Dívida bancária do Rio atinge R$ 26 bilhões; governo negocia reestruturação

Reorganizar o passivo para melhorar a situação financeira
O objetivo central da negociação entre o Rio e o governo federal é reestruturar completamente a dívida estadual.
Mark

Por que o Rio chegou a esse ponto? Vinte e seis bilhões em dívidas bancárias não aparecem da noite para o dia.

Mimi

É o resultado de décadas de despesas que superaram receitas. O estado tomou empréstimos para cobrir déficits operacionais, e os juros se acumularam. Agora, esses débitos consomem recursos que poderiam ir para educação, saúde, segurança.

Mark

E por que o governo federal está apoiando essa renegociação agora? Qual é o interesse deles?

Mimi

Se o Rio entrar em colapso financeiro total, vira problema federal. É mais barato para Brasília ajudar a reorganizar a dívida do que lidar com um estado quebrado. Além disso, há eleições, há política envolvida.

Mark

Couto disse que não precisa de nova garantia do Tesouro. Como isso funciona? Ele está apenas pedindo para estender os prazos?

Mimi

Basicamente, sim. É realocação, não injeção de dinheiro novo. Você negocia com os bancos para aceitar juros menores e prazos maiores. Os bancos ganham porque pelo menos recebem. O estado ganha porque respira.

Mark

E a Refit? Por que Couto não respondeu sobre ela?

Mimi

Porque é politicamente delicado. A Refit é uma das maiores devedoras do Brasil, está sendo investigada por fraude fiscal. Se o Rio conseguir renegociar vinte e seis bilhões em débitos bancários, por que a Refit não conseguiria também? É uma questão que ninguém quer responder em público.

Mark

Qual é o risco real aqui? Que o Rio não consiga renegociar?

Mimi

Ou que consiga, mas com contrapartidas tão pesadas que o estado fica ainda mais apertado. Já está cedendo recursos do fundo de desenvolvimento até 2048. Cada acordo tem um preço.

  • O Rio de Janeiro deve R$ 26 bilhões a bancos e instituições financeiras, uma dívida que pressiona as contas estaduais e limita investimentos em serviços essenciais.
  • O governador em exercício Ricardo Couto foi pessoalmente a Brasília para negociar com o ministro Dario Durigan, que cancelou compromissos em São Paulo para participar da reunião — sinal do peso político do tema.
  • Em junho, o estado já havia reduzido sua dívida com a União de R$ 210 bilhões para R$ 168,5 bilhões via Propag, cortando parcelas mensais de R$ 436 milhões para R$ 119 milhões.
  • Agora o foco é a dívida bancária: o governo quer renegociá-la com juros menores e prazos estendidos, sem exigir nova garantia do Tesouro Nacional.
  • O BNDES deve entrar como parceiro nas próximas etapas, e uma questão permanece sem resposta: o papel da Refit, apontada como maior devedora contumaz do Brasil, nesse cenário.

O Rio de Janeiro carrega o peso de décadas de desequilíbrio fiscal: vinte e seis bilhões de reais em dívidas com bancos somam-se a um passivo histórico com a União que já consumiu quarenta e sete bilhões em pagamentos federais desde 2016. Em Brasília, o governador em exercício Ricardo Couto sentou-se com o ministro da Fazenda para tentar converter esse fardo em algo respirável — juros menores, prazos mais longos, e a esperança de que o estado possa, enfim, voltar a investir no cotidiano de seus cidadãos. A negociação não é apenas técnica: é um teste sobre se governos endividados conseguem reconstruir sua capacidade de servir ao público sem transferir o custo integralmente às gerações futuras.

Ricardo Couto saiu de Brasília na terça-feira com números pesados sobre a mesa. O governador em exercício do Rio de Janeiro havia acabado de se reunir com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e trazia a confirmação de um problema acumulado nos cofres estaduais: vinte e seis bilhões de reais em dívidas com bancos e instituições financeiras privadas. Não era apenas dado para relatório — era o retrato de uma situação que exigia ação.

O objetivo da visita a Brasília ia além de aderir a programas federais. Couto queria reorganizar completamente a estrutura de débitos do estado, renegociando condições com juros menores e prazos mais longos. O governo federal demonstrou receptividade: Durigan cancelou compromissos em São Paulo para estar presente na conversa, sinalizando o peso real do assunto.

Essa negociação se soma a um movimento anterior. Em junho, o Rio havia aderido ao Propag e visto sua dívida com a União cair de R$ 210 bilhões para R$ 168,5 bilhões. As parcelas mensais recuaram de R$ 436 milhões para R$ 119 milhões, o prazo foi estendido até 2056 e os juros reais foram eliminados. Agora, o foco era os vinte e seis bilhões devidos aos bancos.

Couto garantiu que não seria necessária nova garantia do Tesouro Nacional. O que se buscava era uma realocação inteligente das dívidas existentes, com o BNDES como parceiro nas próximas etapas. O contexto é pesado: desde 2016, a União já pagou cerca de R$ 47 bilhões em dívidas que o Rio não conseguiu quitar, e as contrapartidas do Propag incluem compromissos até 2048 e aplicação de recursos em educação, infraestrutura e segurança.

Uma questão ficou sem resposta: se a situação da Refit, refinaria de Manguinhos apontada como a maior devedora contumaz do Brasil — com mais de R$ 26 bilhões em débitos tributários e investigações por sonegação e lavagem de dinheiro —, havia sido discutida na reunião. Couto não respondeu. O que está em jogo é a capacidade do Rio de transformar um passivo esmagador em algo gerenciável, e tudo dependerá de como essas negociações evoluírem nas próximas semanas.

Ricardo Couto saiu de uma reunião em Brasília na terça-feira com números pesados sobre a mesa. O governador em exercício do Rio de Janeiro havia acabado de conversar com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e trazia consigo a confirmação de um problema que vinha se acumulando nos cofres estaduais: vinte e seis bilhões de reais em dívidas com bancos e outras instituições financeiras. Não era apenas um número para relatório. Era o retrato de uma situação que exigia ação imediata.

O encontro em Brasília tinha um propósito claro. Couto explicou que o Rio não estava buscando apenas aderir a programas federais de renegociação — embora o estado já tivesse feito isso com o Propag alguns meses antes. O objetivo era mais amplo: reorganizar completamente a estrutura de débitos, tanto com a União quanto com as instituições financeiras privadas. A ideia era simples em conceito, complexa em execução: renegociar essas dívidas com condições financeiras mais favoráveis, reduzindo os juros e estendendo os prazos de pagamento.

O governador foi direto ao ponto quando falou sobre o que esperava conseguir. Desejava fazer um reescalonamento da dívida com juros menores. E, segundo ele, o governo federal estava olhando com bons olhos para essa estratégia. Durigan havia cancelado compromissos em São Paulo para estar presente naquela conversa no fim da tarde, um sinal de que o assunto tinha peso político e financeiro real.

O que tornava essa negociação diferente de outras tentativas anteriores era o escopo. Não se tratava apenas de reorganizar débitos com a União — embora isso já tivesse acontecido em junho, quando o Rio aderiu oficialmente ao Propag. Naquela ocasião, a dívida com a União havia caído de duzentos e dez bilhões para cento e sessenta e oito bilhões e meio de reais. As parcelas mensais foram reduzidas de quatrocentos e trinta e seis milhões para cento e dezenove milhões. O prazo foi estendido até 2056, e os juros reais foram eliminados, deixando apenas a correção pela inflação. Agora, o foco era também nos vinte e seis bilhões que o estado devia aos bancos.

Couto deixou claro que não seria necessária uma nova garantia do Tesouro Nacional para viabilizar essas operações. O governo federal não precisaria colocar mais dinheiro na mesa. O que se buscava era uma realocação inteligente das dívidas existentes, uma reorganização que permitisse ao estado respirar financeiramente. Nas próximas etapas, o governo pretendia contar com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, para estruturar melhor essa reorganização.

O contexto por trás dessa negociação era pesado. Desde 2016, a União já havia pagado cerca de quarenta e sete bilhões de reais em dívidas do Rio que o próprio estado não conseguiu quitar. Para obter as condições do Propag, o Rio se comprometeu a reduzir vinte por cento do total devido à União. Como contrapartida, recursos que seriam repassados ao estado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional permaneceriam com o governo federal até 2048. O estado também se obrigou a aplicar um por cento do saldo devedor em educação, infraestrutura e segurança.

Uma questão ficou em aberto durante a reunião: se a situação da Refit, a refinaria de Manguinhos e uma das principais devedoras do estado, havia sido discutida. Couto não respondeu. O Grupo Refit, apontado pela Receita Federal como o maior devedor contumaz do Brasil, acumula débitos tributários superiores a vinte e seis bilhões de reais com a União e os estados. A empresa é alvo de investigações por sonegação fiscal estruturada, lavagem de dinheiro e uso de empresas-espelho. No ano anterior, havia sido alvo de duas operações federais que investigavam fraudes fiscais e ligações com redes de ocultação de patrimônio.

O que estava em jogo era a capacidade do Rio de se reorganizar financeiramente. A negociação em Brasília representava uma tentativa de transformar um passivo esmagador em algo gerenciável. Se conseguisse renegociar os vinte e seis bilhões com juros menores e prazos maiores, o estado teria mais espaço para investir em serviços básicos. Mas tudo dependeria de como essas negociações evoluíssem nas próximas semanas.

Desejamos fazer um reescalonamento desse débito com juros menores. E a União tem olhado de forma muito positiva a essa conduta do estado do Rio de Janeiro
— Ricardo Couto, governador em exercício do Rio de Janeiro
O objetivo maior dessa reunião hoje foi ver a reestruturação total da dívida do estado, não apenas dentro da ideia do Propag, mas também a reorganização de todo o déficit que nós temos junto às instituições financeiras
— Ricardo Couto
Möchten Sie die ganze Geschichte? Das Original lesen bei O Dia ↗
Kontakt FAQ