Em meio ao eco distante de conflitos geopolíticos e à véspera de uma escolha democrática, o real cedeu terreno ao dólar nesta quinta-feira, refletindo o movimento universal dos investidores em busca de abrigo seguro. A moeda americana fechou a R$ 5,2239 — alta de quase 1% —, pressionada tanto pela guerra no Oriente Médio quanto pela cautela natural que antecede eleições. É o momento em que o mundo e o Brasil falam ao mesmo tempo, e os mercados tentam ouvir a ambos.
Dólar sobe 1% e ultrapassa R$ 5,20 com tensões globais e eleições no Brasil
Investidor buscando proteção diante da guerra e dos juros altos
Por que o dólar subiu tanto hoje se o real vinha caindo menos no ano?
Porque hoje o movimento foi principalmente global. A guerra no Oriente Médio voltou a assustar investidores, o euro caiu para mínima de 17 meses, e todo mundo buscou dólar como proteção. Aqui no Brasil, a gente tem eleição em três dias, então havia cautela adicional.
Mas o dólar caiu 0,76% ontem. Quanto disso é realmente novo risco global e quanto é só reversão técnica?
Gass mencionou explicitamente uma "devolução natural" da queda anterior. Então sim, parte é reversão. Mas o índice do dólar subiu 0,53% globalmente, então não é só Brasil.
Os investidores estavam esperando a pesquisa do Datafolha. Isso significa que o resultado pode mexer com a cotação amanhã?
Provavelmente. Pesquisas eleitorais movem mercados quando há incerteza sobre o resultado. A cautela pré-eleitoral que Gass mencionou sugere que sim.
A gente sabe o que a pesquisa vai mostrar? Ou é realmente incógnita?
A matéria não diz. Só que estava programada para o início da noite de quinta. Não há informação sobre o resultado.
E quanto aos juros altos lá fora que foram mencionados? Isso é tão importante quanto a guerra?
Segundo Gass, sim. Ele citou "juros altos lá fora também" como razão para o fortalecimento do dólar. Investidor busca dólar tanto por segurança quanto por retorno.
Mas a matéria não detalha quais são esses juros ou em que contexto. É uma afirmação sem números.
Verdade. Fica como contexto geral, não como dado específico.
Il Polso
- Conflitos entre EUA, Israel e Irã reacenderam o apetite global por dólar, derrubando o euro ao nível mais fraco em 17 meses e pressionando moedas de todo o espectro — das fortes às emergentes.
- O real acompanhou a onda: após abrir próximo à estabilidade, a cotação escalou até R$ 5,24 no meio da tarde, encerrando o dia com alta de 0,97% a R$ 5,2239.
- A três dias das eleições presidenciais, a incerteza doméstica amplificou o movimento externo, com investidores aguardando nova pesquisa do Datafolha e acompanhando debate e entrevistas dos candidatos.
- Analistas apontam que o recuo é em parte uma correção técnica após o dólar ter caído 0,76% na quarta-feira, e que o quadro anual ainda mostra a moeda americana em baixa de 4,83% frente ao real.
Em meio ao eco distante de conflitos geopolíticos e à véspera de uma escolha democrática, o real cedeu terreno ao dólar nesta quinta-feira, refletindo o movimento universal dos investidores em busca de abrigo seguro. A moeda americana fechou a R$ 5,2239 — alta de quase 1% —, pressionada tanto pela guerra no Oriente Médio quanto pela cautela natural que antecede eleições. É o momento em que o mundo e o Brasil falam ao mesmo tempo, e os mercados tentam ouvir a ambos.
A quinta-feira chegou com pressão sobre o real. O dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,97%, fixando-se em R$ 5,2239, enquanto o contrato futuro para novembro na B3 subia para R$ 5,2500. Apesar do movimento do dia, a moeda americana ainda acumula queda de 4,83% no ano.
O principal motor foi externo. A persistência dos conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã voltou a agitar os mercados europeus pela manhã, levando o euro à cotação mais fraca em 17 meses. O dólar avançou também contra a libra, o franco suíço e moedas emergentes como o rand sul-africano, o peso mexicano e o peso chileno. O índice do dólar subia 0,53%, refletindo a corrida global por proteção.
Jefferson Rugik, da Correparti Corretora, sintetizou o ambiente: dólar forte lá fora, petróleo em alta, investidores buscando segurança. Nicolas Gass, da GT Capital, acrescentou que, além do cenário global, havia no Brasil uma devolução natural da queda da véspera e uma cautela legítima diante das eleições.
No plano doméstico, o país estava a três dias do primeiro turno. Investidores aguardavam nova pesquisa do Datafolha sobre a corrida presidencial, enquanto um debate na TV Globo reuniria candidatos — com o senador Flávio Bolsonaro confirmado e o presidente Lula optando por uma entrevista em podcast no mesmo horário. A confluência de tensão geopolítica e incerteza eleitoral criou o pano de fundo que os mercados traduziram em números.
A quinta-feira trouxe pressão ao real. O dólar à vista fechou em alta de 0,97%, alcançando R$ 5,2239, enquanto o contrato futuro para novembro na B3 subia 0,69% para R$ 5,2500. A cotação comercial se fixou em R$ 5,220 na compra e venda. Acumulado no ano, porém, a moeda americana ainda registra queda de 4,83%.
O movimento refletiu uma dinâmica global de busca pela moeda norte-americana. Conflitos persistentes envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã voltaram a pressionar mercados europeus pela manhã, levando o euro a sua cotação mais fraca em 17 meses frente ao dólar. A moeda americana avançava também contra outras divisas fortes — libra e franco suíço — e ganhava terreno ante moedas emergentes como o rand sul-africano, o peso mexicano e o peso chileno. Esse movimento se intensificou a partir do fim da manhã, com o dólar renovando máximas contra a maioria das demais moedas, incluindo o real.
Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora, resumiu o cenário: o dólar estava mais forte no exterior, o índice do dólar em patamares elevados, o petróleo em alta. Tudo apontava para aversão ao risco dos investidores correndo para proteção em dólar. Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, complementou a análise: o movimento era principalmente global, com a moeda americana se fortalecendo porque investidores buscavam proteção diante da guerra e dos juros altos no exterior. Aqui dentro, havia cautela antes das eleições e uma devolução natural também da queda registrada na quarta-feira, quando o dólar havia fechado em baixa de 0,76%.
O dia começou com a mínima de R$ 5,1698 (queda de 0,07%) às 9h40. A máxima chegou a R$ 5,2400 (alta de 1,29%) às 13h57, mantendo-se em patamares elevados ao longo da tarde. O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, subia 0,53% para 102,040 às 17h06.
No Brasil, a três dias das eleições, o noticiário político seguiu no radar dos agentes de mercado. Investidores aguardavam nova pesquisa do Datafolha sobre a corrida presidencial, programada para o início da noite. Havia também debate entre presidenciáveis na TV Globo: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estava previsto para participar, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concederia entrevista a um podcast no mesmo horário. A combinação de tensões geopolíticas globais e incerteza eleitoral doméstica criava um cenário de cautela que se refletia nas cotações.
Citazioni salienti
O dólar está mais forte lá fora, com o DXY em patamares elevados, o petróleo subindo. É a aversão ao risco dos investidores correndo para o dólar.— Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora
É um movimento, principalmente, global, com a moeda americana se fortalecendo porque o investidor acaba buscando uma proteção diante da guerra e diante dos juros altos lá fora também.— Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital