Dólar abre a R$ 5,16; especialistas divergem sobre valorização em 2026

Quando há incerteza global, as pessoas fogem para o dólar
Economista da UFRGS explica por que mudanças no Fed americano afetam a moeda brasileira.
Mark

Por que o Banco Central projeta valorização do dólar em 2026 se o real teve um desempenho tão bom em 2025?

Mimi

A Selic alta em 2025 atraiu capital estrangeiro, mas essa dinâmica pode não se sustentar. O BC provavelmente vê sinais de que essa atratividade diminua ou que pressões externas — especialmente dos EUA — se intensifiquem.

Mark

O professor Weiss discorda dessa projeção. O que o faz pensar diferente?

Mimi

Ele vê fatores que o BC pode estar subestimando. A mudança no Fed em maio e a possível interferência política americana criam incerteza, e quando há incerteza, o dólar tende a se fortalecer globalmente — mas isso não significa que o real não possa se apreciar também.

Mark

Então a eleição brasileira em outubro é um risco adicional?

Mimi

Exatamente. O mercado é sensível a sinais políticos. Pesquisas e declarações de candidatos podem provocar movimentos bruscos de capital, amplificando a volatilidade cambial independentemente de fatores econômicos.

Mark

2024 foi um ano muito difícil para o real, com o dólar chegando a R$ 6. Estamos longe disso agora?

Mimi

Sim, mas não tão longe quanto parece. O dólar em R$ 5,16 representa uma recuperação do real, mas a margem até R$ 6 é pequena. Tudo depende de como esses fatores de incerteza se desenrolarem.

Mark

Se você tivesse que apostar, o dólar fecha 2026 acima ou abaixo de R$ 5,50?

Mimi

Weiss apostaria abaixo, acreditando numa apreciação do real. Mas a verdade é que há argumentos sólidos dos dois lados. O mercado está genuinamente dividido.

  • O dólar abre a R$ 5,16 nesta quinta-feira, sinalizando pressão de alta após um 2025 em que o real acumulou valorização de 11,2% frente à moeda americana.
  • O Banco Central projeta o dólar a R$ 5,50 no fim de 2026, mas o economista Mauricio Weiss, da UFRGS, aponta que o real pode se manter estável ou até se apreciar — uma divergência que revela a profunda incerteza do cenário.
  • A possível interferência de Donald Trump sobre o Federal Reserve, cuja presidência muda em maio, ameaça ampliar a busca global por refúgio no dólar e turbinar a volatilidade cambial.
  • As eleições brasileiras de outubro adicionam outra camada de imprevisibilidade: pesquisas e declarações de candidatos tendem a mover o mercado antes mesmo das urnas.
  • O mercado ainda digere a memória recente do dólar acima de R$ 6 em novembro de 2024 e se pergunta se o patamar atual representa uma consolidação ou o início de nova escalada.

O real, que surpreendeu em 2025 com uma valorização expressiva frente ao dólar, abre 2026 em terreno incerto: a moeda americana inicia esta quinta-feira cotada a R$ 5,16, enquanto o Banco Central projeta um recuo do real até R$ 5,50 ao fim do ano. Entre a previsão institucional e a leitura de economistas independentes, o câmbio brasileiro navega por águas onde política americana, eleições domésticas e fluxos globais de capital se encontram — lembrando que o valor de uma moeda é, em última análise, um retrato coletivo da confiança.

O dólar abriu esta quinta-feira cotado a R$ 5,16, dentro do horário padrão do mercado de câmbio brasileiro. A cotação é resultado de um equilíbrio instável entre forças domésticas e externas — decisões econômicas no Brasil se entrelaçam com movimentos nos mercados americano, chinês e europeu, cada um capaz de puxar o real em direções opostas.

O ano anterior havia sido generoso com a moeda brasileira. Após uma queda acumulada de 11,2% em 2025, o Banco Central projeta agora que o dólar encerrará 2026 a R$ 5,50 — uma valorização esperada frente ao nível atual. A previsão consta do Boletim Focus e representa a visão institucional sobre o comportamento do câmbio nos próximos meses. Mas nem todos compartilham esse diagnóstico.

Mauricio Weiss, professor do Programa de Pós-graduação em Economia da UFRGS, reconhece que prever o dólar é tarefa carregada de incerteza, mas sua leitura aponta em direção oposta à do BC: para ele, o cenário mais provável seria a manutenção ou até uma apreciação do real.

Dois eventos concentram as atenções dos analistas para 2026. Em maio, ocorre a troca na presidência do Federal Reserve — e não é apenas a mudança em si que inquieta o mercado, mas a possível ingerência de Donald Trump sobre as decisões do banco central americano. Quando a incerteza global cresce, investidores tendem a buscar refúgio no dólar, pressionando moedas emergentes. Em outubro, as eleições brasileiras entram em cena: pesquisas e declarações de candidatos costumam mover posições no mercado antes mesmo do resultado nas urnas.

O contexto recente ajuda a entender a trajetória. A Selic a 15% no início de 2026 atraiu capital estrangeiro em busca de rendimento, enquanto o dólar se enfraquecia globalmente frente a emergentes. Em 2024, porém, o cenário havia sido radicalmente diferente: a moeda americana registrou sua maior valorização desde 2020 e chegou a ultrapassar R$ 6 pela primeira vez em novembro. Agora, com o dólar em R$ 5,16, o mercado observa se a trajetória será de recuperação ou de nova consolidação.

O dólar começou esta quinta-feira cotado a R$ 5,16, operando dentro do horário padrão do mercado de câmbio brasileiro — abertura às 9h e fechamento às 17h, no horário de Brasília. Como qualquer moeda estrangeira, sua trajetória ao longo do dia reflete um complexo jogo de forças: decisões econômicas domésticas se entrelaçam com movimentos dos mercados americano, chinês, russo e europeu, cada um puxando o real para cima ou para baixo conforme as circunstâncias.

O ano anterior havia sido generoso com o real. Após acumular uma queda de 11,2% ao longo de 2025, o Banco Central projeta que a moeda americana encerrará 2026 cotada a R$ 5,50 — uma valorização esperada em relação aos níveis atuais. Essa previsão, divulgada no Boletim Focus, reflete a visão institucional sobre como o câmbio deve se comportar nos próximos meses. Mas nem todos concordam com o diagnóstico.

Mauricio Weiss, professor do Programa de Pós-graduação profissional em Economia da UFRGS, oferece uma perspectiva diferente. Ele reconhece que prever o movimento do dólar é tarefa árdua — tantos são os fatores que podem influenciar a taxa de câmbio que qualquer projeção carrega consigo uma dose considerável de incerteza. Ainda assim, sua leitura do cenário diverge da do Banco Central. Para Weiss, a tendência mais provável seria a manutenção ou até mesmo uma apreciação do real frente ao dólar, movimento oposto ao que o BC espera.

Dois eventos específicos podem intensificar a volatilidade cambial ao longo de 2026. O primeiro é a troca prevista na presidência do Federal Reserve, o banco central americano, marcada para maio. Mas não é apenas a mudança em si que preocupa os analistas — é a possível ingerência do presidente americano Donald Trump sobre as decisões do Fed. Quando a incerteza global aumenta, mesmo que o problema tenha origem nos Estados Unidos, investidores tendem a buscar refúgio no dólar, a moeda-chave do sistema financeiro internacional. É um movimento defensivo, quase instintivo.

O segundo fator é as eleições brasileiras em outubro. O mercado financeiro reage com sensibilidade a pesquisas de intenção de voto e às declarações dos candidatos, ajustando posições conforme a percepção sobre o futuro político do país muda. Essa reatividade pode amplificar oscilações cambiais nos meses que antecedem o pleito.

O contexto recente ajuda a entender por que 2025 foi tão favorável ao real. A taxa Selic, que chegou a 15% em janeiro de 2026, atraiu capital estrangeiro em busca de rendimentos elevados. Simultaneamente, o dólar enfraqueceu frente a moedas de mercados emergentes em todo o mundo, um movimento que beneficiou o Brasil. Em 2024, porém, o cenário havia sido radicalmente diferente. Aquele foi o ano de maior valorização do dólar desde 2020, o primeiro ano da pandemia de covid-19. A moeda americana chegou a ultrapassar a marca dos R$ 6 pela primeira vez em novembro, um patamar que parecia impensável anos antes. Agora, com o dólar em R$ 5,16, o mercado se pergunta se a trajetória será de recuperação ou consolidação.

A tendência seria para uma manutenção ou apreciação do real frente ao dólar
— Mauricio Weiss, professor de Economia da UFRGS
A possibilidade de mudança no Fed e a ingerência de Trump sobre o Fed é um motivo de incerteza
— Mauricio Weiss
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