Dois rios atmosféricos intensos trarão chuva excessiva e extrema à América do Sul

Potencial para enchentes, inundações, deslizamentos de terra e transtornos generalizados em múltiplos países da América do Sul, com risco de isolamento de comunidades nas áreas montanhosas.
Sete dias consecutivos de precipitação em Santiago
A capital chilena pode enfrentar uma sequência extraordinária de chuva caso a série de sistemas frontais se confirme.

Primeiro rio atmosférico afetará Brasil, Argentina e Uruguai com chuva volumosa entre quinta e sexta, podendo acumular 200-300mm em algumas localidades. Segundo rio atmosférico, categorias 4 e 5, castigará o Chile com precipitações extremas, ventos fortes e neve intensa na Cordilheira dos Andes.

  • Primeiro rio atmosférico afeta Brasil, Argentina e Uruguai entre quinta e sexta-feira
  • Acumulados esperados de 200-300 mm em algumas localidades do Rio Grande do Sul
  • Segundo rio atmosférico, categorias 4 e 5, castigará o Chile com chuva extrema e neve na Cordilheira
  • Santiago pode registrar até sete dias consecutivos de precipitação
  • Governo chileno suspendeu aulas na sexta-feira em cinco regiões

Dois poderosos rios atmosféricos atingirão a América do Sul nos próximos dias, trazendo chuva excessiva a extrema, tempestades severas e nevascas que podem acumular metros em vários países.

Dois sistemas atmosféricos de grande intensidade estão se aproximando da América do Sul nos próximos dias, trazendo consigo a promessa de chuva volumosa, tempestades severas e acumulações de neve que podem atingir metros em algumas regiões. O primeiro desses corredores de umidade está se formando no interior do continente, alimentado por uma corrente de jato em baixos níveis que transporta ar tropical quente da Bolívia e do Centro-Oeste do Brasil em direção às latitudes médias. Este sistema começará a atuar com força a partir de quinta-feira, afetando principalmente o Centro e Nordeste da Argentina, o Uruguai e o Sul do Brasil.

No Rio Grande do Sul, a sequência de eventos será particularmente intensa. Uma frente quente inicial trará chuva isoladamente forte a intensa na quinta-feira à noite, com temporais isolados. Na sexta-feira, a instabilidade se concentrará no Oeste, Sul e partes do Centro e Leste do estado, com risco de tempestades de vento e granizo. Ao longo do fim de semana, a frente se tornará semi-estacionária, oscilando entre o Sul e o Norte, alternando períodos de chuva e tempestades com momentos de sol e calor forte, especialmente na Metade Norte. No início da semana seguinte, o sistema permanecerá quase estacionário entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, continuando a trazer chuva que pode ser localmente volumosa.

Os acumulados esperados são expressivos. Modelos de previsão indicam que o Oeste, Noroeste, Centro e Sul gaúcho receberão entre 100 e 200 milímetros em várias cidades, com alguns locais acumulando entre 200 e 300 milímetros até o meio da semana seguinte. Em várias localidades, esses volumes podem representar o dobro da média de chuva esperada para todo o mês de julho em apenas alguns dias.

O segundo rio atmosférico, ainda mais potente, avança do Oceano Pacífico em direção ao Chile e partes da Argentina. Classificado nas categorias 4 e 5 de intensidade, este corredor de umidade promete castigar o país com chuva extrema, ventos fortes e neve intensa na Cordilheira dos Andes, com potencial para acumulações de metros. A Direção Meteorológica do Chile emitiu alertas para precipitações moderadas a fortes, enquanto o governo reforçou medidas preventivas diante do que pode ser um dos eventos meteorológicos mais significativos dos últimos anos na região central chilena.

Os efeitos iniciais se concentrarão entre Biobío, La Araucanía e Los Ríos, com novas frentes avançando posteriormente para Ñuble, Maule, O'Higgins, Região Metropolitana, Valparaíso, Coquimbo e até Atacama. O rio atmosférico fornecerá uma quantidade extraordinária de umidade do Oceano Pacífico, intensificando a chuva ao longo da costa, dos vales e das áreas de pré-cordilheira. O transporte contínuo de vapor d'água favorecerá precipitações persistentes com acumulados excepcionalmente elevados. Os maiores volumes ocorrerão entre quarta e quinta-feira, especialmente em Ñuble e Biobío, onde municípios como San Fabián de Alico, Cobquecura, Coihueco e Antuco podem receber entre 150 e 200 milímetros.

Na Região Metropolitana, o sistema frontal chegará durante quinta-feira, fortalecendo-se com a atuação direta do rio atmosférico. A chuva persistirá na sexta-feira e pode continuar ao longo do fim de semana. As previsões mais recentes indicam que Santiago poderá registrar até sete dias consecutivos de precipitação, com acumulados totais em alguns setores superando 200 milímetros durante todo o episódio. Na área de Valparaíso, a chuva pode atingir 300 milímetros ou mais. Além das chuvas intensas, o evento provocará ventos fortes, tempestades isoladas e abundante neve na Cordilheira, que poderá acumular metros, fechando estradas de montanha e dificultando o tráfego nas passagens internacionais com a Argentina.

Diante da gravidade do cenário, o governo chileno colocou em alerta diferentes órgãos públicos e mobilizou equipes de emergência em várias regiões. Bombeiros, Forças Armadas, policiais e serviços públicos permanecerão em prontidão para responder rapidamente a eventuais ocorrências. O Ministério da Educação determinou a suspensão das aulas na sexta-feira nas regiões de Coquimbo, Valparaíso, Metropolitana, O'Higgins e Maule, com possibilidade de ampliação conforme a evolução das condições meteorológicas. Um rio atmosférico é uma extensa faixa estreita de umidade que transporta enormes volumes de vapor d'água das regiões tropicais para latitudes mais altas, podendo se estender por milhares de quilômetros. Quando encontra montanhas ou sistemas de baixa pressão, o ar úmido sobe, resfria e produz chuva ou neve. Eventos muito intensos podem causar enchentes, inundações, deslizamentos de terra e nevascas volumosas, sendo monitorados de perto por meteorologistas pelos elevados riscos envolvidos.

Um dos eventos meteorológicos mais importantes dos últimos anos na região central chilena
— Direção Meteorológica do Chile (DMC)
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que dois rios atmosféricos chegam ao mesmo tempo? Isso é comum?

Model

Não é comum, mas também não é impossível. Neste caso, um se forma no interior do continente e o outro vem do Pacífico. São sistemas independentes que estão convergindo para a América do Sul na mesma janela de tempo.

Inventor

Qual é a diferença entre os dois em termos de impacto?

Model

O primeiro afeta principalmente o Brasil, Argentina e Uruguai com chuva volumosa e tempestades. O segundo, que vem do Pacífico, é mais intenso — categorias 4 e 5 — e vai castigar o Chile com precipitações extremas e neve que pode acumular metros na Cordilheira.

Inventor

Sete dias consecutivos de chuva em Santiago é realmente extraordinário?

Model

Muito. Santiago não está acostumada com esse padrão. O acumulado potencial de 200 a 300 milímetros em uma semana, em uma região que já é semiárida, representa um evento meteorológico de grande magnitude.

Inventor

O que preocupa mais — a chuva ou a neve?

Model

Ambas, mas por razões diferentes. A chuva causa enchentes e deslizamentos. A neve na Cordilheira fecha estradas internacionais e isola comunidades. Juntas, criam um cenário de emergência complexo.

Inventor

Por que o governo chileno suspendeu aulas?

Model

Porque o risco é real e imediato. Não é apenas previsão — é mobilização de recursos de emergência, equipes em prontidão. Suspender aulas é uma medida de precaução para manter as pessoas em casa e fora das ruas durante o pior do evento.

Inventor

Isso vai afetar a Argentina também?

Model

Sim, mas de forma diferente. O primeiro rio atmosférico afeta o Nordeste argentino com chuva forte. O segundo, que vem do Pacífico, impacta partes da Argentina, mas o Chile leva o golpe mais duro.

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