A quatro dias das eleições de 2026, a Justiça Eleitoral agiu onde a democracia é mais vulnerável: no momento em que o voto ainda pode ser comprado. Em São Benedito, no Ceará, dois homens foram presos em flagrante após denúncia anônima revelar possível esquema de corrupção eleitoral, com dinheiro, listas de eleitores e material de campanha apreendidos. O episódio lembra que a integridade do sufrágio não se sustenta apenas nas urnas, mas nas horas silenciosas que as antecedem.
Dois homens são presos por suspeita de compra de votos em São Benedito
Será que arruma voto ou não arruma, hein?
Por que uma denúncia anônima pelo WhatsApp foi suficiente para gerar um mandado de busca e apreensão tão próximo das eleições?
A Justiça Eleitoral analisou não apenas a denúncia, mas também as fotografias e o vídeo encaminhados. O material audiovisual mostrava alguém mencionando candidatos específicos e anotando nomes, o que sugeriu ao juiz que havia indícios concretos de atividade ilícita.
Mas o vídeo não é prova de compra de votos — é alguém falando sobre candidatos e anotando nomes. A própria decisão judicial diz que "não se está afirmando a efetiva ocorrência de captação ilícita de sufrágio". Isso é investigação legítima ou é precipitação?
E quanto ao dinheiro? Doze mil reais é uma quantia significativa.
Sim, mas Damasceno disse que era fruto da venda de gado. A esposa confirmou essa versão e mencionou que ele pediu para depositar em banco.
Venda de gado sem documentação? Sem recibos? Sem comprovante bancário? Não sabemos se a polícia investigou isso. A gente tem a versão dele, mas não temos confirmação independente.
Os candidatos mencionados no vídeo — Roger Aguiar e Paloma Nunes — foram acusados de algo?
Não. A decisão deixa explícito que não há afirmação de responsabilidade de qualquer candidato. Eles aparecem no vídeo sendo mencionados, mas isso não é acusação.
Então por que seus nomes estão na decisão? Eles sabem que estão sendo investigados? Qual é o próximo passo para eles?
The Pulse
- Uma denúncia anônima enviada pelo WhatsApp da Promotoria Eleitoral desencadeou uma operação que culminou na prisão de dois homens em flagrante, a menos de uma semana do pleito nacional.
- Um vídeo atribuído a um dos suspeitos mostra alguém mencionando candidatos do PSB enquanto outra pessoa anota nomes em um caderno — imagens que acenderam o alerta das autoridades eleitorais.
- Na residência do principal suspeito, agentes encontraram R$ 12 mil em espécie, dez mil panfletos, dez mil adesivos, cadernos com nomes e títulos eleitorais, e material de propaganda dentro de um veículo.
- Os detidos foram autuados por corrupção eleitoral, mas a Justiça deixou claro que a investigação ainda não confirma responsabilidade dos candidatos citados nos vídeos.
- O suspeito alegou que o dinheiro era proveniente da venda de gado e seria depositado em banco — versão reforçada pela esposa, que disse não ter conseguido realizar o depósito por não lembrar o número da conta.
A quatro dias das eleições de 2026, a Justiça Eleitoral agiu onde a democracia é mais vulnerável: no momento em que o voto ainda pode ser comprado. Em São Benedito, no Ceará, dois homens foram presos em flagrante após denúncia anônima revelar possível esquema de corrupção eleitoral, com dinheiro, listas de eleitores e material de campanha apreendidos. O episódio lembra que a integridade do sufrágio não se sustenta apenas nas urnas, mas nas horas silenciosas que as antecedem.
A quatro dias das eleições de 2026, a Justiça Eleitoral deflagrou uma operação em São Benedito, município serrano do Ceará, que resultou na prisão em flagrante de Francisco Antônio Chaves Damasceno, o Cheirinho da Carne, e Ricardo Correia Cunha. O ponto de partida foi uma denúncia anônima enviada pelo WhatsApp da Promotoria Eleitoral, acompanhada de fotografias e um vídeo atribuído a Damasceno.
No material audiovisual, um homem é ouvido incentivando a angariação de votos e mencionando Roger Aguiar e Paloma Nunes, ambos candidatos pelo PSB — ele a deputado federal, ela a deputada estadual. Em paralelo, uma pessoa não identificada aparece anotando nomes em um caderno, gesto interpretado pelo Ministério Público como possível registro de eleitores vinculados às candidaturas.
Com mandado expedido pelo juiz Cristiano de Carvalho, agentes realizaram busca e apreensão na residência de Damasceno. O resultado foi expressivo: R$ 12 mil em dinheiro, dois cadernos com nomes e números de títulos eleitorais, cerca de dez mil panfletos, dez mil adesivos, broches, bandeiras e quatro celulares. Havia ainda material de propaganda em um veículo estacionado no local.
Interrogado, Damasceno sustentou que o dinheiro era produto da venda de gado e seria depositado em banco. Sua esposa confirmou a versão, acrescentando que não conseguiu fazer o depósito por não lembrar o número da conta, e que o marido simplesmente simpatiza com alguns candidatos.
Os dois foram autuados por violação ao artigo 299 do Código Eleitoral, que criminaliza a troca de vantagens por votos. A Justiça Eleitoral, porém, foi cautelosa: a decisão judicial ressalta que a investigação ainda não confirma a captação ilícita de sufrágio nem aponta responsabilidade direta dos candidatos mencionados. O caso segue sob apuração na reta final de uma campanha já marcada pela tensão.
A quatro dias do pleito nacional de 2026, a Justiça Eleitoral deflagrou uma operação em São Benedito, município a 286 quilômetros de Fortaleza, que resultou na prisão em flagrante de dois homens acusados de corrupção eleitoral. Francisco Antônio Chaves Damasceno, conhecido como Cheirinho da Carne, e Ricardo Correia Cunha foram detidos após investigação que começou com uma denúncia anônima encaminhada pelo aplicativo WhatsApp da Promotoria Eleitoral.
A denúncia apontava que no imóvel de Damasceno estaria ocorrendo compra de votos. Junto à informação, foram enviadas fotografias e um vídeo atribuído a Cheirinho da Carne. No material audiovisual, um homem — supostamente o suspeito — é ouvido dizendo: "Será que arruma voto ou não arruma, hein? Cuida... Vamos pra cima! Roger Aguiar e a Paloma... trabalhando...". As imagens identificam Roger Aguiar, candidato a deputado federal pelo PSB, e Paloma Nunes, candidata a deputada estadual também pelo PSB. O vídeo também mostra uma pessoa não identificada anotando nomes em um caderno, o que o Ministério Público Eleitoral interpretou como possível registro de eleitores vinculados às candidaturas mencionadas.
O juiz Cristiano de Carvalho acolheu a representação do Ministério Público Eleitoral e expediu mandado de busca e apreensão. A operação ocorreu na residência de Damasceno. Os agentes encontraram doze mil reais em dinheiro, dois cadernos contendo nomes de possíveis eleitores, aproximadamente dez mil panfletos de campanha, dez mil adesivos, broches, bandeiras de candidatos, quatro aparelhos celulares e anotações com nomes de pessoas, números de títulos eleitorais e locais de votação. Também havia material de propaganda em um veículo.
Os dois suspeitos foram autuados sob a acusação de violar o artigo 299 do Código Eleitoral, que tipifica como corrupção eleitoral a prática de dar, oferecer, prometer ou receber vantagens — dinheiro, bens ou favores — com a intenção explícita de trocar esses benefícios por votos. A decisão judicial, porém, deixa claro que neste momento não se está afirmando a efetiva ocorrência de captação ilícita de sufrágio ou a responsabilidade de qualquer candidato ou outras pessoas mencionadas.
Quando interrogado, Damasceno reafirmou a explicação dada pela esposa: o dinheiro seria fruto da venda de gado e seria depositado em banco após o trabalho. A mulher também foi questionada sobre o material de campanha encontrado no local e respondeu que o companheiro simpatiza com alguns candidatos. Ela relatou ainda que o marido havia solicitado que o dinheiro fosse depositado em uma conta bancária, ação que ela não conseguiu cumprir por não se lembrar do número da conta.
A operação ocorre em um momento crítico do calendário eleitoral, quando as campanhas estão em sua reta final. A apreensão de material de campanha e dinheiro em espécie, combinada com as anotações de nomes de eleitores e os registros audiovisuais, levantou suspeitas sobre possíveis práticas de compra de votos na região da Ibiapaba. Ainda assim, a investigação permanece em andamento, e as autoridades eleitorais não confirmaram envolvimento direto dos candidatos mencionados nos vídeos.
Notable Quotes
Será que arruma voto ou não arruma, hein? Cuida... Vamos pra cima! Roger Aguiar e a Paloma... trabalhando...— Homem identificado como Francisco Antônio Damasceno em vídeo encaminhado à Promotoria Eleitoral
Neste momento, não se está afirmando a efetiva ocorrência de captação ilícita de sufrágio ou de corrupção eleitoral, tampouco a responsabilidade de qualquer candidato— Decisão do juiz Cristiano de Carvalho