Numa sexta-feira de início de julho de 2021, o dólar fechou em R$ 5,054 e encerrou a semana com a maior alta desde março, em um momento em que o Brasil ainda media cada passo pela pandemia. O estopim foi a CPI da Covid no Senado, cujas revelações sobre suspeitas de corrupção na compra de vacinas começaram a pesar sobre o governo e sobre o humor dos investidores. Num país que vinha tentando reencontrar o rumo econômico, a incerteza política voltou a se sobrepor às boas notícias vindas de fora, como o forte mercado de trabalho americano. A dúvida que fica é se o ruído de Brasília vai atrasar as
Dólar sobe 2,4% na semana com tensão da CPI da Covid e volta a R$ 5,05
O real foi a terceira moeda que mais se desvalorizou no mundo na semana
Por que uma CPI mexe tanto com o dólar?
Porque o mercado teme que o desgaste do governo atrapalhe as reformas no Congresso. Assessores de Guedes já calculam esse risco.
A alta foi grande?
2,4% na semana, a maior desde março. O real foi a terceira moeda que mais caiu no mundo.
Mas a CPI é a única causa? A reforma tributária também pesou, e o dólar subiu 1,40% no dia em que o texto saiu.
Exato, são fatores somados. A fonte não separa quanto cada um contribuiu.
E lá fora, o clima era bom?
Sim, o emprego americano veio forte, com 850 mil vagas, e o S&P 500 bateu recordes.
A previsão de turbulência prolongada é da XP, uma avaliação, não um fato. O que está confirmado são os números do fechamento.
E o Ibovespa?
Subiu 1,56% na sexta, a 127.621 pontos, ajudado por estrangeiros e pela produção industrial.
Le Pouls
- O dólar subiu 2,4% na semana e rompeu a barreira psicológica de R$ 5, deixando investidores em alerta.
- As denúncias de corrupção na compra de vacinas, expostas pela CPI da Covid, estão tomando conta da pauta do governo.
- No Ministério da Economia, o temor é que o escândalo contamine as reformas tributária e estrutural em discussão no Congresso.
- A XP prevê que a turbulência se arraste até os novos depoimentos da próxima semana, sem sinal claro de alívio.
- Enquanto isso, o Ibovespa se recuperou e a Bolsa atraiu capital estrangeiro, mas a sombra política segue sobre o câmbio.
Numa sexta-feira de início de julho de 2021, o dólar fechou em R$ 5,054 e encerrou a semana com a maior alta desde março, em um momento em que o Brasil ainda media cada passo pela pandemia. O estopim foi a CPI da Covid no Senado, cujas revelações sobre suspeitas de corrupção na compra de vacinas começaram a pesar sobre o governo e sobre o humor dos investidores. Num país que vinha tentando reencontrar o rumo econômico, a incerteza política voltou a se sobrepor às boas notícias vindas de fora, como o forte mercado de trabalho americano. A dúvida que fica é se o ruído de Brasília vai atrasar as reformas que a economia espera.
Na sexta-feira (2), o dólar fechou a R$ 5,054 e subiu 2,4% na semana, a maior alta semanal desde março. Foi o quarto pregão seguido de valorização, e a moeda americana chegou a estar abaixo de R$ 5 poucos dias antes.
O principal motivo foi a CPI da Covid no Senado. Por semanas o mercado relativizou o que saía das sessões, mas as denúncias de corrupção na compra de vacinas passaram a pressionar o governo e a pesar sobre os investidores. Dentro do Ministério da Economia, o receio é que esse cenário atrase as reformas e mude o formato final dos textos em discussão.
A segunda fase da reforma tributária, apresentada na semana anterior, também desagradou ao mercado e fez o dólar subir 1,40% em um único dia. Para analistas, romper os R$ 5 pode abrir espaço para novas apostas de alta da divisa.
Lá fora, o cenário era mais favorável: os Estados Unidos criaram 850 mil vagas em junho e as bolsas americanas renovaram recordes. No Brasil, o Ibovespa se recuperou e a Bolsa recebeu capital estrangeiro, mas a atenção agora se volta para os depoimentos da CPI na próxima semana.
Na sexta-feira (2), o dólar fechou a R$ 5,054, em alta de 0,17%, a máxima em duas semanas. Foi o quarto pregão seguido de valorização e encerrou uma semana em que a moeda americana subiu 2,4%, o maior avanço semanal desde 26 de março, quando a alta havia sido de 4,65%. Poucos dias antes, a cotação tinha caído abaixo de R$ 5.
O motivo central foi o risco político em torno da CPI da Covid, instalada no Senado. O mercado vinha minimizando o que saía das sessões, mas passou a sentir o peso delas nesta semana, conforme cresceu a pressão sobre o governo diante de denúncias de corrupção na compra de vacinas. No intervalo, o real foi a terceira moeda global que mais se desvalorizou, atrás apenas do dólar do Suriname e da nova libra sudanesa.
A XP avaliou, em nota, que, com novos depoimentos marcados para a semana seguinte, o período turbulento tende a se arrastar. No Ministério da Economia, o receio é que o ambiente prejudique a agenda no Congresso. Assessores do ministro Paulo Guedes calculam o risco de o cenário de escândalos afetar tanto o andamento das reformas estruturais quanto o formato final dos textos em discussão em Brasília.
O noticiário sobre reformas também desagradou. O mercado ainda digeria o texto da segunda fase da reforma tributária, apresentado uma semana antes, que causou mal-estar entre agentes financeiros. No dia da publicação, o dólar chegou a subir 1,40%. Para a leitura do mercado, depois de romper a barreira psicológica de R$ 5, é natural que a tendência se inverta e volte a apostar na alta da divisa.
Os números ajudam a situar o movimento. Nas quatro altas consecutivas, a cotação acumulou ganho de 2,51%, série que não se via desde as quatro altas entre 24 e 29 de março. Naquela ocasião, o motivo era a piora da pandemia no Brasil e na Europa, a deterioração das expectativas para a economia e as contas públicas e a discussão sobre a extensão do auxílio emergencial. Em duas sessões de julho, a moeda sobe 1,53%, o que reduz a desvalorização no ano para 2,68%.
O tom cauteloso no país ofuscou o clima favorável a risco lá fora. Os Estados Unidos criaram 850 mil vagas de trabalho em junho, acima do esperado, mas a relativa acomodação nos rendimentos e a alta da taxa de desemprego favorecem a expectativa de que o Fed não precisará de movimento brusco nos juros. Em Nova York, o S&P 500 renovou máximas históricas, com alta de 0,75%; o Dow Jones subiu 0,44% e o Nasdaq, 0,81%.
Com o impulso americano, o Ibovespa se recuperou de três quedas e avançou 1,56%, a 127.621 pontos, com ganho de 0,3% na semana. A produção industrial de maio, segundo o IBGE, cresceu 1,4%, abaixo do esperado, mas voltou ao nível pré-pandemia. Economistas do Itaú Unibanco avaliaram que os serviços se recuperam com mais clareza e o setor de bens segue sustentado, o que deve acelerar o PIB no terceiro trimestre de 2021. A Bolsa também recebe estrangeiros: de janeiro a junho, entraram R$ 65,6 bilhões líquidos, contando IPOs e follow-ons, e R$ 48 bilhões sem eles, recorde para um primeiro semestre.
Entre as ações, a BR Distribuidora subiu 2,76% após o follow-on da Petrobras, que movimentou R$ 11,36 bilhões; a Petrobras ganhou 0,41%. O BTG Pactual avançou 4,34% ao vender sua fatia de 49% na Credpago para a Loft, com ganho estimado em R$ 1,4 bilhão. Bradesco subiu 2,39% e Itaú Unibanco, 1,08%. Vale teve alta de 2,07%, Ultrapar de 4,24% e Magazine Luiza de 4,59%. A Tegma disparou 12,9% após proposta da JSL, que inclui R$ 989 milhões e 49,4 milhões de novas ações; a JSL subiu 5,97%. A atenção agora se volta aos depoimentos da CPI na próxima semana.
Citations marquantes
Com novos depoimentos marcados para a semana que vem, a tendência é que o período turbulento se arraste.— XP, em nota