Dólar sobe 0,69% para R$ 4,6921 e Ibovespa cai 0,71% para 118.040 pontos nesta quarta-feira. Fed sinalizou aumentos de juros agressivos para conter inflação; Deutsche Bank prevê recessão nos EUA em 2023.
Dólar sobe e Bolsa cai com aversão ao risco global e ata do Fed em foco
Fed mais duro na condução da política monetária
Por que o mercado brasileiro está caindo junto com o resto do mundo? Isso é só reação ao Fed ou há algo mais?
É principalmente reação ao Fed, mas não só. O banco central americano está sinalizando aumentos agressivos de juros para conter a inflação, e quando isso acontece, o dinheiro sai dos mercados emergentes como o Brasil e volta para os EUA. Mas tem também a guerra na Ucrânia, que está afetando commodities e cadeias de suprimento globalmente.
Espera aí — o Deutsche Bank está prevendo recessão nos EUA em 2023, mas isso é só uma projeção de um banco. Quantos outros bancos concordam com isso? E essa inversão dos rendimentos do Tesouro, ela realmente indica recessão ou pode ser só um sinal de volatilidade?
É verdade que é uma projeção, mas é de um banco respeitado. A inversão dos rendimentos é historicamente um indicador confiável de recessão, mas não é garantia. Pode levar meses ou até um ano para se concretizar.
E a Petrobras? Por que o governo não consegue indicar os nomes para o conselho?
Porque os dois nomes que o governo queria — Rodolfo Landim e Adriano Pires — tiveram que desistir por risco de conflito de interesses. Agora o governo está sem opções e pode nem conseguir votar na assembleia marcada para o dia 13.
Mas o ministro disse que não trabalha com a possibilidade de adiamento. Isso significa que eles vão conseguir resolver em uma semana, ou significa que estão fingindo que vão conseguir?
Provavelmente significa que estão sob pressão política para não adiar. Mas se não conseguirem indicar nomes, vão ter que adiar mesmo, e aí precisam de mais 30 dias para convocar uma nova assembleia.
Os dados da China parecem ruins também.
Muito ruins. Os índices de serviços caíram abaixo de 50, o que significa retração. Isso é resultado dos lockdowns que o governo está mantendo para conter a Covid-19.
Mas a China subiu 0,02% enquanto o resto da Ásia caiu. Isso não sugere que talvez o mercado chinês esteja vendo algo que o resto não está vendo?
Pode ser, mas é uma alta tão pequena que é difícil tirar conclusões. Pode ser só volatilidade. O importante é que os dados de serviços estão claramente piores.
Il Polso
- Dólar sobe 0,69% para R$ 4,6921; Ibovespa cai 0,71% para 118.040 pontos
- Fed elevou juros em 0,25 ponto percentual na última reunião; Deutsche Bank prevê recessão nos EUA em 2023
- Rendimentos do Tesouro americano de 2 e 10 anos se inverteram, sinal histórico de recessão
- Governo avalia retirar votação de conselho da Petrobras da assembleia marcada para 13 de abril
- Índice de serviços da China cai para 42 pontos em março, abaixo de 50 que separa crescimento de retração
Dólar sobe 0,69% para R$ 4,6921 e Ibovespa cai 0,71% para 118.040 pontos nesta quarta-feira. Fed sinalizou aumentos de juros agressivos para conter inflação; Deutsche Bank prevê recessão nos EUA em 2023.
Dólar opera em alta ante o real e Bolsa cai refletindo aversão ao risco no exterior, com mercados atentos à ata do Federal Reserve sobre política monetária americana.
Na manhã de quarta-feira, os mercados brasileiros abriram sob pressão. O dólar subia 0,69% ante o real, cotado a R$ 4,6921, enquanto o Ibovespa recuava 0,71% para 118.040 pontos. A queda refletia um movimento mais amplo de aversão ao risco que varria os mercados globais, alimentada por preocupações geopolíticas e pela expectativa de que o Federal Reserve, banco central americano, manteria uma postura agressiva na elevação de juros.
Toda a atenção dos investidores estava voltada para a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Fed. Na reunião anterior, o banco central americano havia elevado os juros em 0,25 ponto percentual — o primeiro aumento desde 2018 — e sinalizava claramente que uma série de novos aumentos viria nos próximos encontros. A grande dúvida entre os agentes de mercado era a velocidade dessas elevações. Na véspera, Lael Brainard, conselheira do Fed, havia reforçado o apoio ao aumento de juros e indicado que a redução do balanço do banco central poderia começar já em maio. Após suas declarações, a queda dos ativos se intensificou.
O objetivo declarado do Fed era conter uma inflação alta e persistente nos Estados Unidos. Mas as sanções anunciadas contra a Rússia na véspera amplificavam os temores de que os preços continuassem subindo e que os gargalos nas cadeias produtivas se agravassem, pressionando ainda mais os mercados globais. Havia também sinais de alerta econômico mais profundos. Nos últimos dias, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de dois e dez anos haviam se invertido — um movimento que costuma indicar receio dos investidores de que uma desaceleração econômica ocorra no futuro. Em cenários normais, títulos de longo prazo rendem mais que os de curto prazo, uma vez que os riscos aumentam em períodos mais longos.
O Deutsche Bank já havia publicado um relatório estimando uma recessão nos Estados Unidos a partir de 2023. O banco alemão avaliava que o Fed precisaria adotar uma postura bastante agressiva para controlar a inflação, o que levaria a um cenário de retração econômica. Segundo a projeção, o Fed promoveria aumentos na casa de 0,50 ponto percentual nos juros nas próximas três reuniões, chegando a uma taxa terminal de 3,6% em meados de 2023. "Com a inflação persistentemente acima da meta do Fed e o mercado de trabalho permanecendo historicamente apertado, o Fed empreenderá um ciclo de aperto muito mais agressivo", destacou o banco em relatório divulgado na segunda-feira, acrescentando que esse aperto provavelmente levaria a economia a uma recessão no final de 2023.
A perspectiva havia se deteriorado significativamente com a invasão da Ucrânia pela Rússia, que elevou os preços de energia e levou a mais interrupções nos principais mercados de commodities e cadeias de suprimentos. Analistas da Guide Investimentos resumiram o clima do dia: "Mercados globais estão abrindo a sessão desta quarta-feira em tom de risk-off, na esteira do noticiário geopolítico desfavorável e frente expectativas de que a ata do Fomc confirme um Fed mais duro na condução da política monetária a partir de maio".
No cenário interno, a Petrobras continuava envolvida em uma sucessão conturbada. Com dificuldades em realizar novas indicações, o governo estava avaliando retirar da pauta da assembleia geral de acionistas, marcada para o dia 13, a votação de novos integrantes do Conselho de Administração. Rodolfo Landim havia desistido da vaga de presidente do conselho e Adriano Pires havia aberto mão do posto de presidente da petroleira, ambos motivados por risco de conflito de interesses. Faltando uma semana para a reunião, a União ainda não havia fechado proposta em torno de nomes de substitutos. Se a articulação ocorresse, seriam necessários mais 30 dias para convocar uma nova assembleia. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou que o governo não trabalhava com a possibilidade de adiamento.
Os preços do petróleo apresentavam leves altas nesta manhã, após o anúncio de novas sanções contra a Rússia aumentar as preocupações sobre a oferta da commodity. O contrato para junho do Brent subia 0,38%, negociado a US$ 107,02 o barril, enquanto o contrato para maio do WTI avançava 0,44%, cotado a US$ 102,41 o barril. Nas bolsas americanas, o Dow Jones cedia 0,68%, o S&P 1,38% e o Nasdaq 2,37%. Na Europa, a Bolsa de Londres cedia 0,87%, enquanto Frankfurt e Paris registravam quedas de 2,59% e 2,87%, respectivamente.
As bolsas asiáticas fecharam com direções contrárias, com os investidores avaliando dados do setor de serviços na China. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, caiu 1,58%, Hong Kong recuou 1,87% e a China subiu 0,02%. Os dados chineses eram particularmente preocupantes: o índice geradores de compras de serviços da Caixin de março ficou em 42 pontos ante os 50,2 registrados no mês anterior, enquanto o índice composto de março, que inclui manufatura e serviços, caiu para 43,9 de 50,1 no mês anterior. O patamar de 50 pontos separa crescimento de retração em uma base mensal. Esses números refletiam as várias medidas restritivas adotadas por autoridades chinesas para conter o avanço da Covid-19.
Citazioni salienti
Com a inflação persistentemente acima da meta do Fed e o mercado de trabalho permanecendo historicamente apertado, o Fed empreenderá um ciclo de aperto muito mais agressivo— Deutsche Bank, em relatório
Mercados globais estão abrindo a sessão desta quarta-feira em tom de risk-off, na esteira do noticiário geopolítico desfavorável e frente expectativas de que a ata do Fomc confirme um Fed mais duro na condução da política monetária a partir de maio— Analistas da Guide Investimentos