Dólar fechou a R$ 5,86 em queda de 0,50%, revertendo alta de 0,92% do dia anterior. EUA confirmou tarifas de 145% sobre produtos chineses; China retalhou com sobretaxa de 125% sobre itens americanos.
Dólar cai e Bolsa dispara com trégua de Trump nas tarifas
O mercado decidiu dar um voto de confiança a Trump
Por que o mercado reagiu tão positivamente se a guerra tarifária entre EUA e China estava escalando?
Trump sinalizou que quer negociar com os presidentes afetados. Os investidores interpretaram isso como um possível recuo, não como uma escalada permanente.
Mas ele já havia confirmado tarifas de 145% na quinta. Como sabemos se essa sinalização é genuína ou apenas retórica?
E quanto ao dólar? Por que caiu se há incerteza geopolítica?
O dólar caiu globalmente. Investidores estão preferindo moedas de países desenvolvidos como euro e iene. O real ganhou, mas menos do que poderia.
Exatamente. O real não se valorizou porque o Brasil é visto como seguro — caiu porque o dólar enfraqueceu em todo lugar. São coisas diferentes.
Os dados econômicos brasileiros ajudaram?
Sim. A inflação desacelerou e a atividade econômica superou expectativas. Isso deu confiança.
Mas o IPCA de março foi o maior desde 2023. Isso é realmente bom?
Comparado a fevereiro, sim. Mas há sinais de que a inflação ainda é um desafio.
Então o otimismo é frágil?
Depende. Se Trump realmente negocia, muda tudo. Se não, voltamos à volatilidade.
E ninguém sabe ainda qual será. Por isso o mercado está apenas respirando, não celebrando.
Der Puls
- Dólar fechou a R$ 5,86 em queda de 0,50%
- Ibovespa avançou 1,05% para 127.682 pontos
- EUA confirmou tarifas de 145% sobre produtos chineses; China retalhou com 125%
- IPCA subiu 0,56% em março, desacelerando em relação a fevereiro (1,31%)
- IBC-Br registrou alta de 0,4% em fevereiro, superando expectativas
Dólar fechou a R$ 5,86 em queda de 0,50%, revertendo alta de 0,92% do dia anterior. EUA confirmou tarifas de 145% sobre produtos chineses; China retalhou com sobretaxa de 125% sobre itens americanos.
Mercados brasileiros recuperam-se com queda do dólar (0,50%) e alta do Ibovespa (1,05%), apesar de escalada tarifária entre EUA e China.
Os mercados brasileiros respiraram fundo nesta sexta-feira. Depois de um dia anterior marcado por turbulência, o dólar recuou 0,50% e fechou cotado a R$ 5,86, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, avançou 1,05% e atingiu 127.682 pontos. A recuperação inverteu completamente o movimento de quinta-feira, quando a moeda americana havia subido 0,92% e o índice acionário desabara 1,13%.
O alívio nos mercados ocorreu em meio a um cenário internacional ainda repleto de tensões. Na quinta-feira, o governo americano confirmou tarifas de 145% sobre produtos importados da China. A resposta chinesa veio rápida: no dia seguinte, Pequim impôs uma sobretaxa de 125% sobre itens americanos, elevando a taxa anterior que estava em 84%. Apesar dessa escalada na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo, os investidores optaram por uma leitura mais otimista dos acontecimentos.
A queda do dólar não foi um fenômeno isolado do Brasil. Em escala global, a moeda americana enfraqueceu. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas de países desenvolvidos, recuava 0,78% no horário de fechamento. Comparativamente, a moeda americana também caía 0,57% em relação ao peso mexicano. Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o fluxo internacional de capital tem se direcionado principalmente para moedas de economias desenvolvidas, como o euro e o iene, deixando as divisas de países emergentes com menor atenção dos investidores e limitando ganhos mais expressivos do real.
Os mercados acionários globais apresentaram um quadro misto. Na Ásia, não houve uma direção única. O índice Nikkei de Tóquio caiu 2,96%, enquanto o Kospi de Seul recuou 0,5%. Taiwan, porém, registrou alta de 2,78% no Taiex. Na Europa, o cenário também foi heterogêneo: o Stoxx 600, que acompanha empresas de 17 países, fechou em leve queda de 0,15%, enquanto a Bolsa de Londres avançou 0,63%. Frankfurt e Paris, por sua vez, registraram quedas de 1,19% e 0,52%, respectivamente.
Nos Estados Unidos, as principais praças acionárias recuperaram-se. O S&P 500 subiu 1,84%, o Dow Jones avançou 1,72% e o Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia, ganhou 1,98%. Todos se recuperaram parcialmente das perdas do dia anterior. No Brasil, as ações de maior peso impulsionaram o índice para cima. A Petrobras, que vinha acumulando sucessivas quedas devido à queda dos preços internacionais do petróleo, registrou elevação de até 2,72%.
No front doméstico, os investidores acompanharam a divulgação de dados econômicos importantes. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,56% em março, desacelerando em relação a fevereiro, quando havia atingido 1,31%, mas representando o maior índice mensal desde 2023, quando ficou em 0,71%. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto, registrou alta de 0,4% em fevereiro, superando as expectativas do mercado, que projetava uma elevação entre 0,15% e 0,20%.
Para Emerson Vieira Junior, responsável pela mesa de câmbio da Convexa Investimentos, o mercado decidiu dar um "voto de confiança" ao presidente americano nesta sexta-feira. Trump havia feito declarações afirmando que pretende negociar com os presidentes dos países afetados pelas tarifas, o que foi interpretado pelos investidores como um possível sinal de desescalada na guerra comercial. Essa leitura, ainda que cautelosa, foi suficiente para reverter o pessimismo do dia anterior e impulsionar os ativos de risco.
Bemerkenswerte Zitate
Dentro deste contexto de incertezas, observa-se um fluxo internacional direcionado principalmente às moedas de países desenvolvidos, como o euro e o iene— Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad
O mercado resolveu dar um voto de confiança para Trump nesta sexta-feira, afinal ele deu declarações afirmando que vai negociar com os presidentes dos países afetados pelas tarifas— Emerson Vieira Junior, responsável pela mesa de câmbio da Convexa Investimentos