Dólar cai e Bolsa dispara com alívio geopolítico e queda do petróleo

O petróleo despencou, e com ele, os temores inflacionários globais
A queda de 3,31% no barril Brent reverbera nos mercados brasileiros, trazendo alívio ao câmbio e às ações.
Mark

Por que o mercado reagiu tão rápido a essas negociações entre EUA e Irã? Elas parecem ainda bastante incertas.

Mimi

Porque o petróleo caiu 3% em poucas horas. Quando o petróleo cai, a inflação global fica menos assustadora, e isso muda o apetite de risco dos investidores.

Luke

Mas espera — o porta-voz iraniano negou que a questão nuclear entrou nas negociações. Então o que exatamente foi acordado?

Mimi

Boa pergunta. O que sabemos é que os EUA suspenderam temporariamente sanções contra o comércio de petróleo iraniano até 21 de agosto. O resto é interpretação.

Mark

E no Brasil, o que mudou? A inflação ainda está acima da meta.

Mimi

Verdade. Mas o Focus mostrou que o mercado espera juros em 14% até o fim do ano, e isso atrai investidores estrangeiros que pegam dinheiro barato lá fora e investem aqui.

Luke

Isso é o carry trade. Mas é sustentável? Se a inflação continuar subindo, o Banco Central pode ter que apertar ainda mais.

Mimi

Exatamente. Por isso o mercado aguarda a ata do Copom com tanta atenção — ela vai sinalizar se o BC vai mesmo manter juros altos por mais tempo.

Mark

E a pesquisa do Datafolha que o Perri mencionou — como ela entra nisso?

Mimi

Ela renovou esperanças de mudança de governo em outubro. Isso trouxe alívio à curva de juros porque o mercado vê possibilidade de mudança de política fiscal.

Luke

Mas isso é especulação sobre eleições, não é fato econômico. O dólar caiu 0,46% — é uma queda pequena, não é?

Mimi

Pequena, sim. Mas depois de uma alta de 2% na semana anterior, é um respiro.

  • A tensão entre EUA e Irã havia elevado o petróleo e o dólar na semana anterior, deixando os mercados brasileiros sob pressão.
  • O anúncio americano de suspensão de sanções ao petróleo iraniano derrubou o Brent 3,31%, para US$ 77,90, aliviando o temor inflacionário global.
  • O Banco Central realizou leilões simultâneos de US$ 2 bilhões para normalizar a liquidez, enquanto o Ibovespa disparava 1,21% e o dólar cedia 0,46%.
  • O Boletim Focus trouxe a 15ª alta consecutiva nas expectativas de inflação, com IPCA 2026 em 5,33% e Selic projetada em 14% — acima das metas.
  • O mercado aguarda a ata do Copom nesta terça para confirmar se os juros permanecerão elevados por mais tempo, mantendo o carry trade atrativo para estrangeiros.
  • A pesquisa Datafolha do fim de semana, que renovou esperanças de mudança de governo em outubro, também contribuiu para o alívio no câmbio e na curva de juros.

Na segunda-feira, os mercados brasileiros encontraram alívio num gesto diplomático distante: o anúncio americano de suspensão temporária de sanções ao petróleo iraniano derrubou o barril Brent em mais de 3%, aliviando pressões inflacionárias globais e permitindo que o dólar recuasse a R$ 5,14 enquanto o Ibovespa avançava a 170,3 mil pontos. É o eterno entrelaçamento entre geopolítica e economia — uma negociação no Oriente Médio que se traduz, horas depois, em números na tela de um investidor em São Paulo. No plano doméstico, porém, a complexidade persiste: expectativas de inflação e juros seguem em alta, e o mercado aguarda sinais do Banco Central sobre o caminho à frente.

Na segunda-feira, os mercados brasileiros respiraram com mais leveza. O dólar fechou a R$ 5,14, recuando 0,46%, enquanto o Ibovespa disparou 1,21% e alcançou 170,3 mil pontos. O gatilho veio de longe: Donald Trump anunciou que o Irã concordaria com inspeções nucleares, e Washington suspendeu temporariamente as sanções ao comércio de petróleo iraniano até 21 de agosto. Apesar de Teerã contestar a narrativa, o mercado reagiu ao anúncio americano — e o barril Brent despencou 3,31%, para US$ 77,90.

Essa queda no petróleo reduziu os temores inflacionários globais e trouxe alívio às bolsas e moedas. No Brasil, o Banco Central também atuou, realizando dois leilões simultâneos — um de câmbio à vista e outro de swap reverso, totalizando US$ 2 bilhões — para normalizar a liquidez do mercado.

No cenário doméstico, porém, o quadro era mais tenso. O Boletim Focus registrou a 15ª alta consecutiva nas expectativas de inflação, com o IPCA para 2026 subindo para 5,33% — acima do teto da meta. A projeção para a Selic também avançou, para 14%, no terceiro aumento seguido. Os investidores aguardavam a ata do Copom, prevista para terça-feira, em busca de sinais sobre o ritmo futuro dos juros.

Economistas apontaram camadas adicionais no movimento. Para Vitor Kayo, da Nomad, o recuo do dólar era em parte uma devolução da alta da semana anterior, sustentada pelo diferencial de juros e pelo carry trade. Bruno Perri, da Forum Investimentos, destacou que a pesquisa Datafolha do fim de semana — que renovou expectativas de mudança de governo nas eleições de outubro — também contribuiu para o alívio no câmbio e na curva de juros. Globalmente, as bolsas seguiram direções distintas: Londres subiu com a renúncia de Keir Starmer, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq recuaram, pressionados por quedas em ações de tecnologia.

Na segunda-feira, os mercados brasileiros respiraram fundo. O dólar recuou 0,46% frente ao real, fechando a R$ 5,14, enquanto o Ibovespa — o principal índice da Bolsa — disparou 1,21%, alcançando 170,3 mil pontos. Por trás desses números estava um alívio palpável: a tensão geopolítica entre Estados Unidos e Irã havia arrefecido, e com ela, os preços do petróleo desabaram.

O gatilho foi diplomático. Donald Trump anunciou via rede social que Teerã concordaria com inspeções nucleares. Seu vice, JD Vance, havia feito a mesma afirmação horas antes, confirmando que inspetores nucleares já haviam sido autorizados a entrar no país. Mas a história não era tão simples: o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, contestou a narrativa, dizendo que a questão nuclear sequer havia entrado nas negociações. Apesar dessa contradição, o que importou para os mercados foi o anúncio americano de suspensão temporária de sanções contra o comércio de petróleo iraniano — uma medida que permitirá ao país produzir, vender e transportar a commodity bruta e seus derivados até 21 de agosto.

O petróleo despencou. O barril Brent, referência internacional, caiu 3,31%, cotado a US$ 77,90. O West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio americano, recuou 3,53%, a US$ 73,86. Essa queda reverberou globalmente, reduzindo os temores inflacionários e trazendo alívio aos mercados de câmbio e ações.

No cenário doméstico, porém, as coisas eram mais complexas. O Banco Central havia cortado a Selic em 0,25 ponto percentual na quarta-feira anterior, mas o comunicado do Copom deixou dúvidas sobre novas reduções. Os investidores aguardavam a ata do Comitê para terça-feira, esperando sinais mais claros. Enquanto isso, o Boletim Focus — pesquisa semanal com economistas — trouxe notícias preocupantes: as expectativas de inflação subiram pela 15ª vez consecutiva, com o IPCA para 2026 avançando de 5,30% para 5,33%, acima do teto da meta. A projeção para a Selic também subiu, de 13,75% para 14%, no terceiro aumento seguido. A estimativa do PIB para 2026 passou de 1,96% para 1,98%.

O Banco Central também atuou nos mercados, realizando dois leilões simultâneos — um de US$ 1 bilhão em moeda à vista e outro de US$ 1 bilhão em swap cambial reverso. Juntos, esses leilões, conhecidos como "casadão", ofereceram maior liquidez ao mercado, embora sem impacto direto na cotação do dólar.

Globalmente, as bolsas não seguiram uma única direção. Em Londres, o FTSE 100 subiu 0,72%, impulsionado pela renúncia do primeiro-ministro britânico Keir Starmer. Em Frankfurt, o DAX avançou 0,66%, mas em Paris o CAC 40 perdeu 0,25%. Nos Estados Unidos, o S&P 500 caiu 0,37% e o Nasdaq cedeu 1,33%, afetados pela queda das ações da Alphabet (Google) e SpaceX, a fabricante de foguetes e satélites de Elon Musk. O Dow Jones, porém, subiu 0,29%.

Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o recuo do dólar refletia a devolução de parte da alta de mais de 2% vista na semana anterior. As negociações no Oriente Médio, que confirmaram um roteiro para encerrar o conflito em 60 dias, derrubaram o petróleo e reduziram os temores inflacionários globais. A intervenção do Banco Central também ajudou a normalizar a liquidez. No cenário doméstico, a expectativa de uma ata do Copom com tom mais conservador sustentava a percepção de juros elevados por mais tempo, mantendo o diferencial de juros atrativo e o carry trade — estratégia em que investidores tomam empréstimos em moedas com juros baixos e investem em economias com juros altos — ativo. O Focus reforçou esse quadro, com revisões altistas para o IPCA e Selic. Ainda assim, a queda do dólar permanecia contida, com a moeda americana firme ante a maioria das divisas globais diante da crescente probabilidade de alta de juros pelo Federal Reserve já em setembro.

Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, viu no movimento do Ibovespa um resultado inicial de dinâmica técnica, após quedas sucessivas. A evolução positiva nas negociações entre EUA e Irã, que derrubou o petróleo, também favoreceu o mercado. Mas havia outro fator: a pesquisa do Datafolha divulgada no fim de semana havia renovado esperanças de mudança de governo nas eleições de outubro, trazendo alívio adicional à curva de juros e à taxa de câmbio. Por isso, o dólar caía.

As negociações no Oriente Médio confirmaram um roteiro para encerrar o conflito em 60 dias, o que derrubou o petróleo e reduziu os temores inflacionários globais
— Vitor Kayo, economista sênior da Nomad
A pesquisa do Datafolha renovou as esperanças de que haja uma mudança de governo nas eleições de outubro, trazendo alívio adicional à curva de juros e à taxa de câmbio
— Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos
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