Dívida de Minas domina primeiro debate entre candidatos ao governo

Mateus Simões mencionou perda de familiares em acidentes nas rodovias estaduais, evidenciando o custo humano da infraestrutura deficiente.
O estado está preso entre a dívida monumental e a demanda por investimento
Minas Gerais enfrenta um dilema: resolver 175 bilhões em dívida ou investir em segurança, infraestrutura e meio ambiente.
Mark

Por que a dívida de Minas dominou tanto o debate, se existem tantos outros problemas urgentes?

Mimi

Porque a dívida é o gargalo que impede tudo o mais. Sem resolver os 175 bilhões, não há dinheiro para polícia, para estradas, para nada. É o problema que torna o estado ingovernável.

Mark

Mas Mateus Simões já pagou 13 bilhões. Isso não mostra progresso?

Mimi

Mostra, mas é como tentar esvaziar uma piscina com um copo enquanto a torneira continua aberta. Ele conseguiu revisar apenas 10 mil dos 24 mil quilômetros de estrada. O estado está preso.

Mark

Cleitinho Azevedo votou a favor do Propag no Senado. Como ele consegue se posicionar como solução agora?

Mimi

Ele reconhece que foi um mal necessário — usa a metáfora da quimioterapia. Mas agora diz que a solução é renegociar, revisar isenções, cobrar quem sonega. É uma posição incômoda, mas ele tenta sair dela.

Mark

Gabriel Azevedo fala em criar uma agência para rastrear cada centavo. Isso é realista?

Mimi

É uma promessa de transparência em um estado marcado por corrupção. Ele cita escândalos na mineração, educação, esporte. A agência seria um símbolo de ruptura, mas depende de vontade política real.

Mark

E a Serra do Curral? Por que isso importa tanto?

Mimi

Porque representa a tensão entre desenvolvimento econômico e preservação. Minas precisa da mineração, mas a Serra é um símbolo. Gabriel quer ferrovias em vez de caminhões. É uma visão diferente de progresso.

Mark

Mateus Simões perdeu familiares em acidentes nas estradas. Isso muda como você vê o debate?

Mimi

Muda tudo. Não é abstrato. Ele está falando de 24 mil quilômetros de estrada que matam pessoas. Quando ele diz que conseguiu revisar apenas 10 mil, você entende o peso do que não foi feito.

  • A dívida de R$ 175 bilhões funciona como uma gravidade que puxa cada proposta para baixo, tornando quase impossível prometer investimentos sem antes explicar de onde virá o dinheiro.
  • Candidatos divergiram radicalmente sobre o Propag: para uns, uma tábua de salvação necessária como quimioterapia; para outros, uma sentença que tornaria o estado ingovernável por décadas.
  • Temas como feminicídio, privatização da Cemig e mineração na Serra do Curral expuseram prioridades incompatíveis entre os postulantes, cada um defendendo uma hierarquia diferente de urgências.
  • O governador em exercício Mateus Simões revelou que perdeu um irmão e os pais em acidentes nas rodovias estaduais — humanizando o déficit de infraestrutura que consome metade do que seria necessário para ser resolvido.
  • A ausência de Patrus Ananias, do PT, que preferiu acompanhar Lula em São Paulo, sinalizou que o debate nacional pode pesar tanto quanto o estadual na definição dos rumos de Minas.

No primeiro debate da corrida ao governo de Minas Gerais, cinco candidatos se encontraram diante de uma herança pesada: uma dívida de 175 bilhões de reais que molda cada escolha possível para o estado. O confronto revelou não apenas divergências sobre números e programas, mas visões distintas sobre o que significa governar um território preso entre obrigações fiscais monumentais e demandas humanas urgentes — das estradas que matam às mulheres que precisam de proteção. Minas, como tantas vezes na história brasileira, debate seu futuro carregando o peso acumulado de decisões que vieram antes.

Cinco candidatos ao governo de Minas Gerais se encontraram pela primeira vez no palco da TV Bandeirantes neste domingo. Alexandre Kalil, Cleitinho Azevedo, Flávio Roscoe, Gabriel Azevedo e Mateus Simões debateram enquanto Patrus Ananias, do PT, optou por acompanhar um evento de Lula em São Paulo.

O número que dominou a noite foi 175 bilhões de reais — a dívida refinanciada pelo Propag, programa federal que permite ao estado pagar o débito em 30 anos. Kalil chamou o programa de agressão imposta pelo Senado. Cleitinho, que havia votado a favor do Propag como senador, comparou-o a uma quimioterapia: um mal necessário, cuja solução passaria por renegociar isenções fiscais de 26 bilhões. Roscoe prometeu um 'pacotaço' nos primeiros 90 dias para destravar o estado. Gabriel Azevedo propôs uma agência independente para rastrear cada centavo público. Simões lembrou que já havia quitado 13 bilhões da dívida, mas denunciou que o estado transferia 600 milhões ao governo federal sem retorno proporcional.

O debate se alargou para outras fraturas. No feminicídio, Kalil apontou o fechamento de 126 delegacias de mulheres e a falta de 7 mil policiais, defendendo o modelo de abrigo que criou em Belo Horizonte. Na Cemig, Gabriel Azevedo e Cleitinho concordaram que a estatal havia se tornado instrumento de indicação política, divergindo sobre o caminho a seguir. Na mineração, Gabriel se opôs à exploração da Serra do Curral e propôs um Parque Metropolitano no local, com ferrovias substituindo caminhões nas estradas.

O encerramento do primeiro bloco trouxe o momento mais pessoal da noite: questionado sobre as rodovias estaduais, Simões revelou ter perdido um irmão e os pais em acidentes nas estradas de Minas. Explicou que o estado investe 2 bilhões por ano em recuperação asfáltica — metade do necessário para cobrir os 24 mil quilômetros de malha. O que o debate deixou claro é que Minas enfrenta prioridades que competem pela mesma moeda escassa, e que qualquer governador eleito herdará não apenas uma dívida, mas a conta de décadas de escolhas adiadas.

Cinco candidatos ao governo de Minas Gerais subiram ao palco da TV Bandeirantes neste domingo para o primeiro confronto direto da campanha. Alexandre Kalil, do PDT, Cleitinho Azevedo, dos Republicanos, Flávio Roscoe, do PL, Gabriel Azevedo, do MDB, e Mateus Simões, do PSD, enfrentaram-se em um debate que rapidamente revelou as fraturas mais profundas do estado. Patrus Ananias, do PT, não compareceu, preferindo acompanhar um evento de campanha do presidente Lula em São Paulo.

Desde os primeiros minutos, a conversa gravitou em torno de um número que paira sobre Minas como uma sombra: 175 bilhões de reais. Essa é a dívida que o estado refinanciou através do Propag, o programa federal de renegociação que permite ao estado pagar o débito ao longo de 30 anos. Para Kalil, o programa foi uma agressão imposta pelo Senado Federal, uma sentença que tornaria o estado ingovernável. Cleitinho Azevedo, que como senador havia votado a favor do Propag, comparou o programa a uma quimioterapia — um mal necessário contra um câncer. Sua solução passava por diálogo com o próximo presidente e revisão das isenções fiscais que, segundo ele, chegam a 26 bilhões de reais. Flávio Roscoe prometia um "pacotaço" nos primeiros 90 dias para destravar o estado, removendo amarras regulatórias que impediam empreendimentos. Gabriel Azevedo falava em equilibrar as contas e criar uma agência independente para rastrear cada centavo do dinheiro público. Mateus Simões, o governador em exercício, lembrou que já havia pago 13 bilhões dessa dívida desde que chegou ao cargo, mas reclamava que o estado entregava 600 milhões de reais ao governo federal sem receber de volta investimentos proporcionais.

O debate se expandiu para temas que revelavam as prioridades divergentes dos candidatos. Quando Mateus Simões questionou Kalil sobre feminicídio, citando uma entrevista antiga em que o candidato do PDT havia dito que o tema era complexo demais para ser responsabilidade do estado, Kalil contra-atacou apontando para a falta de 7 mil policiais no efetivo e para as 126 delegacias de mulheres que haviam sido fechadas. Ele mencionou a "Casa Sempre Viva", um abrigo para mulheres que havia criado quando era prefeito de Belo Horizonte.

A privatização da Cemig, a companhia energética estadual, também dividiu os candidatos. Gabriel Azevedo disse que a empresa já estava sendo privatizada de fato, transformada em um "feudo de indicação política". Cleitinho Azevedo reconheceu que a Cemig gerava lucros de 5 bilhões de reais, mas havia se tornado um "cabide de emprego e negociação política". Gabriel ainda acusou o governo atual de escândalos de corrupção que atingiam a mineração, a educação, o esporte e a própria Cemig.

Sobre mineração, Gabriel Azevedo se posicionou contra a exploração na Serra do Curral, um símbolo mineiro que considerava patrimônio intocável. Flávio Roscoe defendeu a mineração legal e sustentável, argumentando que Minas dependia do setor, mas concordava que a Serra do Curral deveria ser preservada. Gabriel respondeu com uma proposta ambiciosa: um Parque Metropolitano na Serra do Curral, sem mineração, e a retomada de ferrovias para transportar minério em vez de caminhões que danificavam as estradas.

No encerramento do primeiro bloco, Flávio Roscoe perguntou a Mateus Simões como pretendia resolver o cenário "trágico" das rodovias estaduais. O governador respondeu com uma confissão pessoal: havia perdido um irmão e os pais em acidentes nas estradas de Minas. Explicou que ele e seu antecessor Zema haviam coordenado o maior volume de investimentos em três décadas em recuperação asfáltica, mas conseguiram revisar apenas 10 mil dos 24 mil quilômetros de estrada do estado. Disse que o ideal seria investir 4 bilhões de reais por ano, mas o estado conseguia apenas 2 bilhões. Flávio Roscoe, em resposta, criticou os pedágios aplicados em estradas com baixo volume de tráfego, tornando os custos proibitivos.

O debate prosseguiu com confrontos diretos entre os candidatos e perguntas de jornalistas da Band Minas. O que emergiu foi um quadro de um estado preso entre a necessidade urgente de resolver sua dívida monumental e a demanda por investimentos em segurança, infraestrutura e proteção ambiental — prioridades que parecem competir pela mesma moeda vazia.

O que aconteceu com o Propag foi uma agressão a Minas Gerais. Agressão do Senado Federal, que aprovou por unanimidade um pacote pronto que foi colocado na goela de Minas Gerais.
— Alexandre Kalil (PDT)
Infelizmente, ela era mesmo impagável. Hoje ela está dentro do que o caixa do estado aguenta, mas com muito sofrimento.
— Mateus Simões (PSD)
Eu e Zema coordenamos o maior volume de investimentos em mais de três décadas em recuperação asfáltica, mas não foi suficiente ainda.
— Mateus Simões (PSD)
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