Dólar sobe a R$ 5,39 e Ibovespa perde os 170 mil pontos com juros altos e risco fiscal

O dólar subiu 0,89% e a Bolsa perdeu os 170 mil pontos
Quarta queda seguida do Ibovespa, em dia de juros altos nos EUA e receios fiscais no Brasil.
Mark

O Ibovespa caiu pelo quarto pregão seguido. O que pesou mais?

Mimi

Os juros. Os dados americanos vieram fortes, com PIB de 3,4% e inflação acelerando, e isso alimenta a expectativa de juros altos por mais tempo.

Mark

E por que isso afeta o Brasil?

Mimi

Juros maiores nos EUA atraem capital e podem reduzir a entrada de recursos em emergentes. Para as empresas daqui, crédito caro pesa, e MRV e Direcional caíram mais de 6%.

Luke

Convém separar o que está confirmado do que é leitura. Os números de fechamento e os dados americanos são fatos. A ligação entre eles e a queda da Bolsa vem de analistas, como Nossig e Louzada.

Mark

E o risco fiscal do título?

Mimi

Louzada citou o receio de tributação de investimentos hoje isentos e as dúvidas sobre as contas públicas.

Luke

Mas a matéria não detalha nenhuma proposta concreta de tributação. É um temor atribuído a um economista, não uma medida anunciada.

Mark

E a alta de juros nos EUA em dezembro?

Mimi

Kayo, da Nomad, diz que as apostas aumentaram. O Fed manteve a taxa, e dois dirigentes, Lisa Cook e Beth Hammack, queriam subir 0,25 ponto.

Luke

Uma aposta não é decisão. E os juros futuros brasileiros citados eram dados parciais das 17h12.

  • O dólar avançou 0,89% e fechou a R$ 5,387, interrompendo duas quedas seguidas.
  • O Ibovespa caiu 1,06% para 169.186 pontos, rompendo o piso psicológico dos 170 mil.
  • Números aquecidos nos EUA, com PIB de 3,4% e inflação de núcleo em 3,1%, reacenderam apostas em nova alta de juros pelo Fed em dezembro.
  • No Brasil, o receio de tributar investimentos isentos e as dúvidas fiscais somam pressão sobre a Bolsa, enquanto os juros futuros recuam parcialmente do pico da tarde.
  • O mercado agora aguarda os próximos dados americanos e o desenrolar da agenda fiscal doméstica para definir a direção.

Num fim de semana de contas em aberto, o dólar subiu para R$ 5,387 e a Bolsa brasileira recuou abaixo dos 170 mil pontos, encerrando um quarto pregão seguido de perdas. A quinta-feira (29) expôs uma velha equação: juros americanos altos por mais tempo tornam o capital mais exigente, enquanto no Brasil paira a dúvida sobre as contas públicas e a possível tributação de investimentos hoje isentos. É a economia lembrando que o dinheiro procura segurança antes de procurar oportunidade.

O dólar comercial fechou a quinta-feira (29) cotado a R$ 5,387, em alta de 0,89%, e interrompeu uma sequência de duas quedas. No mesmo pregão, o Ibovespa recuou 1,06% e terminou aos 169.186 pontos, abaixo dos 170 mil. Foi o quarto pregão seguido de perdas para a Bolsa brasileira, sequência iniciada após o segundo turno das eleições.

Analistas ligam o movimento à busca por proteção. Taxas americanas elevadas tornam os Estados Unidos mais atraentes e podem reduzir a entrada de recursos em emergentes como o Brasil. Nos EUA, o PIB cresceu 3,4% no terceiro trimestre, acima do esperado, e a inflação acelerou, com o PCE em 3,6% em 12 meses. A combinação reforçou apostas em nova alta de juros pelo Federal Reserve em dezembro.

No mercado doméstico, pesam o temor de tributação de investimentos hoje isentos e as dúvidas sobre o futuro das contas públicas. Juros mais caros também encarecem o crédito para empresas, o que pode reduzir compras de produtos e imóveis. Os juros futuros devolveram parte da alta do dia, e o mercado agora acompanha as apostas sobre o Fed e o cenário fiscal brasileiro.

O dólar comercial fechou a quinta-feira (29) cotado a R$ 5,387, em alta de 0,89%, e interrompeu uma sequência de duas quedas. No mesmo pregão, o Ibovespa recuou 1,06% e terminou aos 169.186,42 pontos, abaixo dos 170 mil. Na quarta-feira, o índice havia fechado em 171.006,10 pontos.

Foi o quarto pregão seguido de perdas para a Bolsa brasileira, em uma sequência iniciada depois do segundo turno das eleições. Segundo Nossig, a busca por proteção favoreceu a moeda americana. Ele ligou a valorização do dólar às preocupações domésticas e à perspectiva de juros altos por mais tempo nos Estados Unidos. Taxas americanas elevadas tornam os investimentos no país mais atraentes e podem reduzir a entrada de recursos em mercados emergentes como o Brasil.

O cenário externo trouxe números fortes. O PIB dos Estados Unidos cresceu 3,4% no terceiro trimestre, em taxa anualizada, acima dos 3,2% previstos, citados pela Nomad, e do avanço de 2,2% no trimestre anterior. Consumo, investimentos e gastos públicos contribuíram para o resultado. A inflação também acelerou: o índice PCE, acompanhado pelo Federal Reserve, subiu 0,5% em setembro e 3,6% em 12 meses. O núcleo, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3% no mês e 3,1% em um ano.

Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a combinação de crescimento mais forte e inflação persistente aumentou as apostas em uma alta de 0,25 ponto percentual dos juros americanos em dezembro. Na véspera, o Fed havia mantido a taxa entre 3,75% e 4% ao ano, com dez votos favoráveis. Lisa Cook e Beth Hammack defenderam uma elevação de 0,25 ponto.

No mercado doméstico, havia ainda o temor de tributação de investimentos hoje isentos. O economista Fabio Louzada, fundador da B7 Business School, destacou esse receio e as dúvidas sobre o futuro das contas públicas. Segundo ele, a perspectiva de juros elevados por mais tempo prejudicou empresas dependentes de crédito, porque financiamentos mais caros aumentam as despesas das companhias e podem reduzir as compras de produtos e imóveis.

Os juros futuros devolveram parte da alta do dia. Às 17h12, em valores parciais, o contrato para janeiro de 2027 estava em 13,642% ao ano, o de janeiro de 2029 em 14,745% e o de janeiro de 2031 em 15,065%. No início da tarde, os dois últimos haviam chegado a 14,865% e 15,210%.

Em Nova York, as bolsas fecharam em queda, pressionadas pela tecnologia. O Nasdaq recuou 1,38%, aos 26.184,72 pontos, o S&P 500 perdeu 0,30%, aos 7.720,39, e o Dow Jones caiu 0,25%, aos 52.342,56. Para Nossig, os dados reforçaram a expectativa de juros altos por mais tempo, o que pesa sobre ações de crescimento. As ações da Alphabet, dona do Google, caíram mais de 12% após o balanço. O Banco Central Europeu manteve a taxa de depósito em 2,50%, a de refinanciamento em 2,65% e a de empréstimos marginais em 2,90%, e apontou o risco do encarecimento da energia para inflação e atividade.

No Ibovespa, a Gerdau liderou as altas: as preferenciais subiram 5,69%, a R$ 25,46. Embraer avançou 5,25%, a R$ 102,40, e Metalúrgica Gerdau, 5,16%, a R$ 11,20. WEG subiu 4,41%, a R$ 49,28, e Suzano, 3,37%, a R$ 49,72. Entre as quedas, Minerva recuou 6,92%, a R$ 2,69, MRV perdeu 6,70%, a R$ 4,04, e Direcional caiu 6,16%, a R$ 8,23. Cogna cedeu 5,85%, a R$ 1,61, e Azzas 2154, 5,60%, a R$ 14,16.

O mercado agora acompanha as apostas sobre uma nova alta de juros do Fed em dezembro e o desenrolar do cenário fiscal doméstico.

Há preocupação no mercado com a tributação de investimentos até então isentos.
— Fabio Louzada, economista e fundador da B7 Business School
Crescimento mais forte e inflação persistente aumentaram as apostas em alta de 0,25 ponto do Fed em dezembro.
— Vitor Kayo, economista sênior da Nomad (paráfrase)
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