Dólar cai a R$ 5,15 com nova tarifa de Trump; Bolsa renova recorde histórico

A incerteza comercial provavelmente não desaparecerá tão cedo
Analista do ING alertou que Trump pode renovar indefinidamente as tarifas a cada 150 dias.
Mark

Por que o mercado reagiu tão bem a uma tarifa de 10% se Trump havia prometido 15%? Isso não deveria ser visto como uma derrota?

Mimi

Porque 10% é significativamente melhor do que o que estava em vigor antes. Para o Brasil especificamente, as tarifas anteriores eram muito mais altas em alguns produtos. Então mesmo que Trump tenha recuado dos 15%, a nova carga ainda é mais favorável do que o cenário anterior.

Luke

Mas precisamos ser claros: ninguém sabe por que a tarifa foi reduzida de 15% para 10%. Não houve explicação oficial. Um funcionário não identificado disse ao Financial Times que o aumento para 15% viria depois, mas isso é atribuição única, não confirmação.

Mark

E essa lei de 1974 que Trump está usando agora — ela realmente lhe dá esse poder?

Mimi

A Suprema Corte já derrubou uma tentativa anterior dele de usar outra lei. Desta vez ele se ampara em um dispositivo que permite taxas temporárias de até 15% quando há déficits na balança de pagamentos. Expira em 150 dias, a menos que o Congresso aprove extensão.

Luke

Mas a questão legal ainda está aberta. Essa lei também pode ser contestada. E há um detalhe importante: Trump pode teoricamente renovar as tarifas indefinidamente a cada 150 dias. Isso não é uma solução permanente — é uma estratégia de pressão contínua.

Mark

O Brasil saiu ganhando com isso?

Mimi

No curto prazo, sim. O dólar caiu, a Bolsa subiu, e há fluxo de investidores estrangeiros para mercados emergentes. A percepção é de que as novas tarifas são menos prejudiciais ao Brasil do que poderiam ser.

Luke

Mas isso depende de Trump não aumentar para 15% depois. E depende também de ele não usar outras leis comerciais para impor tarifas ainda maiores, como advertiu que faria se países recuassem dos acordos. A incerteza permanece alta.

  • Trump ativou à meia-noite uma sobretaxa de 10% sobre todas as importações americanas, surpreendendo mercados que esperavam os 15% prometidos — a diferença foi suficiente para mudar o humor global.
  • A Suprema Corte havia derrubado as tarifas anteriores por ilegalidade, forçando o presidente a recorrer a uma lei de 1974 com prazo de 150 dias e teto de 15%, o que limita — mas não elimina — seu alcance.
  • O real se valorizou, o dólar rompeu o suporte de R$ 5,20 e a Bolsa subiu 1,34%, impulsionada pelo fluxo de estrangeiros em busca de retornos em mercados emergentes com juros elevados.
  • Japão, União Europeia, Reino Unido e China reagiram com cautela ou resistência, sinalizando que a guerra comercial está longe de um desfecho negociado.
  • Analistas alertam que Trump pode renovar as tarifas indefinidamente a cada 150 dias com apenas um dia de intervalo, tornando o alívio atual mais uma pausa do que uma resolução.

Quando o poder encontra seus limites legais, os mercados aprendem a ler nas entrelinhas. A tarifa de 10% imposta por Trump sobre todas as importações americanas — menor do que os 15% anunciados e moldada por uma derrota na Suprema Corte — foi suficiente para aliviar a tensão nos mercados emergentes, levando o dólar a R$ 5,15 e a Bolsa brasileira a um novo recorde histórico. O alívio, porém, é provisório: a arquitetura jurídica que sustenta as novas tarifas expira a cada 150 dias, e a incerteza comercial global permanece como pano de fundo de qualquer celebração.

O dólar encerrou a terça-feira cotado a R$ 5,15, em queda, enquanto a Bolsa brasileira subia 1,34% e renovava seu recorde histórico. O gatilho foi a implementação de uma tarifa americana de 10% sobre todas as importações — menor do que os 15% que o mercado temia desde o fim de semana. A Alfândega americana confirmou a alíquota sem explicações, e um funcionário da Casa Branca disse ao Financial Times que o aumento para 15% viria depois, em data indefinida.

A nova ofensiva tarifária nasceu de uma derrota judicial. A Suprema Corte derrubou as tarifas anteriores de Trump por 6 votos a 3, considerando ilegal o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. Desta vez, o presidente recorreu a uma lei de 1974 que permite sobretaxas temporárias de até 15% em casos de déficit na balança de pagamentos — com validade de 150 dias e possibilidade de renovação pelo Congresso.

Para o Brasil, a notícia chegou como alívio duplo: as novas tarifas eram menores do que as que antes incidiam sobre produtos brasileiros, e o ambiente de apetite por risco favoreceu o fluxo de capital estrangeiro para mercados emergentes. O dólar chegou a marcar R$ 5,184 no pico da sessão antes de recuar. Analistas destacaram que o rompimento do suporte em R$ 5,20 desencadeou ajustes de portfólio que amplificaram a valorização do real. Petrobras subiu com o petróleo, e o setor bancário se recuperou após realizações na véspera.

No plano global, a incerteza persistia. Japão, União Europeia e Reino Unido buscavam garantias sobre seus acordos existentes. A China pediu o fim das tarifas unilaterais. Carsten Brzeski, do ING, lembrou que Trump pode, na prática, renovar as tarifas indefinidamente a cada 150 dias com apenas um dia de intervalo — o que transforma o prazo legal em uma formalidade. O alívio dos mercados era real, mas construído sobre areia movediça.

O dólar caiu a R$ 5,15 nesta terça-feira, encerrando o dia em queda enquanto a Bolsa brasileira subia 1,34% e testava um novo recorde histórico. O movimento refletia a reação dos mercados à implementação de uma nova tarifa de importação dos Estados Unidos — mas não exatamente a que havia sido anunciada.

Donald Trump colocou em vigor à meia-noite, horário de Washington, uma sobretaxa de 10% sobre importações de todos os parceiros comerciais americanos. A alíquota surpreendeu agentes econômicos que esperavam os 15% prometidos no fim de semana. A Alfândega e Proteção de Fronteiras americana confirmou a taxa de 10%, sem explicação pública para a redução. Um funcionário da Casa Branca não identificado disse ao Financial Times que o aumento para 15% ocorreria posteriormente, mas o timing permanecia incerto — Trump faria seu discurso sobre o Estado da União na noite de terça, o que poderia esclarecer os próximos passos.

Esta nova ofensiva comercial nasceu de uma derrota judicial. A Suprema Corte dos Estados Unidos havia derrubado as tarifas anteriores de Trump por considerá-las ilegais. O presidente havia tentado se amparar na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, criada em 1977 para situações de crise, argumentando que ela lhe dava poder para impor sobretaxas sem aprovação do Congresso. Os juízes discordaram por 6 votos a 3. Desta vez, Trump se apoiou em um dispositivo de 1974 que permite ao presidente impor temporariamente taxas de até 15% sobre importações quando há déficits significativos na balança de pagamentos. Essa carga tarifária expira em 150 dias, a menos que o Congresso aprove uma extensão.

A redução da alíquota em relação ao que havia sido anunciado gerou alívio nos mercados emergentes. O Brasil, em particular, viu a notícia como potencialmente benéfica — as novas tarifas eram significativamente menores do que as cargas que antes incidiam sobre alguns produtos brasileiros. Isso aumentou a atratividade do mercado nacional, já beneficiado pelo fluxo de investidores estrangeiros para praças emergentes. Às 14h53, o dólar recuava 0,33%, cotado a R$ 5,150, depois de ter marcado R$ 5,184 no pico da sessão. O real havia fechado no menor patamar em quase dois anos na véspera, a R$ 5,167, e caminhava nesta terça para renovar a mínima. Analistas apontaram que a cotação havia rompido o suporte em R$ 5,20, uma faixa que concentrava posições compradas relevantes, desencadeando ajustes de portfólio que amplificaram a apreciação da moeda brasileira.

Mas a incerteza comercial global permanecia. O Japão solicitou aos Estados Unidos garantias de que seu tratamento sob o novo regime tarifário seria tão favorável quanto no acordo existente. A União Europeia e o Reino Unido indicaram que desejavam manter os acordos já firmados. Trump havia advertido países contra qualquer recuo nos entendimentos negociados recentemente, dizendo que adotaria tarifas muito mais altas sob diferentes leis comerciais se o fizessem. A China instou Washington a abandonar suas tarifas unilaterais, sinalizando disposição para negociações.

Carsten Brzeski, chefe global de macroeconomia do ING, observou que mesmo com o limite de 150 dias do atual conjunto de medidas, a incerteza comercial provavelmente não desapareceria tão cedo. Trump poderia, teoricamente, renovar indefinidamente as tarifas a cada 150 dias com apenas uma interrupção de um dia entre elas. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,1%, a 97,87 pontos, enquanto o dólar ganhava terreno ante o iene, o euro e a libra. Para divisas emergentes, o cenário era outro — a diminuição da alíquota havia gerado valorizações de moedas e ações de mercados emergentes, um cenário de apetite por risco que tendia a favorecer economias com juros mais altos e retornos atrativos.

No Brasil, a Bolsa se recuperava do pregão anterior, que havia sido marcado por realização de lucros após o índice registrar uma nova marca histórica na sexta-feira. Petrobras acompanhava a alta do petróleo, impulsionada por tensões nas negociações entre Estados Unidos e Irã. O setor bancário avançava após um pregão de realizações na segunda-feira. O fluxo de estrangeiros para o mercado brasileiro colaborava para que o dólar continuasse se desvalorizando. Nas praças europeias, DAX e STOXX 600 fecharam em estabilidade, enquanto Wall Street testava recuperação, com índices embalados por ações de tecnologia — a Anthropic havia anunciado dez novas ferramentas de inteligência artificial, impulsionando o setor.

Teoricamente a próxima coisa que Trump poderia fazer é, com a interrupção de um dia, sempre renovar indefinidamente por mais 150 dias
— Carsten Brzeski, chefe global de macroeconomia do ING
Diante da diminuição da alíquota, temos visto valorizações de moedas e de ações de mercados emergentes. É um cenário de apetite por risco que tende a favorecer, principalmente, economias com juros mais altos e retornos atrativos, como o Brasil
— Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX
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