Em meio a sinais de distensão diplomática no Oriente Médio, os mercados brasileiros encontraram nesta terça-feira um momento de respiro: o dólar recuou, o Ibovespa registrou sua quinta alta consecutiva e o petróleo caiu abaixo de patamares que, há poucos meses, pareciam intocáveis. O alívio não apaga as incertezas — sanções, inflação e capital volátil ainda rondam o horizonte —, mas sugere que, quando a geopolítica cede um passo, os mercados não hesitam em avançar dois.
Dólar cai e Bolsa dispara com queda forte do petróleo abaixo de US$ 90
O mercado respirava mais fundo, mas ainda observava atentamente
Por que a queda do petróleo teve tanto peso nessa recuperação? Não é só um número internacional?
Não é só um número. Quando o petróleo cai, reduz pressões inflacionárias globais, melhora a conta corrente de países importadores como o Brasil, e sinaliza que a tensão geopolítica está arrefecendo. Tudo isso junto muda o humor do mercado.
Mas a queda do petróleo foi realmente por negociações, ou foi especulação? A Reuters diz que o apoio militar americano caiu para 31%, mas isso é opinião pública, não é política oficial.
Entendi. E o capital externo que voltou — R$ 1,7 bilhão — isso é suficiente para reverter agosto?
Não é suficiente para reverter, mas é um sinal. Agosto ainda tem saldo negativo expressivo. O que importa é se essa entrada continua ou se foi apenas um alívio momentâneo.
Exatamente. Uma sessão não faz tendência. E a Petrobras caiu enquanto o Ibovespa subiu — isso mostra que o mercado está dividido sobre o que as negociações significam.
E o IPCA-15 de amanhã — pode mudar tudo de novo?
Pode. Se vier acima do esperado, os juros futuros podem subir de novo, e o apetite por risco desaparece.
Mas ninguém sabe ainda qual é o esperado. O que sabemos é que em 12 meses acumulou 4,52%, e isso é informação real.
Der Puls
- O petróleo Brent despencou 3,61%, abaixo de US$ 90, arrastado por negociações entre EUA e Irã mediadas por Omã — um sinal raro de descompressão em um conflito que já dura meses.
- As ameaças de novas sanções americanas ao Irã foram lidas como genéricas pelo mercado, evitando o pânico que teriam causado semanas atrás.
- R$ 1,7 bilhão em capital externo retornou ao Brasil nesta sessão, interrompendo uma fuga que havia marcado agosto e pressionado o câmbio.
- O Ibovespa fechou em 174,5 mil pontos, puxado por bancos e Vale, enquanto a Petrobras caiu na contramão, penalizada pela queda do petróleo.
- Investidores já miram o IPCA-15 de agosto, previsto para quarta-feira, que pode redefinir as apostas sobre juros e o apetite por ativos brasileiros.
Em meio a sinais de distensão diplomática no Oriente Médio, os mercados brasileiros encontraram nesta terça-feira um momento de respiro: o dólar recuou, o Ibovespa registrou sua quinta alta consecutiva e o petróleo caiu abaixo de patamares que, há poucos meses, pareciam intocáveis. O alívio não apaga as incertezas — sanções, inflação e capital volátil ainda rondam o horizonte —, mas sugere que, quando a geopolítica cede um passo, os mercados não hesitam em avançar dois.
A terça-feira trouxe alívio aos mercados brasileiros. O dólar fechou a R$ 5,13, com queda de 0,25%, enquanto o Ibovespa avançou 1,56%, atingindo 174,5 mil pontos — sua quinta alta consecutiva após uma sequência de onze quedas. O apetite por risco voltou a circular, impulsionado por um fator externo de peso: a queda acentuada do petróleo.
O barril Brent recuou 3,61%, para US$ 87,27, e o WTI caiu 3,12%, para US$ 82,36. Ambos permaneciam abaixo de US$ 90 — um nível que teria parecido improvável meses atrás, quando a guerra no Oriente Médio, deflagrada em fevereiro, havia empurrado o petróleo para a casa dos US$ 70 e depois para além disso. A queda recente refletia negociações entre Estados Unidos e Irã, intermediadas por Omã. Embora Washington tivesse ameaçado Teerã com sanções na véspera, os agentes econômicos as leram como genéricas. A tensão não desapareceu, mas a diplomacia ganhava terreno — e pesquisas mostravam que o apoio americano à ação militar havia caído para 31%.
No Brasil, além do vento externo favorável, havia um fator doméstico relevante: o retorno de capital estrangeiro. Analistas da Convexa estimaram que R$ 1,7 bilhão entraram no país nesta sessão, interrompendo a forte fuga que havia marcado o mês. Agosto ainda acumulava saldo negativo, mas o movimento sinalizava uma possível virada. O Ibovespa foi sustentado por bancos e Vale; a Petrobras, na contramão, caiu com as notícias sobre o Irã. Os juros futuros também recuaram, acompanhando a queda dos Treasuries americanos.
O próximo teste chegaria na quarta-feira, com a divulgação do IPCA-15 de agosto. Na leitura anterior, o índice acumulava alta de 4,52% em 12 meses. Os números de inflação poderiam reconfigurar as expectativas sobre juros e, com elas, o humor dos investidores. Por ora, porém, o mercado respirava com mais leveza.
A terça-feira trouxe alívio aos mercados brasileiros. O dólar recuou 0,25% frente ao real, fechando a R$ 5,13, enquanto o Ibovespa disparou 1,56%, atingindo 174,5 mil pontos. Era a quinta alta consecutiva do principal índice da Bolsa, interrompendo uma sequência de onze quedas anteriores. O movimento refletia um apetite renovado por ativos de risco em um dia que, apesar de alguns ruídos geopolíticos, não trouxe grandes sobressaltos para o cenário econômico global.
O motor dessa recuperação foi a queda acentuada do petróleo. O barril Brent, referência internacional, recuou 3,61%, cotado a US$ 87,27. O WTI, que baliza o mercado americano, caiu 3,12%, para US$ 82,36. Ambos permaneciam abaixo da marca de US$ 90, um patamar que teria parecido inimaginável meses antes. Para contextualizar: antes da guerra no Oriente Médio, deflagrada em 28 de fevereiro, o petróleo estava na casa dos US$ 70. A queda recente sinalizava uma mudança no cenário de tensão regional.
Essa mudança tinha origem nas negociações entre Estados Unidos e Irã, intermediadas por Omã. Embora Washington tivesse ameaçado Teerã com novas sanções econômicas na segunda-feira, as medidas foram consideradas genéricas pelos agentes econômicos e não provocaram o pânico que poderiam ter causado semanas antes. A tensão no Oriente Médio não havia desaparecido, mas havia sinais de que uma solução diplomática ganhava terreno. Havia também um desgaste crescente do governo americano com o conflito: segundo pesquisa da Reuters, o apoio da população à ação militar havia caído para 31%, ante 37% em março.
No Brasil, o movimento do câmbio acompanhou a tendência global. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes, registrava leve baixa de 0,07%, aos 99,82 pontos. Mas havia um fator doméstico importante: o retorno do capital externo. Segundo analistas da Convexa, R$ 1,7 bilhão entraram no país nesta sessão, interrompendo a forte fuga de capital que havia marcado agosto. O mês ainda acumulava saldo negativo expressivo, mas o movimento de terça-feira sinalizava uma possível reversão.
O Ibovespa subiu sustentado principalmente por ações de bancos e pela Vale. A Petrobras, por sua vez, caiu com as notícias de negociações entre Irã e Estados Unidos. Os juros futuros também recuaram, especialmente nos vencimentos intermediários e longos, acompanhando a queda dos rendimentos dos Treasuries, os títulos da dívida americana. Nas bolsas globais, o movimento foi mais modesto: o S&P 500 avançou 0,24%, o Dow Jones 0,30%, e o Nasdaq 0,50%, este último impulsionado por ações de tecnologia e defesa.
O próximo ponto de atenção para os investidores era o IPCA-15 de agosto, a ser divulgado na quarta-feira. Na leitura anterior, o índice havia avançado 0,06% no mês e acumulado alta de 4,52% em 12 meses. Os números de inflação poderiam influenciar as expectativas sobre as taxas de juros nos próximos meses e, consequentemente, o apetite por ativos brasileiros. Por enquanto, porém, o mercado respirava mais fundo.
Bemerkenswerte Zitate
O Ibovespa subiu sustentado pela alta de ações dos bancos e da Vale, enquanto a Petrobras caiu com as notícias de negociações entre Irã e Estados Unidos— João Vitor Saccardo, responsável pela mesa de renda variável da Convexa
A queda do dólar ganhou fôlego no Brasil com o retorno do capital externo, que interrompeu a forte fuga de agosto— Emerson Junior, mesa de câmbio da Convexa