Em um mundo onde as palavras dos banqueiros centrais movem fortunas, Jerome Powell escolheu a tribuna de Jackson Hole para abrir uma porta — não escancarar, mas entreabrir. A possibilidade de corte de juros nos Estados Unidos em setembro foi suficiente para que o real se fortalecesse, o dólar recuasse a R$ 5,42 e o Ibovespa saltasse 2,57%, lembrando que os mercados emergentes vivem, em parte, à sombra das decisões de Washington. O Brasil, que acumula ganhos de 14,24% na Bolsa em 2025, colhe por ora os frutos de um otimismo global que aguarda confirmação em setembro.
Dólar cai a R$ 5,42 e Ibovespa dispara com sinais de corte de juros nos EUA
O Fed está se movimentando em direção a um ciclo de cortes
Por que a fala de Powell em Jackson Hole causou tanto impacto se ele não afirmou categoricamente que os juros cairão?
Porque Powell reconheceu explicitamente que os riscos para o emprego estão aumentando e que a política monetária pode precisar de ajustes. Para o mercado, isso é suficiente para começar a precificar um corte.
Mas ele também mencionou riscos inflacionários ligados a tarifas. Como o mercado está ignorando isso?
Não está ignorando, está apenas ponderando que o risco de desemprego é mais imediato. Os 93,1% de apostas em corte refletem essa leitura.
E se a inflação não ceder? Se as tarifas realmente estimularem pressão de preços?
Aí o Fed teria que recuar. Mas por enquanto, os dados de inflação estão abaixo de 3% desde julho de 2024, então o mercado tem razão em apostar no corte.
Exatamente. E o real se beneficia porque investidores buscam ativos de maior retorno quando há menos aversão ao risco.
Então o Brasil está ganhando porque o Fed está enfraquecendo o dólar?
Não apenas isso. O Brasil também se beneficia porque é um mercado emergente que oferece retornos maiores quando o risco global diminui.
Mas vale lembrar que essa euforia depende de o Fed realmente cortar em setembro. Se Powell recuar, o movimento se inverte.
Qual é a probabilidade real de um corte?
Os dados não são conclusivos. A inflação ainda está acima da meta de 2%. O que temos é uma sinalização de Powell e uma aposta de mercado, não uma certeza.
Mas as próximas três reuniões do Fed até o fim de 2025 — setembro, outubro e dezembro — criam oportunidades. O mercado está apostando que pelo menos uma delas resultará em corte.
The Pulse
- Jerome Powell sinalizou, sem garantir, que um corte de juros em setembro é uma possibilidade real — e essa meia-palavra foi suficiente para reconfigurar apostas globais em minutos.
- A probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual saltou de 75% para 93,1% logo após o discurso, revelando o quanto os mercados estavam à espera de qualquer sinal de afrouxamento monetário.
- O dólar recuou de R$ 5,477 na máxima do dia para R$ 5,426 no fechamento, enquanto o Ibovespa beirou os 138 mil pontos — o maior patamar do índice em meses.
- O movimento não ficou restrito ao Brasil: Europa, Ásia e Wall Street também subiram, com Xangai atingindo o nível mais alto em uma década, confirmando o alcance global da sinalização do Fed.
- A reunião do Fed nos dias 16 e 17 de setembro torna-se agora o evento mais aguardado pelos mercados, com moedas emergentes e bolsas posicionadas para reagir ao menor sinal de mudança.
Em um mundo onde as palavras dos banqueiros centrais movem fortunas, Jerome Powell escolheu a tribuna de Jackson Hole para abrir uma porta — não escancarar, mas entreabrir. A possibilidade de corte de juros nos Estados Unidos em setembro foi suficiente para que o real se fortalecesse, o dólar recuasse a R$ 5,42 e o Ibovespa saltasse 2,57%, lembrando que os mercados emergentes vivem, em parte, à sombra das decisões de Washington. O Brasil, que acumula ganhos de 14,24% na Bolsa em 2025, colhe por ora os frutos de um otimismo global que aguarda confirmação em setembro.
A sexta-feira reservou alívio aos mercados brasileiros. O dólar fechou em queda de 0,95%, a R$ 5,426, e o Ibovespa disparou 2,57%, beirando os 138 mil pontos. O gatilho veio de Wyoming: no Simpósio de Jackson Hole, Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, sinalizou que um corte de juros em setembro é uma possibilidade concreta — sem prometer, mas o suficiente para desencadear uma onda de otimismo global.
Powell reconheceu um paradoxo no mercado de trabalho americano: o desemprego está em equilíbrio, mas esse equilíbrio resulta de uma desaceleração simultânea na oferta e na demanda por trabalhadores. Os riscos de queda no emprego estão crescendo, ponderou ele, ao mesmo tempo em que tarifas podem alimentar pressões inflacionárias. Ainda assim, sua conclusão abriu caminho: com a política monetária em território restritivo, ajustes podem ser justificados.
O mercado respondeu de imediato. Segundo o FedWatch do CME Group, as apostas em um corte de 0,25 ponto percentual para setembro saltaram de 75% para 93,1% logo após o discurso. A próxima reunião, marcada para 16 e 17 de setembro, será a primeira oportunidade de ação desde que o Fed manteve a taxa entre 4,25% e 4,5% ao ano em julho. A inflação americana ficou em 2,7% em julho — acima da meta, mas em trajetória controlada.
O especialista Bruno Shahini, da Nomad, explicou a cadeia de reações: o reconhecimento dos riscos ao emprego pressionou o índice DXY, abrindo espaço para moedas emergentes como o real. Com menor aversão ao risco, bolsas em Nova York e no Brasil avançaram juntas. No acumulado do ano, o dólar já caiu 12,36% frente ao real, e o Ibovespa acumula ganhos de 14,24% em 2025.
O otimismo se espalhou pelo mundo. Na Europa, o Stoxx 600 subiu 0,4%. Na Ásia, Xangai fechou no nível mais alto em uma década, e o CSI300 registrou seu melhor desempenho em 10 meses. Para os mercados, a mensagem de Powell foi clara: setembro será o primeiro teste de uma possível virada na política monetária americana — e o mundo inteiro estará de olho.
A sexta-feira trouxe alívio aos mercados financeiros brasileiros. O dólar encerrou a sessão em queda de 0,95%, negociado a R$ 5,426, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores, disparou 2,57% e beirou os 138 mil pontos. O catalisador foi uma fala de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, no Simpósio de Jackson Hole, conferência anual que reúne dirigentes do banco central americano. Powell não afirmou categoricamente que os juros cairão em setembro, mas sinalizou que essa possibilidade existe — e foi o suficiente para desencadear uma onda de otimismo que se propagou pelos principais mercados do mundo.
O presidente do Fed reconheceu uma situação paradoxal no mercado de trabalho americano. Embora o desemprego esteja em equilíbrio, esse equilíbrio resulta de uma desaceleração acentuada tanto na oferta quanto na demanda por trabalhadores. Powell alertou que os riscos de queda no emprego estão aumentando e podem se materializar rapidamente. Ao mesmo tempo, ele ponderou sobre os riscos inflacionários, particularmente aqueles ligados a tarifas que poderiam estimular uma dinâmica de preços mais duradoura. Mas sua conclusão abriu a porta: com a política monetária em território restritivo, a perspectiva básica e a mudança no equilíbrio de riscos podem justificar ajustes na postura do Fed.
O mercado respondeu imediatamente. Segundo dados da ferramenta FedWatch do CME Group, logo após o discurso de Powell, 93,1% dos investidores apostavam em um corte de juros de 0,25 ponto percentual já na próxima reunião do Fed, marcada para 16 e 17 de setembro. Esse percentual havia sido de apenas 75% na manhã de sexta-feira, antes da fala. A próxima reunião será a primeira oportunidade de ação desde que o Fed manteve a taxa básica no intervalo de 4,25% a 4,5% ao ano no fim de julho. A inflação americana, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor, ficou em 2,7% em julho na base anual — acima da meta de 2%, mas abaixo de 3% desde julho de 2024.
O fortalecimento do real refletiu essa mudança nas expectativas. Na máxima do dia, o dólar havia tocado R$ 5,477, mas recuou para R$ 5,426 no fechamento. No acumulado do mês, a moeda americana perdeu 3,28% frente ao real, e no ano a queda chega a 12,36%. O Ibovespa, que havia fechado o dia anterior em ligeira queda de 0,12%, aos 134,5 mil pontos, recuperou-se com força. O ganho de 2,57% na sexta-feira elevou o índice a 137,9 mil pontos, acumulando ganhos de 3,49% em agosto e de 14,24% em 2025.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, explicou o mecanismo por trás do movimento. O discurso de Powell desencadeou uma reação em cadeia: o reconhecimento de riscos crescentes para o mercado de trabalho elevou as apostas em cortes de juros, o que pressionou o índice DXY — que mede a força do dólar frente às principais moedas — de forma significativa. Com a perspectiva de redução da taxa básica americana, os Treasuries cederam, abrindo espaço para moedas emergentes, especialmente o real. Simultaneamente, o ambiente de menor aversão ao risco impulsionou bolsas em Nova York e no Brasil, reforçando a busca por ativos de maior retorno.
O otimismo não ficou restrito ao Brasil. Na Europa, o índice Stoxx 600 fechou em alta de 0,4%, aos 561 pontos. O DAX alemão subiu 0,29%, o CAC 40 francês avançou 0,4%, e o Ibex 35 espanhol registrou ganho de 0,61%. Na Ásia, embora os mercados tivessem fechado antes da fala de Powell, o índice de Xangai terminou em alta de 1,45%, aos 3,8 mil pontos — o patamar mais alto em uma década, desde agosto de 2015. O CSI300, que reúne as maiores empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen, subiu 2,1%, seu melhor desempenho em 10 meses. As bolsas de Tóquio e Seul também encerraram em alta.
O contexto político americano também pesou. Na quarta-feira anterior, a ata da última reunião do Fed havia apontado que os riscos de inflação são maiores do que as preocupações com o mercado de trabalho. No mesmo dia, o presidente Donald Trump voltou a atacar Jerome Powell, cobrando a queda dos juros. A fala de Powell em Jackson Hole, portanto, chegou em um momento de pressão política e sinais mistos sobre a economia americana. Mas para o mercado, a mensagem foi clara: o Fed está se movimentando em direção a um ciclo de cortes, e setembro será o primeiro teste dessa mudança de rumo.
Notable Quotes
Os riscos de queda no emprego estão aumentando e podem se materializar rapidamente— Jerome Powell, presidente do Federal Reserve
O discurso de Powell desencadeou forte movimento nos mercados, com impacto direto sobre o dólar, elevando as apostas em cortes de juros já a partir de setembro— Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad