Julio Iglesias: a vida secreta do Don Juan espanhol revelada em biografia explosiva

Julio Iglesias enfrentou grave doença aos 20 anos (tumor na medula espinhal) e seu pai foi sequestrado pela ETA, eventos que marcaram profundamente sua vida pessoal.
Nada mais existe senão ele e tudo o resto tem de girar à sua volta
A descrição do biógrafo sobre a natureza territorial e solitária de Julio Iglesias, revelando o centro da sua personalidade.

Aos oitenta e um anos, Julio Iglesias habita as Bahamas como uma ilha dentro de outra ilha — cercado de riqueza e silêncio. Uma nova biografia de Ignacio Peyró desvenda o paradoxo de um homem que vendeu trezentos milhões de discos e conquistou dezenas de mulheres, mas que nunca conseguiu escapar à solidão que o persegue desde os vinte anos, quando um tumor na medula espinhal o deixou paralisado e uma guitarra lhe devolveu o mundo. Entre dois casamentos, um sequestro do pai pela ETA e uma reputação de Don Juan que se tornou adjetivo universal, a vida de Iglesias revela-se tão lendária quanto melancólica.

  • Uma biografia explosiva expõe o que as canções sempre esconderam: por trás do maior sedutor da música ibérica existe um homem profundamente só.
  • O colapso do casamento com Isabel Preysler desencadeou anos de don-juanismo niilista, com relógios Cartier oferecidos como bilhetes de saída para as amantes.
  • A mudança para Miami e os excessos do 'bunker dos milionários' representaram não uma celebração, mas uma fuga — de si mesmo e das perdas que não sabia nomear.
  • O segundo casamento com Miranda Rijnsburger trouxe cinco filhos e aparente estabilidade, mas a sombra de Preysler e a relação fraturada com Enrique Iglesias nunca se dissiparam completamente.
  • Aos 81 anos, retirado dos palcos e rodeado de rumores de doença, Iglesias comprou uma propriedade perto do lugar onde nasceu — como se o regresso a casa fosse o único encore que ainda faz sentido.

Aos vinte anos, um espirro deixou Julio Iglesias paralisado. Os médicos encontraram um tumor na medula espinhal, e a recuperação durou meses. Foi durante essa convalescença que alguém lhe ofereceu uma guitarra — um gesto simples que reorientou o destino de um homem que viria a vender trezentos milhões de discos e a figurar entre os dez mais ricos do mundo nos anos oitenta.

O casamento com Isabel Preysler, socialite de beleza notória, transformou Iglesias numa figura que transcendia a música. As revistas espanholas devoravam o casal. Mas havia uma contradição no centro de tudo: enquanto cantava em quarenta e uma cidades durante o noivado, mantinha quarenta e uma namoradas. O biógrafo Ignacio Peyró, que passou anos a investigar a sua vida, explica que Iglesias não era apenas um símbolo sexual — era um adjetivo. Dizer que alguém era 'um Julio Iglesias' bastava para descrever tudo.

Quando Preysler terminou o casamento, ele ficou destroçado. Refugiou-se em Porto Rico e depois em Miami, num don-juanismo quase niilista, com festas sem fim e um secretário encarregado de comprar relógios Cartier para oferecer às amantes quando queria que partissem. Ninguém ficava. Ninguém permanecia.

Em 1990, conheceu Miranda Rijnsburger, com quem se casou e teve cinco filhos. Algo mudou — mas a vida com Preysler nunca foi completamente superada, e a relação difícil com o filho Enrique permanece como uma das feridas mais complexas que carrega.

Agora, aos oitenta e um anos, vive nas Bahamas, melancólico e afastado dos palcos. Rumores de doença circulam, e a compra de uma propriedade em Ourense, perto do lugar onde nasceu, parece um último apelo ao regresso. Peyró retrata um homem muito solitário, muito territorial, para quem tudo tem de girar à sua volta — e que, apesar de tudo o que o tornou extraordinário, não consegue escapar às coisas às quais nenhum homem consegue.

Aos vinte anos, Julio Iglesias quase morreu. Um espirro o deixou paralisado. Os médicos procuravam uma escoliose, mas encontraram algo pior: um tumor na medula espinhal que o condenou a uma luta pela recuperação que durou meses. Durante a convalescença, recebeu um presente que ninguém poderia ter previsto que mudaria tudo — uma guitarra. Naquela época, ninguém sabia que este rapaz espanhol se tornaria um dos maiores artistas do mundo, que venderia trezentos milhões de discos, que entraria na lista dos dez homens mais ricos do planeta na década de oitenta, ou que sua vida privada se tornaria tão lendária quanto suas canções.

No primeiro concerto, Iglesias esqueceu as letras. A voz não saiu como deveria. Quase ninguém o ouviu naquela noite. Mas os dados estavam lançados. Na década de setenta, já era uma figura conhecida em Espanha, e quando se casou com Isabel Preysler, uma socialite de beleza notória, sua imagem ganhou uma dimensão que transcendia a música. As revistas espanholas não conseguiam parar de publicar fotos do casal. O casamento abriu uma porta que Julio nunca mais conseguiria fechar — a porta da vida pública, dos escândalos, dos rumores, das histórias que o público queria desesperadamente conhecer.

Mas havia uma contradição no coração desta narrativa. Enquanto Iglesias cantava em quarenta e uma cidades espanholas durante o noivado com Preysler, ele também tinha quarenta e uma namoradas diferentes. A expressão Don Juan colou-se à sua imagem como uma segunda pele, junto com a palavra playboy. Ignacio Peyró, o biógrafo que passou anos investigando a vida do cantor, explica que Iglesias não era apenas um símbolo sexual — era um adjetivo. As pessoas não diziam apenas que alguém era um Don Juan; diziam que era um Julio Iglesias. Esta reputação tornava sua vida ainda mais fascinante aos olhos do público, mas também a tornava mais vazia.

Quando Isabel Preysler terminou o casamento, Iglesias ficou destroçado. Ele se entregou ao que Peyró descreve como um don-juanismo quase niilista, curando as feridas em Porto Rico com conquistas de curta duração. No final dos anos setenta, mudou-se para Miami, para o famoso bunker dos milionários, onde viveria anos de excessos sem limites. Festas exuberantes, mulheres bonitas, e um secretário pessoal encarregado de comprar relógios Tank da Cartier para oferecer às suas amantes quando queria que saíssem de sua vida. "Usei-o até hoje, fica com ele, assim lembras-te de mim", dizia ele a elas. Mas ninguém ficava. Ninguém permanecia.

Em 1990, aos quarenta e sete anos, Iglesias conheceu Miranda Rijnsburger, uma holandesa de apenas vinte e quatro anos. Casou-se pela segunda vez e, desta vez, algo mudou. Deixou a vida de playboy e se entregou aos laços de família. Tiveram cinco filhos juntos. Mas a vida que construiu com Isabel — a vida que o marcou profundamente, que definiu suas angústias e suas decisões — nunca foi completamente superada. Sua relação difícil com Enrique Iglesias, o filho que teve com Preysler, permanece como uma das realidades mais complexas com a qual tem de lidar até hoje.

Agora, aos oitenta e um anos, Iglesias vive nas Bahamas. Tem um barco novo. Tem riqueza incalculável. Mas está melancólico em relação à idade. Rumores sugerem que está doente, possivelmente com cancro, e que comprou uma propriedade em Ourense, perto do lugar onde nasceu, num último apelo do regresso a casa. Nos últimos concertos, ele não conseguia estar onde queria estar. Decidiu se retirar numa espécie de presença por ausência, de forma a que toda a gente queira saber onde ele está. Peyró descreve um homem muito solitário, muito territorial, para quem nada mais existe senão ele próprio e tudo o resto tem de girar à sua volta. Apesar de todas as coisas que o tornaram diferente de todos os outros — a música, a riqueza, a fama, as histórias — há coisas às quais ele não consegue escapar nem nunca vai conseguir, por muito que queira e que tente.

Julio Iglesias é muito solitário e, ao mesmo tempo e por essa razão, é muito territorial. Para Julio Iglesias, nada mais existe senão ele e tudo o resto tem de girar à sua volta.
— Ignacio Peyró, biógrafo
A relação com Isabel Preysler — e sobretudo o fim dessa mesma relação — definiu o futuro de Iglesias, marcou-o profundamente e ditou muitas das suas angústias, dilemas e decisões.
— Ignacio Peyró, biógrafo
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Como é que uma pessoa consegue vender trezentos milhões de discos e ainda assim sentir-se profundamente sozinha?

Model

Porque a música não é a vida. A música é o que ele fez, mas não é quem ele é. E quem ele é — um homem que precisa de que tudo gire à sua volta — isso é uma prisão que nenhuma canção consegue abrir.

Inventor

O biógrafo diz que Iglesias teria condicionado a narrativa se tivesse falado. Isso significa que a verdade dele é diferente da verdade do livro?

Model

Significa que ele teria contado uma história sobre sucesso e carreira. O livro conta a história sobre o que o sucesso custou — a solidão, as relações destruídas, o don-juanismo que era quase uma doença.

Inventor

Isabel Preysler parece ter sido o ponto de viragem em tudo isto.

Model

Foi. Perder Isabel desorientou-o completamente. Tudo o que veio depois — as festas, as mulheres, os relógios de Cartier — foi uma forma de não sentir essa perda. E quando finalmente se casou novamente, aos quarenta e sete anos, foi porque estava cansado de não sentir nada.

Inventor

Ele está a tentar regressar a Espanha agora, aos oitenta e um anos. Porquê?

Model

Porque a Bahamas nunca foi casa. Miami nunca foi casa. A riqueza nunca foi casa. Ele quer morrer onde nasceu, talvez esperando que isso feche algum círculo que nunca conseguiu fechar enquanto estava vivo.

Inventor

A biografia sugere que ele não aceita bem a idade.

Model

Ninguém que viveu como ele viveu consegue aceitar bem a idade. Porque a idade tira aquilo que o definiu — o poder de seduzir, de conquistar, de ser o centro de tudo. E quando isso se vai, o que fica?

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