Dívida bruta do Governo Geral sobe a 90,6% do PIB em setembro

A dívida subiu quase 40 pontos percentuais em sete anos
Comparação entre o melhor momento da série histórica, em 2013, e setembro de 2020.
Mark

Por que essa métrica de dívida bruta importa tanto para os economistas?

Mimi

Porque ela diz ao mundo inteiro qual é o tamanho real da dívida do Brasil em relação ao que o país produz. Se você deve R$ 6 trilhões mas produz R$ 7 trilhões por ano, é uma coisa. Se produz R$ 5 trilhões, é outra completamente diferente. Agências de risco olham para esse número e decidem se o Brasil é seguro para emprestar dinheiro.

Mark

E por que subiu tanto em um mês?

Mimi

A pandemia forçou o governo a gastar muito mais do que o normal. Auxílios, programas de emergência, tudo isso saiu do orçamento. Mas a arrecadação não acompanhou porque a economia estava paralisada. Resultado: mais dívida em menos tempo.

Mark

Qual é o pior cenário aqui?

Mimi

Se a dívida continuar subindo e o país não conseguir crescer economicamente, chega um ponto em que ninguém mais quer emprestar dinheiro ao Brasil. Aí os juros explodem, o custo de pagar a dívida fica insustentável, e você entra em uma espiral.

Mark

Mas o Brasil tem essas reservas internacionais, certo?

Mimi

Tem, US$ 356 bilhões. Mas isso não resolve o problema de fundo. As reservas são um amortecedor, não uma solução. O real problema é que o Estado está gastando mais do que ganha, e isso precisa mudar em algum momento.

Mark

Os economistas estavam esperando que piorasse?

Mimi

Sim. Porque sabiam que os gastos pandêmicos não iam parar em setembro. A expectativa era de que a dívida continuasse subindo nos meses seguintes. E isso era exatamente o que preocupava o mercado financeiro.

  • A dívida bruta saltou 1,8 ponto percentual em apenas trinta dias — de 88,8% em agosto para 90,6% em setembro —, sinalizando uma aceleração que preocupa especialistas.
  • Os gastos emergenciais com auxílios, suporte a empresas e saúde pública empurraram o endividamento a R$ 6,533 trilhões, sem perspectiva clara de quando essa pressão vai arrefecer.
  • Agências internacionais de risco monitoram esse indicador de perto: quanto maior a dívida em relação ao PIB, maior a percepção de calote e mais caro fica para o Brasil tomar dinheiro emprestado.
  • As reservas internacionais de US$ 356 bilhões amenizam o quadro na dívida líquida (61,4% do PIB), mas não dissipam a preocupação central: o Estado gasta mais do que arrecada, e a conta cresce rápido.

Em setembro de 2020, a dívida bruta do Brasil alcançou 90,6% do PIB — um patamar que não se via desde 2013 e que, em sete anos, cresceu quase 40 pontos percentuais. A pandemia acelerou o que já era uma trajetória delicada: governos em todos os níveis gastaram além do que arrecadavam para sustentar uma economia em colapso. O endividamento público não é apenas um número contábil; é o espelho da distância entre o que um Estado promete e o que consegue pagar.

Em setembro de 2020, o Banco Central revelou que a Dívida Bruta do Governo Geral havia chegado a R$ 6,533 trilhões — 90,6% do PIB. Um mês antes, o percentual era de 88,8%. A diferença de 1,8 ponto percentual em trinta dias traduzia a velocidade com que o endividamento público avançava sob o peso da pandemia.

Federal, estaduais e municipais, os três níveis de governo que compõem esse indicador, haviam ampliado gastos de forma expressiva: auxílios emergenciais, suporte a empresas e investimentos em saúde consumiam recursos que o Estado não possuía. O resultado era mais dívida, mais juros e mais pressão sobre as contas públicas.

A perspectiva histórica tornava o cenário ainda mais grave. Em dezembro de 2013, o melhor momento da série, a dívida bruta fechara em 51,5% do PIB. Em sete anos, esse número subiu quase 40 pontos percentuais — uma trajetória que, apesar de oscilações, apontava em uma única direção.

Economistas alertavam que o pior ainda estava por vir. Com os gastos pandêmicos sem prazo de encerramento, a dívida deveria continuar subindo — e isso importava diretamente para as agências de classificação de risco, que usam esse indicador para medir a capacidade do Brasil de honrar seus compromissos. Dívida mais alta significa risco maior e juros mais elevados para novos empréstimos.

A dívida líquida do setor público, que desconta as reservas internacionais, passou de 60,7% para 61,4% do PIB, somando R$ 4,432 trilhões. Os US$ 356 bilhões em reservas reduziam o número líquido, mas não alteravam a equação fundamental: o Estado brasileiro gastava mais do que arrecadava, e a conta crescia em ritmo acelerado.

O Brasil entrou em setembro com uma dívida pública em aceleração. Os números divulgados pelo Banco Central na última sexta-feira de outubro mostravam que a Dívida Bruta do Governo Geral havia alcançado R$ 6,533 trilhões — o equivalente a 90,6% do Produto Interno Bruto. Um mês antes, em agosto, esse percentual era de 88,8%. A diferença de 1,8 pontos percentuais em trinta dias refletia a velocidade com que o endividamento público estava crescendo.

O contexto era a pandemia. Governos federal, estaduais e municipais — os três níveis que compõem a Dívida Bruta do Governo Geral — haviam disparado seus gastos para tentar conter os efeitos econômicos do coronavírus. Auxílios emergenciais, programas de suporte a empresas, investimentos em saúde: tudo isso custava dinheiro que o Estado não tinha. O resultado era mais endividamento, mais juros, mais pressão sobre as contas públicas.

Para entender a dimensão do problema, bastava olhar para trás. Em dezembro de 2013, no melhor momento da série histórica, a dívida bruta havia fechado em 51,5% do PIB. Sete anos depois, em setembro de 2020, esse número havia subido quase 40 pontos percentuais. A trajetória não era linear — havia oscilações — mas a tendência era clara e preocupante.

Economistas do mercado financeiro já sinalizavam que o pior ainda estava por vir. Com os gastos pandêmicos ainda em curso e sem perspectiva clara de quando terminariam, a expectativa era de que a dívida bruta continuasse subindo nos meses seguintes. Isso importava porque agências internacionais de classificação de risco usavam esse indicador para avaliar a capacidade do Brasil de honrar seus compromissos. Quanto maior a dívida em relação ao PIB, maior o risco de calote — e maior a chance de o país pagar juros mais altos para tomar emprestado.

O Banco Central também divulgou dados sobre a Dívida Líquida do Setor Público, que leva em conta as reservas internacionais do país. Esse número havia passado de 60,7% para 61,4% do PIB, atingindo R$ 4,432 trilhões. A dívida líquida era menor que a bruta justamente porque o Brasil tinha US$ 356 bilhões em reservas — um colchão que ajudava a reduzir o endividamento líquido, mas não eliminava a preocupação fundamental: o Estado estava gastando mais do que arrecadava, e a conta estava crescendo rápido.

A expectativa é de que a dívida bruta continue a subir nos próximos meses no Brasil. Este é um dos principais fatores de preocupação dos economistas do mercado financeiro.
— Banco Central
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