Em meio a ventos externos desfavoráveis e incertezas domésticas, os mercados brasileiros viveram uma terça-feira de pressão: o dólar avançou ao maior patamar em quase duas semanas e a Bolsa recuou ao nível de início de setembro. A aversão global ao risco — alimentada por uma paralisação do governo americano e uma crise política na França — encontrou terreno fértil nas dúvidas internas sobre a tributação de investimentos. Ao final do dia, um acordo anunciado pelo ministro Haddad reduziu parte da incerteza, mas os mercados já haviam registrado seus veredictos.
Dólar sobe a R$ 5,35 com tensões sobre medida provisória; Ibovespa cai 1,57%
Incerteza regulatória alimenta fuga de investidores
Por que o mercado reagiu tão mal a uma medida provisória sobre tributação? Não é algo que deveria estar precificado há mais tempo?
A questão é que medidas provisórias têm prazo — essa precisava ser votada até o dia 8 ou perdia validade. Havia incerteza sobre se o Congresso aprovaria, e em que termos. Investidores odeiam incerteza regulatória.
Mas vale notar que o ministro anunciou um acordo no final do dia, e a comissão aprovou. Então a maior parte da queda pode ter vindo dos fatores externos — o shutdown americano, a crise na França — e não necessariamente da medida em si.
Faz sentido. E quanto ao dólar? R$ 5,35 é um nível preocupante?
É o maior desde 25 de setembro, mas no ano ainda está 13,43% mais baixo. Então em perspectiva, não é um recorde histórico. O movimento de hoje foi mais sobre o fluxo global de risco saindo dos mercados emergentes.
Exatamente. A gente não sabe se isso vai persistir ou se era só uma correção de um dia. O que sabemos é que houve aversão global ao risco e que o Brasil foi afetado junto com outros países.
E a bolsa? Voltou aos níveis de setembro — isso significa que os ganhos de setembro foram apagados?
Basicamente, sim. O Ibovespa estava em 141.356 pontos, que é o menor desde 4 de setembro. Então em duas sessões de queda, o índice perdeu o que havia ganho no meio do mês.
Mas novamente, isso é consistente com um movimento global. Não é específico do Brasil. Precisaríamos ver como outros mercados emergentes se comportaram para entender se foi uma fuga geral ou algo mais localizado.
Il Polso
- O dólar saltou para R$ 5,35, seu maior valor desde 25 de setembro, pressionado por uma onda global de aversão ao risco que não poupou os ativos brasileiros.
- A crise política na França e a ameaça de paralisação do governo dos EUA criaram um ambiente de instabilidade que se propagou pelos mercados internacionais e chegou ao Brasil.
- Uma medida provisória sobre tributação de investimentos, com prazo de validade expirando em 8 de outubro, adicionou uma camada doméstica de tensão ao pregão.
- O Ibovespa fechou em queda de 1,57%, aos 141.356 pontos, marcando a segunda baixa consecutiva e o menor nível desde o início de setembro.
- No fim da tarde, o ministro Haddad anunciou um acordo e a comissão especial do Congresso aprovou o texto, aliviando parte da incerteza — mas sem reverter as perdas do dia.
Em meio a ventos externos desfavoráveis e incertezas domésticas, os mercados brasileiros viveram uma terça-feira de pressão: o dólar avançou ao maior patamar em quase duas semanas e a Bolsa recuou ao nível de início de setembro. A aversão global ao risco — alimentada por uma paralisação do governo americano e uma crise política na França — encontrou terreno fértil nas dúvidas internas sobre a tributação de investimentos. Ao final do dia, um acordo anunciado pelo ministro Haddad reduziu parte da incerteza, mas os mercados já haviam registrado seus veredictos.
A terça-feira foi de turbulência para os mercados brasileiros. O dólar comercial fechou a R$ 5,35, alta de 0,75%, atingindo o maior valor desde 25 de setembro. A moeda chegou a recuar pela manhã, mas acelerou à tarde e fechou próxima de sua máxima diária. No acumulado de outubro, sobe 0,51%, embora ainda registre queda de 13,43% no ano.
O Ibovespa acompanhou a pressão e recuou 1,57%, fechando aos 141.356 pontos — o menor nível desde 4 de setembro e a segunda queda consecutiva, devolvendo os ganhos acumulados desde o início do mês anterior.
As origens da instabilidade eram múltiplas. No cenário externo, a ameaça de paralisação do governo americano e a crise política na França — com o pedido de renúncia do novo primeiro-ministro — elevaram a aversão ao risco globalmente, pressionando moedas e bolsas ao redor do mundo. No front doméstico, uma medida provisória que ampliaria a tributação sobre investimentos aguardava votação no Congresso até o dia 8 de outubro para não perder a validade, gerando incerteza adicional entre os investidores.
Ao final da tarde, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou um acordo para a votação. A comissão especial aprovou o texto no início da noite, reduzindo parte da tensão. Ainda assim, o dólar consolidou seus ganhos e a Bolsa encerrou o dia no vermelho.
A terça-feira trouxe turbulência aos mercados brasileiros. O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,35, acumulando uma alta de R$ 0,04, ou 0,75%, em movimento que o levou ao seu maior valor desde 25 de setembro. A moeda oscilou durante a sessão — chegou a recuar para R$ 5,32 pela manhã, mas acelerou novamente à tarde, fechando próxima de sua máxima diária. No acumulado de outubro, o dólar subiu 0,51%, embora ainda registre queda de 13,43% no ano.
O Ibovespa acompanhou a pressão. O índice da B3 recuou 1,57%, fechando aos 141.356 pontos — seu menor nível desde 4 de setembro. Era a segunda queda consecutiva, sinalizando que a bolsa havia retornado aos patamares do início do mês anterior.
Os fatores por trás dessa instabilidade vinham de múltiplas frentes. No exterior, um movimento global de aversão ao risco elevou o dólar em praticamente todas as praças. A paralisação do governo dos Estados Unidos e a crise política na França — com o pedido de renúncia do novo primeiro-ministro — pesaram sobre o mercado europeu e reverberaram globalmente. Esses ventos externos criaram um clima desfavorável que atingiu também os ativos brasileiros.
Mas havia também uma questão doméstica alimentando as tensões. Uma medida provisória que aumentaria a tributação sobre investimentos estava em discussão no Congresso, com prazo de votação até o dia 8 de outubro para manter sua validade. Essa medida havia sido concebida para compensar a desidratação de um decreto anterior que havia reduzido o Imposto sobre Operações Financeiras. A incerteza em torno dessa votação — e o que ela poderia significar para os investidores — contribuiu para o clima de instabilidade nos pregões.
No final da tarde, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou um acordo para a votação. A comissão especial do Congresso aprovou o texto no início da noite, reduzindo parte da incerteza que havia pairado sobre o mercado durante o dia. Ainda assim, o estrago já estava feito: a bolsa havia fechado em queda, e o dólar havia consolidado seus ganhos.
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A medida provisória que tributa investimentos para compensar a desidratação do decreto que elevou o IOF trouxe tensões ao mercado— Contexto do mercado financeiro