Do doutorado ao combate às fake news: a jornada de duas cientistas

Diga sim, entre em pânico depois
A frase que Emily, uma comunicadora britânica, repetia durante o treinamento que inspirou Laura e Ana a criar seu projeto.
Mark

Como duas pesquisadoras que estavam terminando o doutorado acabaram criando um projeto de combate à desinformação?

Mimi

Elas participaram de um treinamento de comunicação científica no Rio de Janeiro em 2018, ministrado por uma britânica chamada Emily. Aquilo as inspirou a pensar que havia uma carreira possível em comunicar ciência nas redes sociais.

Luke

Mas o treinamento em si não foi sobre combater fake news, certo? Isso veio depois, quando elas perceberam que desmentir coisas era tão importante quanto explicar conceitos?

Mimi

Exatamente. Elas começaram querendo apenas tornar a ciência acessível nas redes sociais. Mas em poucos meses perceberam que a desinformação era um problema tão grande que não podiam ignorar.

Mark

E a tatuagem que fizeram com a frase "Say yes, panic later" — isso foi um compromisso entre elas?

Mimi

Foi um símbolo de que estavam dispostas a aceitar desafios sem saber exatamente como resolvê-los. A frase virou um lembrete de que era preciso agir primeiro e se desesperar depois.

Luke

Oito anos é um tempo considerável. Você tem dados sobre o alcance do projeto, quantas pessoas elas atingem, qual é o impacto mensurável?

Mimi

A fonte não fornece números específicos sobre alcance ou impacto quantificável. O que sabemos é que o trabalho cresceu o suficiente para que agora elas se tornem colunistas do TecMundo no Estadão.

Mark

Qual é a diferença entre comunicação científica e combate à desinformação? Elas fazem as duas coisas?

Mimi

Sim. Comunicação científica é explicar conceitos e descobertas. Combate à desinformação é desmentir o que é falso. Elas descobriram que ambas são necessárias, porque as pessoas estão sendo enganadas constantemente.

Luke

A fonte menciona que é fácil enganar pessoas porque elas acreditam em qualquer coisa dita com firmeza. Mas como duas cientistas conseguem competir com isso em escala?

Mimi

Essa é a questão central. Elas reconhecem que o trabalho nunca vai acabar — há sempre nova desinformação sendo criada mais rápido que elas conseguem desmentir.

  • A desinformação cresce mais rápido do que a ciência consegue responder, e conteúdos falsos sobre saúde se multiplicam exponencialmente nas redes sociais.
  • Duas pesquisadoras recém-doutoras enfrentavam o limbo profissional típico da academia brasileira, onde pesquisa não é reconhecida formalmente como trabalho.
  • Um treinamento de comunicação científica no Rio de Janeiro funcionou como catalisador: a frase 'Say yes, panic later' virou tatuagem e filosofia de vida para ambas.
  • O projeto Nunca vi 1 Cientista nasceu da soma de coragens — e rapidamente revelou que desmentir fake news seria tão essencial quanto explicar conceitos científicos.
  • Oito anos depois, as cientistas ampliam sua atuação como colunistas do TecMundo no Estadão, reconhecendo que o combate à desinformação não tem linha de chegada.

Em um momento de incerteza profissional, duas cientistas brasileiras descobriram que o conhecimento acumulado em anos de pesquisa podia encontrar novo lar nas redes sociais — e que esse lar precisava urgentemente de guardiãs da verdade. O que começou como uma aposta corajosa em comunicação científica tornou-se, ao longo de oito anos, uma missão estruturada contra a desinformação que hoje ganha novo alcance nas páginas do Estadão. A história de Laura e Ana é também a história de uma geração de cientistas que recusou o vazio e escolheu construir pontes entre o laboratório e a vida cotidiana.

Em 2018, Laura e Ana estavam prestes a defender seus doutorados e enfrentavam uma realidade comum entre cientistas brasileiros: no país, pesquisa acadêmica é classificada como estudo, não como trabalho, e a passagem para o mercado pode ser abrupta e desorientadora.

Um evento de comunicação científica no Rio de Janeiro mudou o rumo das duas. Os treinamentos conduzidos por Emily, uma comunicadora britânica, abriram um horizonte que nenhuma delas havia considerado: havia uma carreira possível naquele espaço. A frase que Emily repetia — 'Say yes, panic later' — ressoou tão fundo que as duas a tatuaram no corpo, sem combinarem entre si. Era um pacto silencioso com o desconhecido.

Assim nasceu o Nunca vi 1 Cientista, projeto que usa linguagem acessível para falar de ciência nas redes sociais. O nome brinca com o desconhecimento público sobre quem são os cientistas, e o numeral '1' permite ser lido tanto no masculino quanto no feminino. O que começou como divulgação científica logo revelou uma segunda vocação: em poucos meses, desmentir fake news tornou-se tão central quanto explicar conceitos. As duas perceberam que a era da informação havia se convertido em era da desinformação, e que a verdade precisava estar exatamente onde a mentira domina.

Oito anos depois, o projeto segue em expansão. Com conteúdos falsos sobre saúde se multiplicando sem cessar e sempre uma nova descoberta a traduzir, Laura e Ana abrem agora um novo capítulo como colunistas do TecMundo no Estadão — confirmando que aquele fim de doutorado cheio de dúvidas foi, na verdade, um começo extraordinário.

Em 2018, duas pesquisadoras brasileiras enfrentavam aquela pergunta que assombra todo doutorando nos meses finais da tese: e agora? Laura e Ana estavam prestes a defender seus trabalhos de doutorado, e como tantos cientistas no Brasil, se viam diante de um vazio profissional. No país, a pesquisa acadêmica não é formalmente reconhecida como trabalho — é estudo. A transição entre ser o futuro da nação e estar desempregado pode acontecer em questão de dias.

Um evento de comunicação científica no Rio de Janeiro mudaria tudo. Não era nada extraordinário na aparência: alguns dias de apresentações, treinamentos, a chance de concorrer a uma viagem para a Inglaterra. Mas os treinamentos ministrados por Emily, uma comunicadora de ciência britânica, revelaram algo que nenhuma delas havia considerado antes — que havia uma carreira possível naquele espaço, desde que estivessem dispostas a "abrir o mato". Emily repetia uma frase que se tornaria o norte das duas: "Say yes, panic later" (diga sim, entre em pânico depois). Sem combinarem previamente, Laura e Ana fizeram uma tatuagem com essa frase. Era um lembrete permanente de que aceitar desafios agora e lidar com o desespero depois era a estratégia certa.

A ideia surgiu naturalmente: por que não usar tudo o que aprenderam e se unir para falar de ciência nas redes sociais? As pessoas passavam horas scrollando por feeds vazios — por que não colocar conhecimento ali, em linguagem que qualquer um pudesse entender? Disseram sim para criar conteúdo, sim para aprender design de posts e edição de vídeo, sim para descobrir como gerenciar uma empresa. Encontraram uma na outra a coragem que faltava para expandir o trabalho de comunicação que já faziam há anos. Assim nasceu o Nunca vi 1 Cientista — um nome que brinca com o fato de a maioria das pessoas não ter ideia de quem são os cientistas, e usa o numeral 1 para ser lido tanto como "um" quanto como "uma".

Mas o trabalho tomou um rumo que elas não previam completamente. Em poucos meses, perceberam que desmentir coisas seria tão importante quanto explicar o básico da ciência. Descobriram que a era da informação havia se transformado em era da desinformação. Nas redes sociais, o que reina é o falso. É surpreendentemente fácil enganar pessoas: muita gente acredita em praticamente qualquer coisa dita com firmeza por alguém que se apropria de um argumento de autoridade. Laura e Ana compreenderam que a informação precisa estar onde a desinformação domina. Que a internet precisa de pessoas dispostas a dedicar suas vidas a combater conteúdos falsos que enganam e prejudicam.

Oito anos depois, é seguro dizer que aquele fim de doutorado cheio de incertezas foi um grande começo. Especialmente agora, quando conteúdos falsos com potencial de prejudicar a saúde das pessoas se multiplicam exponencialmente, quando há sempre uma nova descoberta para explicar, uma dúvida para responder, uma ideia para traduzir em linguagem acessível. O trabalho não vai acabar nunca — e agora, parte dele acontecerá aqui, como colunistas do TecMundo no Estadão, abrindo um novo capítulo dessa história que começou em um treinamento de comunicação científica e se transformou em missão contínua contra a desinformação.

A internet precisa de gente disposta a dedicar a vida a combater conteúdos falsos, que enganam as pessoas, e a ensinar o que é ciência e sua importância
— Laura e Ana, do Nunca vi 1 Cientista
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