1985.
No front doméstico, o Banco Central revisou para baixo suas projeções de crescimento — de 2,0% para 1,8% em 2026, com apenas 1,4% esperado para 2027. A desaceleração abre caminho para novos cortes na Selic, hoje em 13,75%, enquanto os EUA mantêm sua taxa entre 3,75% e 4,00% e sinalizam mais aperto. O estreitamento desse diferencial reduz o atrativo do Brasil para capitais estrangeiros.
A incerteza política somou-se ao quadro: Lula e Flávio Bolsonaro seguem tecnicamente empatados nas pesquisas, com novo Datafolha previsto para a noite. A proximidade das eleições de outubro já provoca saída de recursos — o Brasil registrou fluxo cambial negativo de US$ 7,078 bilhões só até o dia 18 de setembro. Em resposta, o BC vendeu US$ 1 bilhão em dois leilões de linha para aumentar a liquidez e sinalizar vigilância.
O dólar a R$ 5,19 é o reflexo de pressões simultâneas: juros americanos em alta, crescimento brasileiro em revisão, capital em fuga e eleição indefinida. O mercado aguarda os próximos sinais do Fed, do Copom e das urnas.
O dólar encerrou a quinta-feira, 24 de setembro, cotado a R$ 5,1931, marcando sua maior cotação de fechamento desde 28 de agosto. A moeda norte-americana subiu 0,47% no dia, acompanhando um movimento mais amplo de fortalecimento do dólar ante outras divisas globais, incluindo moedas de economias emergentes como o peso colombiano, o peso mexicano e o rand sul-africano. No acumulado do ano, porém, a divisa ainda registra queda de 5,39% frente ao real.
O movimento de alta se intensificou pela manhã, especialmente após as 10h03, quando o dólar à vista atingiu sua máxima do dia em R$ 5,2020. O gatilho foi o fortalecimento dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, que ultrapassaram a marca de 5%, alimentado por preocupações com a inflação nos Estados Unidos e pela perspectiva de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve. João Oliveira, head da mesa de operações do Banco Moneycorp, resumiu o cenário: com as taxas dos títulos norte-americanos aceleradas e o dólar se fortalecendo no exterior, o real não tinha como não se desvalorizar.
No mercado de futuros, o contrato de dólar para outubro — o mais negociado na B3 — subia 0,52% no fechamento, cotado a R$ 5,1985. Simultaneamente, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas, avançava 0,14%, chegando a 101,270.
O cenário doméstico adicionava pressão sobre o real. O Banco Central atualizou suas projeções econômicas no Relatório de Política Monetária, reduzindo a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto para 2026 de 2,0% para 1,8%, com projeção de apenas 1,4% para 2027. Essa desaceleração da atividade econômica abre caminho para novos cortes na taxa básica Selic, hoje em 13,75%. O problema é que, enquanto o Brasil reduz juros, os Estados Unidos mantêm sua taxa na faixa de 3,75% a 4,00% e sinaliza novos aumentos. Esse estreitamento do diferencial de juros entre os dois países reduz o atrativo de investimentos no Brasil, alterando o fluxo de capitais e pressionando o dólar para cima.
O contexto político também pesava nas decisões dos investidores. A disputa pelo Planalto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro permanecia tecnicamente empatada nas pesquisas eleitorais mais recentes, com um novo levantamento do Datafolha previsto para o início da noite. Essa incerteza, combinada com a saída de recursos do país antes das eleições de outubro, criava um ambiente de cautela no mercado cambial.
Em resposta, o Banco Central vendeu US$ 1 bilhão em dois leilões de linha simultâneos no fim da manhã — operações de venda de dólares com compromisso de recompra que aumentam a liquidez do mercado. A ação sinalizava preocupação com o fluxo cambial negativo. De acordo com informações divulgadas pelo BC, o Brasil registrou saída líquida de US$ 7,078 bilhões em setembro até o dia 18.
O quadro que emerge é de um real sob pressão em múltiplas frentes: juros americanos em alta, perspectivas de crescimento doméstico reduzidas, incerteza eleitoral e saída de capitais. O dólar a R$ 5,19 reflete essa convergência de fatores, e o mercado segue atento aos próximos passos do Federal Reserve, às decisões do Banco Central sobre a Selic e ao resultado das eleições brasileiras.
Notable Quotes
A taxa dos títulos norte-americanos está bem acelerada, bem acima dos 5%, e o dólar se fortaleceu lá fora também. Isso faz com que o real se desvalorize— João Oliveira, head da mesa de operações do Banco Moneycorp