Banco Central mantém trajetória de redução de juros para evitar volatilidade, sugerindo possível pausa em agosto. Bolsas asiáticas e americanas sofrem perdas expressivas em tecnologia; investidores questionam retorno dos investimentos em IA.
Dólar sobe a R$ 5,19 e Bolsa reage após ata do Copom e queda de big techs
O dinheiro sai de emergentes se a correção virar crise de confiança
Por que o Banco Central cortou juros se reconhece que a inflação piorou? Isso não parece contraditório?
A ata explica que o Copom optou por não reagir precipitadamente. A ideia é que uma reação muito rápida e agressiva poderia gerar mais volatilidade e incerteza, o que prejudicaria ainda mais o controle da inflação. É uma aposta em manter a trajetória.
Mas isso é uma aposta, não é um fato. A ata diz que o Copom "reconhece" a piora, mas continua cortando. Alguns analistas leem isso como sinal de que o BC está sendo menos rigoroso. Não sabemos se essa estratégia vai funcionar.
E o que a ata sugere para agosto?
Sugere uma possível pausa. O documento menciona que as trajetórias adequadas incluem pausas e retomadas do ciclo. Economistas interpretam isso como indicativo de que o próximo corte pode não acontecer.
Novamente, "sugere" é a palavra-chave. A ata deixa aberta a possibilidade de ajustes futuros conforme a evolução do cenário. Não é uma decisão fechada.
Por que a Bolsa brasileira subiu enquanto o resto do mundo caía?
Porque a B3 não tem a mesma concentração em tecnologia que os EUA ou a Ásia. Quando há liquidação global de ações de tech, o dinheiro migra para mercados com desconto e setores mais maduros — bancos, petróleo, commodities. O Brasil tem peso relevante nesses setores.
Mas isso pode ser temporário. Se a correção de preços virar uma crise de confiança, o dinheiro sai de emergentes de qualquer forma. O fluxo global se move por apetite a risco, não apenas por fundamento local. Ainda é cedo para dizer que temos uma rotação estrutural.
O que explica a queda de tecnologia no mundo?
Dúvidas sobre a capacidade das grandes empresas de computação em nuvem de sustentar o ritmo de investimentos em IA e transformar esses gastos em retornos proporcionais. Juros altos pressionam ainda mais.
Isso é uma interpretação do mercado neste momento. Não sabemos se é uma pausa técnica em um setor aquecido ou o início de uma mudança mais profunda. Os dados ainda estão sendo processados.
O Pulso
- Dólar subiu a R$ 5,186
- Ibovespa subia 0,52% para 171.249 pontos às 15h30
- Terceiro corte consecutivo da Selic apesar de piora da inflação
- Kospi caiu 9,99%; Samsung e SK Hynix caíram mais de 12%
- Nasdaq recuou 1,85%; S&P 500 caiu 1,24%
Banco Central mantém trajetória de redução de juros para evitar volatilidade, sugerindo possível pausa em agosto. Bolsas asiáticas e americanas sofrem perdas expressivas em tecnologia; investidores questionam retorno dos investimentos em IA.
Dólar subiu a R$ 5,19 enquanto Ibovespa resistiu à queda global de ações de tecnologia, influenciado pela ata do Copom que justificou corte de juros apesar de piora da inflação.
A terça-feira trouxe movimentos contraditórios nos mercados brasileiros. O dólar subiu a R$ 5,186, pressionado pela aversão global ao risco, enquanto o Ibovespa resistiu à queda que varreu bolsas de tecnologia ao redor do mundo. A sessão foi marcada pela divulgação da ata do Copom, documento que explicou as razões por trás do terceiro corte consecutivo da taxa Selic — uma decisão que gerou dúvidas sobre o rigor do Banco Central em controlar a inflação.
O Banco Central justificou sua escolha de manter a trajetória de redução de juros argumentando que reagir precipitadamente às variáveis econômicas atuais poderia gerar mais volatilidade e incerteza, prejudicando em vez de ajudar o controle da inflação. Apesar de reconhecer a piora do cenário de preços, o comunicado sugeriu que o próximo passo pode ser uma pausa. Economistas leram a ata como indicativo de que em agosto o Copom pode interromper o ciclo de cortes, embora deixe aberta a possibilidade de ajustes futuros conforme a situação evolua. Para o mercado, isso significou que novas reduções da Selic ficaram menos prováveis, reduzindo o espaço para movimentos adicionais.
Os juros futuros cederam após pressão inicial de alta. O contrato DI para janeiro de 2027, o mais negociado, recuou de 14,217% para 14,185%, enquanto o DI para janeiro de 2029 caiu de 14,773% para 14,685%. Essa queda refletiu a interpretação de que o Banco Central está sinalizando cautela.
No cenário internacional, as bolsas enfrentaram um dia difícil. A Ásia sofreu perdas expressivas, com o índice sul-coreano Kospi caindo 9,99%, interrompido temporariamente durante o pregão. As gigantes de semicondutores Samsung Electronics e SK Hynix caíram mais de 12%. A correção reflete crescentes dúvidas sobre a capacidade das maiores empresas de computação em nuvem de sustentar o ritmo de investimentos em inteligência artificial e transformar esse volume elevado de gastos em retornos proporcionais, especialmente em um ambiente pressionado por juros altos. Como o ciclo de IA vinha sendo o principal motor do mercado em 2026, a questão agora é se a liquidação representa apenas uma pausa técnica em um setor muito aquecido ou o início de uma mudança mais profunda no sentimento dos investidores.
Europa também fechou em queda. O FTSE 100 em Londres caiu 0,09%, o DAX em Frankfurt cedeu 0,81%, o CAC 40 em Paris perdeu 0,71%, o FTSE MIB em Milão caiu 1,46%, enquanto o Ibex 35 em Madri recuou 0,02% e o PSI 20 em Lisboa perdeu 0,34%. Wall Street seguiu pressionado, com o Nasdaq recuando 1,85% e o S&P 500 caindo 1,24% às 15h30 (horário de Brasília), rondando os níveis mais baixos em mais de uma semana. O Dow Jones, com menor peso de papéis de tecnologia, subia 0,03%.
O cenário de juros elevados por um período prolongado, somado às preocupações com a lucratividade dos investimentos em inteligência artificial, alimentou um ambiente global de aversão ao risco. Isso prejudicou o desempenho de ativos considerados mais arriscados, como ações, commodities e moedas de países emergentes, gerando maior pressão sobre a taxa de câmbio do real.
O Ibovespa, porém, reagiu. Após abrir em baixa, chegando a cair 1,1% a 168.523 pontos, o índice ganhou força com apoio de fluxo de recursos externos. Por volta das 15h30, subia 0,52%, para 171.249 pontos. A recuperação foi impulsionada por setores que não têm grande exposição a tecnologia — petróleo, bancos e commodities — sugerindo que parte do dinheiro liberado pelas carteiras globais com as vendas de papéis de tecnologia pode estar migrando para bolsas em que investidores encontrem empresas com descontos, geradoras de caixa, ou setores mais maduros e geradores de dividendos. A Bolsa brasileira não tem a mesma concentração em tecnologia que os Estados Unidos ou a Ásia, o que pode ser positivo em um momento de rotação global de carteiras. Ainda é cedo, porém, para afirmar que temos uma rotação limpa e estrutural para o Brasil.
No setor corporativo, a Petrobras anunciou parceria com a mexicana Pemex para cooperação estratégica em projetos de petróleo e gás, incluindo exploração em águas profundas no Golfo do México. A Raízen, produtora de açúcar e etanol, pode ter novo controlador até março, com a gestora IG4 buscando finalizar uma aquisição do controle. A MRV Engenharia vendeu dois empreendimentos nos Estados Unidos por US$ 139 milhões para reduzir sua dívida de cerca de R$ 6 bilhões. A Axia lançou captação de até R$ 1 bilhão em debêntures. A Multilaser anunciou recompra de ações. A Brisanet venceu leilão para cobertura móvel em 56 localidades por R$ 11,2 milhões. A Heineken subiu 2,20% na Euronext Amsterdam após anunciar Rafael Oliveira, brasileiro, como novo CEO global.
Citações Notáveis
A parceria não está obrigada a ser só no México. Pode ser na África, ou no Brasil. Vai ser onde nossas equipes definirem que há oportunidade— Magda Chambriard, presidente da Petrobras, sobre cooperação com Pemex
Se a correção virar crise de confiança, o dinheiro sai de emergentes— Gustavo Assis, CEO da Asset