Dólar salta 2% com invasão da Ucrânia, mas fecha longe das máximas do dia

A ofensiva russa por terra, mar e ar levou dezenas de milhares de pessoas a fugir de suas casas na Ucrânia.
Mark

Por que o dólar subiu tanto no Brasil por causa de uma guerra na Europa?

Mimi

Porque a invasão disparou a aversão a risco. Investidores fogem de emergentes e buscam o dólar, visto como porto seguro. O índice de emergentes do JPMorgan caiu 1,8%, a maior queda desde março de 2020.

Mark

E por que o dólar fechou longe das máximas?

Mimi

Biden disse que o ataque se desenrolava em grande parte como o previsto, e isso acalmou parte do mercado. O pico foi de 3,23%, e o fechamento, de 2,03%, a 5,1049 reais.

Luke

Vale separar o que é fato do que é interpretação. A relação entre a melhora da tarde e a fala de Biden é a leitura da reportagem; o texto não prova que foi só isso.

Mark

Os indicadores de opções dizem algo a mais?

Mimi

Mostram nervosismo. A volatilidade implícita chegou a 17,21% ao ano, e a relação entre calls e puts foi a 2,1 antes de cair para 1,53. O volume de contratos foi o maior em cinco meses.

Luke

Cuidado com a frase de que isso poderia significar mais demanda por dólar nos próximos dias. É uma possibilidade, não uma previsão confirmada.

Mark

E a visão do UBS?

Mimi

Eles veem o dólar como posição tática atraente, sustentado por expectativas de seis ou sete altas de juros nos EUA. Mas lembram que commodities em alta podem proteger.

Luke

Isso é a opinião de um banco, não um fato. E o texto não diz até onde vai o efeito da guerra nem das sanções sobre o câmbio.

Mark

O que fica em aberto?

Mimi

Se o dólar volta a testar as máximas e como o mercado reage às novas sanções. O rublo, que caiu 5%, segue como termômetro.

  • O dólar disparou 2,03% e fechou a R$ 5,1049, a maior alta desde setembro, após a Rússia invadir a Ucrânia.
  • No pico do dia a moeda chegou a subir 3,23%, enquanto a volatilidade das opções atingia 17,21% ao ano.
  • O índice de emergentes do JPMorgan despencou 1,8%, a maior queda desde o início da pandemia, e o rublo perdeu 5%.
  • Investidores correram para proteção, mas o fechamento mais calmo sugere que o mercado busca equilíbrio, com o UBS apostando no dólar como porto seguro.

Num dia em que a guerra irrompeu no leste europeu, o dólar brasileiro subiu com força, como quem reconhece na incerteza global um velho companheiro de refúgio. Ainda assim, ao fim da tarde, a moeda recuou em direção ao chão, sinal de que os mercados, apesar do susto, aprenderam a conviver com o que parecia impensável. Foi mais um capítulo em que o medo do mundo se traduz em números, e os números, por fim, tentam acalmar o medo.

O dólar fechou a quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022, cotado a R$ 5,1049, com alta de 2,03%. Foi a maior valorização em um único dia em mais de cinco meses. O motivo foi a invasão da Ucrânia pela Rússia, que sacudiu a aversão a risco nos mercados.

O dia teve duas fases. No pico, a moeda chegou a subir 3,23%, a R$ 5,165. Ao longo da tarde, a turbulência diminuiu e o dólar encerrou longe das máximas. Joe Biden afirmou que o ataque russo se desenrolava em grande parte como previsto, e analistas avaliaram que os mercados vinham lidando relativamente bem com o que muitos consideravam um risco extremo.

A incerteza, porém, deixou marcas. A volatilidade implícita nas opções de dólar subiu a 17,21% ao ano, e o volume de contratos futuros chegou ao maior nível em cinco meses, sinal de investidores reposicionando carteiras. Lá fora, o índice de emergentes do JPMorgan caiu 1,8%, e o rublo perdeu 5%, em mínimas recordes, enquanto novas sanções ocidentais eram anunciadas.

No campo de batalha, a ofensiva por terra, mar e ar levou dezenas de milhares de pessoas a fugir de casa, no maior ataque a um Estado europeu desde a Segunda Guerra. Para o UBS, o dólar tende a se fortalecer em tempos de incerteza, sustentado por expectativas de altas de juros nos EUA, enquanto as commodities em alta podem servir de proteção. O Ibovespa, puxado por empresas ligadas a commodities, reduziu a queda do dia a 0,7%.

O dólar fechou a quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022, cotado a 5,1049 reais na venda no mercado interbancário, com alta de 2,03%. Foi a maior valorização percentual em um único dia em mais de cinco meses, desde o salto de 2,84% registrado em 8 de setembro do ano anterior. O motivo foi a invasão da Ucrânia pela Rússia, que fez disparar a aversão a risco nos mercados.

O dia, porém, teve duas fases. No pico, a moeda chegou a subir 3,23% e foi a 5,165 reais. Na mínima, a alta era de 0,62%, a 5,0342 reais. Na véspera, a cotação havia chegado a descer à casa de 4,99 reais. Ao longo da tarde, a turbulência diminuiu e o dólar encerrou a alguma distância das máximas da sessão.

A melhora relativa veio depois de o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, dizer que o ataque militar russo estava se desenrolando em grande parte como as autoridades americanas haviam previsto. Mohamed El-Erian, conselheiro da Allianz com passagem pela PIMCO, comentou em uma postagem que aquele era o início do choque Rússia-Ucrânia, mas que os mercados financeiros vinham lidando relativamente bem, em termos de preços e funcionamento, com o que muitos consideravam um risco de cauda.

Os indicadores de incerteza, no entanto, mostraram a tensão. A volatilidade implícita nas opções de dólar/real para um mês foi a um pico de 17,21% ao ano, contra 15,017% no fechamento anterior, a maior desde novembro do ano passado, antes de recuar dos níveis mais altos do dia. A relação entre a demanda por opções de compra e por opções de venda de dólar, também para um mês, chegou a 2,1, máxima desde 14 de julho, e depois voltou a 1,53, ainda bem acima das mínimas recentes.

A volatilidade obrigou investidores a rever posições em massa, e o volume de contratos negociados no mercado futuro foi ao maior número em cinco meses. Movimentos com giro forte costumam indicar mudanças estruturais de posicionamento, o que, no cenário atual, poderia significar maior demanda por dólar nos próximos dias.

A alta no Brasil refletiu o desempenho da moeda americana frente a todo o conjunto de divisas emergentes. Um índice do JPMorgan para esse grupo caía 1,8% no fim da tarde, a maior queda desde março de 2020, no início da pandemia de Covid-19. O rublo, que responde por 8,33% do índice, perdia 5% e tinha de novo o pior desempenho global, com mínimas recordes, enquanto investidores avaliavam novas sanções do Ocidente contra Moscou.

No campo de batalha, forças ucranianas enfrentaram os russos em três frentes, depois de incursões por terra, mar e ar. Foi o maior ataque a um Estado europeu desde a Segunda Guerra Mundial, e levou dezenas de milhares de pessoas a fugir de casa. Na Casa Branca, Biden anunciou novas e severas sanções coordenadas com aliados e afirmou que se tratava de um ataque premeditado: Putin era o agressor, escolheu a guerra e ele e seu país arcariam com as consequências.

Analistas veem o dólar como possível vencedor. O UBS lembrou que a moeda é um porto seguro, que tende a se recuperar em períodos de incerteza geopolítica, e que as expectativas de seis ou sete aumentos de juros nos EUA devem sustentá-la nos próximos meses. Por isso, o banco a considera uma posição cambial tática atraente. Ponderou, contudo, que as commodities em alta podem funcionar como proteção geopolítica. Essa valorização tem sido apontada como fator central para o bom começo de ano dos mercados brasileiros. O Ibovespa, de forte peso de empresas ligadas a commodities, reduziu a queda do dia a 0,7%, longe do recuo de 2,57% de mais cedo.

Putin é o agressor. Putin escolheu esta guerra. E agora ele e seu país vão arcar com as consequências.
— Joe Biden, presidente dos EUA
O dólar é uma moeda porto seguro que tende a se recuperar em períodos de maior incerteza geopolítica.
— UBS, em nota
Contact Us FAQ