Dívida federal americana atingiu marco histórico de US$ 40,047 trilhões, mais que dobrando desde 2017 quando Trump assumiu pela primeira vez. Um terço do aumento veio de empréstimos para COVID-19; restante reflete escolhas fiscais de ambos presidentes e desequilíbrio estrutural entre impostos e gastos.
Dívida dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões após dobrar em menos de uma década
A dívida federal já está aumentando o custo de vida
Como chegamos a US$ 40 trilhões? Parece um número quase abstrato.
Não é abstrato. Começou em 2017 com US$ 20 trilhões. Metade desse crescimento veio de dois anos de empréstimos para COVID-19. A outra metade? Escolhas políticas — cortes de impostos, gastos aumentados — de dois presidentes diferentes.
Então ambos os lados contribuíram igualmente?
Não exatamente. Trump adicionou US$ 7,8 trilhões em seu primeiro mandato, Biden adicionou US$ 8,4 trilhões. Mas Trump já adicionou US$ 3,8 trilhões em menos de dois anos de seu segundo mandato. Os números falam.
E por que não conseguem simplesmente cortar gastos?
Porque 60% do orçamento é obrigatório — Previdência Social, Medicare, Medicaid. Aumentam automaticamente. Os cortes que Trump está fazendo visam a pequena parte discricionária. É como tentar esvaziar uma piscina tampando o ralo enquanto a torneira continua aberta.
Os investidores estão preocupados?
Muito. Os rendimentos dos títulos estão nos níveis mais altos em duas décadas. Os investidores estrangeiros estão comprando menos. Isso significa que o governo precisa oferecer retornos maiores para atrair compradores, o que torna mais caro emprestar dinheiro.
Qual é o pior cenário?
Uma crise da dívida em larga escala. Os custos com juros já superam o que o governo gasta com Medicare. Se as taxas continuarem subindo, os juros podem consumir tanto do orçamento que não há espaço para nada mais — nem defesa, nem infraestrutura, nem programas sociais.
Então o que muda agora?
Tudo depende se o Congresso enfrenta a realidade. Aumentar impostos, cortar gastos, ou ambos. Mas nenhuma opção é politicamente fácil, e o tempo está se esgotando.
El Pulso
- Dívida total dos EUA atingiu US$ 40,047 trilhões em agosto de 2026
- Dívida mais que dobrou desde janeiro de 2017, quando era US$ 19,95 trilhões
- Um terço do aumento veio de empréstimos para COVID-19; dois terços refletem escolhas fiscais
- Custos com juros já superam gastos com Medicare, segunda maior rubrica do orçamento
- Déficit dos primeiros 10 meses de 2026 já ultrapassou o déficit total de 2025
Dívida federal americana atingiu marco histórico de US$ 40,047 trilhões, mais que dobrando desde 2017 quando Trump assumiu pela primeira vez. Um terço do aumento veio de empréstimos para COVID-19; restante reflete escolhas fiscais de ambos presidentes e desequilíbrio estrutural entre impostos e gastos.
A dívida total dos EUA superou US$ 40 trilhões pela primeira vez, dobrando em menos de uma década sob Trump e Biden, alimentada por gastos com pandemia, programas sociais e juros crescentes que superam receitas.
Os números chegaram na quarta-feira, e eram inescapáveis: a dívida total dos Estados Unidos havia ultrapassado US$ 40 trilhões pela primeira vez na história. O Departamento do Tesouro divulgou o dado em seu relatório diário de saldos de caixa, e o número — US$ 40,047 trilhões — incluía US$ 32,266 trilhões em títulos do Tesouro detidos pelo público e US$ 7,782 trilhões em dívida intragovernamental. Para colocar em perspectiva o tamanho da transformação: em janeiro de 2017, quando Donald Trump tomou posse pela primeira vez, aquela dívida era de US$ 19,95 trilhões. Em menos de uma década, ela mais que dobrou.
O crescimento não foi uniforme. Aproximadamente um terço desse aumento monumental ocorreu durante dois anos de empréstimos frenéticos do governo para financiar as respostas à pandemia de COVID-19, implementadas tanto por Trump quanto por seu sucessor, Joe Biden. O restante reflete as escolhas de política fiscal de ambos os presidentes — cortes de impostos, aumentos de gastos, ou ambos — somadas aos desequilíbrios estruturais de longa data entre o que o governo arrecada e o que gasta. Durante o primeiro mandato de Trump, a dívida pública aumentou em US$ 7,8 trilhões, com mais da metade acumulada nos últimos nove meses de seu governo, durante a resposta à pandemia. Desde que Trump retornou ao cargo em janeiro de 2025, a dívida cresceu outros US$ 3,8 trilhões. O mandato de Biden, por sua vez, viu um aumento de US$ 8,4 trilhões, impulsionado não apenas pela recuperação da COVID-19, mas também por grandes investimentos em infraestrutura, subsídios para energia limpa e outras prioridades democratas.
Os sinais de alerta vêm se multiplicando há semanas. Grupos de fiscalização orçamentária antecipavam a ultrapassagem dessa marca e emitiram alertas contundentes sobre o risco de uma crise da dívida em larga escala. Margaret Spellings, CEO do Bipartisan Policy Center, um think tank centrista, descreveu o marco como um "lembrete sombrio" de que o país já passou da hora de confrontar uma "discrepância fundamental". O problema é simples de enunciar, mas complexo de resolver: os programas federais gastam muito mais do que o governo arrecada, e os itens mais caros do orçamento — Previdência Social, Medicare, Medicaid — funcionam no piloto automático, aumentando automaticamente para acompanhar o custo de vida. Spellings alertou que a dívida federal já está aumentando o custo de vida e sufocando outros gastos e investimentos, ameaçando a economia e a prosperidade de longo prazo dos americanos.
Os números de julho revelaram a pressão em tempo real. O Tesouro divulgou o quarto maior déficit mensal da história dos EUA — US$ 432 bilhões — devido a reembolsos de tarifas alfandegárias que resultaram em receita negativa pelo terceiro mês consecutivo, além do aumento contínuo dos gastos com Previdência Social e Medicare. Mais preocupante ainda: o déficit dos primeiros dez meses do ano fiscal de 2026 já ultrapassou o déficit total de todo o ano fiscal de 2025, e ainda faltam dois meses para o fim do ano fiscal atual. Os credores globais dos EUA parecem estar ficando cautelosos. Após um leilão de US$ 25 bilhões em títulos do Tesouro de 30 anos ter atingido o maior rendimento desde 2021, os rendimentos dos títulos de longo prazo atingiram na terça-feira seus níveis mais altos em quase duas décadas, à medida que os investidores exigiam maior compensação diante da volumosa emissão de títulos do governo americano.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, respondeu com um movimento ousado na quarta-feira, anunciando a duplicação do volume de recompras de títulos do Tesouro com vencimento entre 10 e 30 anos, para pelo menos US$ 4 bilhões por operação. Mas a pressão no mercado é real. O prêmio de prazo para títulos de 10 anos — uma medida de quanto do rendimento total é atribuído ao risco percebido de mantê-lo por uma década — subiu para o nível mais alto em mais de uma década. Simultaneamente, a demanda por títulos da dívida americana por parte de investidores estrangeiros, que detêm quase um terço de todos os títulos do Tesouro, vem diminuindo ao longo do último ano, deixando mais títulos disponíveis para compradores mais sensíveis a preços e potencialmente exacerbando a volatilidade do mercado.
A estrutura do orçamento federal explica por que cortes simples são insuficientes. Os EUA gastam aproximadamente US$ 7 trilhões anualmente. Sessenta por cento desse valor — cerca de US$ 4,2 trilhões — é destinado a programas considerados "obrigatórios": Previdência Social, Medicare, Medicaid e assistência a veteranos. Esses programas aumentam automaticamente para acompanhar o custo de vida e não podem ser cortados sem legislação específica. Outros US$ 1,1 trilhão são destinados ao pagamento de juros sobre a dívida, um número que cresce à medida que a dívida aumenta e as taxas de juros sobem. Em 2025, pela primeira vez na história, os custos com o serviço da dívida ultrapassaram o financiamento do Pentágono. Nos primeiros dez meses do ano fiscal de 2026, os custos com juros já superaram os gastos com Medicare, tornando-se a segunda maior rubrica do orçamento federal, atrás apenas da Previdência Social.
Trump, em seu segundo mandato, classificou seu governo como focado na redução de custos, com cortes de empregos em agências federais ordenados pelo Departamento de Eficiência Governamental. No entanto, grande parte desses cortes teve como alvo os programas "discricionários" — a menor parcela do orçamento. Seu pacote legislativo histórico do segundo mandato, o One Big Beautiful Bill Act, adicionará mais US$ 4,7 trilhões à dívida, de acordo com o Escritório de Orçamento do Congresso. O Comitê para um Orçamento Federal Responsável estima que as escolhas políticas de Trump e Biden aumentaram a trajetória da dívida federal além do que teria se acumulado sob as leis de gastos vigentes quando cada um assumiu o cargo. A questão agora é se os legisladores enfrentarão a perspectiva fiscal insustentável — aumentando impostos, cortando gastos ou ambos — antes que a pressão dos mercados globais force a mão.
Citas Notables
Este marco sombrio serve como mais um lembrete de que já passou da hora de confrontarmos uma discrepância fundamental. Nossos programas federais gastam muito mais do que o governo arrecada.— Margaret Spellings, CEO do Bipartisan Policy Center
A dívida federal já está aumentando o custo de vida e sufocando outros gastos e investimentos, ameaçando nossa economia e a prosperidade de longo prazo dos americanos.— Margaret Spellings, CEO do Bipartisan Policy Center