A realidade nos mostra um país partido ao meio
A Colômbia desperta diante de uma virada histórica: segundo a apuração preliminar, o advogado e empresário de direita Abelardo de la Espriella venceu a eleição presidencial com cerca de 245 mil votos de vantagem sobre o senador esquerdista Iván Cepeda, encerrando o ciclo do primeiro governo de esquerda do país. A margem é estreita num país de mais de 50 milhões de habitantes, e o resultado aguarda o escrutínio oficial — aquele momento em que juízes revisam as atas e a história se torna definitiva. Entre a celebração e a cautela, a Colômbia se descobre, uma vez mais, um país partido ao meio.
- Com apenas 245 mil votos de diferença, a vitória preliminar de De la Espriella é real o suficiente para celebrar, mas frágil o suficiente para gerar incerteza — o escrutínio oficial começa na segunda-feira e pode alterar o quadro.
- Cepeda recusou-se a reconhecer a derrota, e o presidente Petro alertou nas redes sociais que nenhum resultado deve ser considerado oficial antes do fim do processo, elevando a tensão política no país.
- De la Espriella, apelidado de 'El Tigre', promete uma ruptura radical: ofensiva militar contra o crime, dez megapresídios, corte de 40% do Estado e retirada da Colômbia de organismos como a ONU e a OEA.
- Sua vitória se encaixa numa onda conservadora regional celebrada por Milei, e conta com o apoio explícito de Trump — mas o novo presidente eleito carrega polêmicas que vão de defesas jurídicas controversas a declarações de cunho pessoal que viralizaram durante a campanha.
- O Conselho Nacional Eleitoral confirmou que a votação transcorreu com tranquilidade e sob observação internacional, mas a Colômbia permanece suspensa entre a festa e a espera pelo resultado definitivo.
A Colômbia acordou no domingo com um resultado que reescreve sua política. Segundo a contagem preliminar das autoridades eleitorais, Abelardo de la Espriella, advogado e empresário de direita, venceu a eleição presidencial com cerca de 245 mil votos de diferença — 12,9 milhões contra 12,7 milhões do senador Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro.
Há, porém, uma ressalva que paira sobre a celebração. Na Colômbia, o resultado preliminar — o chamado 'preconteo' — precisa ser confirmado pelo 'escrutínio', processo em que juízes revisam as atas para corrigir inconsistências. Esse processo começaria na segunda-feira. Até lá, nenhum resultado é oficialmente proclamado. Cepeda foi cauteloso e disse aguardar o escrutínio antes de reconhecer qualquer derrota. Petro foi além, alertando que 'a realidade nos mostra um país partido ao meio' e pedindo um acordo nacional para preservar a paz.
De la Espriella, conhecido como 'El Tigre', celebrou vestindo a camiseta da seleção colombiana. Sem experiência política anterior, cidadão naturalizado dos EUA e residente em Miami, ele fez campanha com um discurso antissistema inspirado em Trump e Bukele: promete ofensiva militar contra grupos armados e narcotraficantes, construção de dez megapresídios, corte de 40% do Estado e retirada da Colômbia de organismos como a ONU e a OEA. 'No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados', afirmou.
Sua vitória se alinha a uma onda conservadora na América Latina. Javier Milei celebrou nas redes: 'O leão e o tigre rugem na América Latina. A liberdade avança e já não há volta atrás.' De la Espriella também acumulou polêmicas ao longo da campanha, incluindo declarações de cunho pessoal que viralizaram e questionamentos por ter defendido um empresário acusado de ser laranja do regime venezuelano.
A votação transcorreu com tranquilidade e sob observação internacional, segundo o Conselho Nacional Eleitoral. Agora, a Colômbia aguarda o escrutínio que dirá, com autoridade oficial, quem governará o país nos próximos anos.
A Colômbia acordou no domingo com um resultado que reescreve sua política. Segundo a contagem preliminar divulgada pelas autoridades eleitorais, Abelardo de la Espriella, advogado e empresário de direita, venceu a eleição presidencial com uma margem que parecia confortável até se olhar para os números: cerca de 245 mil votos de diferença em um país de mais de 50 milhões de habitantes. De la Espriella somou 12,9 milhões de votos contra 12,7 milhões do senador Iván Cepeda, esquerdista e aliado do presidente em exercício, Gustavo Petro.
Mas há uma ressalva importante que paira sobre a celebração. Na Colômbia, as eleições passam por duas etapas de apuração. A primeira, chamada "preconteo", é uma contagem preliminar feita a partir das atas dos locais de votação — é o que as autoridades divulgaram neste domingo. A segunda, o "escrutínio", é quando juízes e outras autoridades revisam essas mesmas atas para corrigir inconsistências. Esse processo começaria na segunda-feira e, no primeiro turno, levou dois dias para ser concluído. Até lá, nenhum resultado é oficialmente proclamado.
De la Espriella, conhecido pelo apelido "El Tigre", celebrou a vitória vestido com a camiseta da seleção colombiana e defendeu acordos militares com os Estados Unidos para combater o crime organizado. "Hoje, a Colômbia venceu o seu jogo mais importante", afirmou em vídeo. Cepeda, porém, foi mais cauteloso. Em pronunciamento aos apoiadores, deixou claro que não considera o resultado como oficial e que aguardará o escrutínio antes de reconhecer qualquer derrota. O presidente Petro foi além: publicou nas redes sociais que nenhum resultado deve ser considerado oficial até a conclusão do escrutínio, alertando que "a realidade nos mostra um país partido ao meio" e pedindo um acordo nacional para manter a paz nos anos que virão.
O triunfo de De la Espriella marca uma virada acentuada no país após o governo Petro, primeiro presidente de esquerda da história colombiana. O novo presidente eleito fez campanha com um discurso antissistema e propostas de segurança linha-dura inspiradas no governo de El Salvador, sob Nayib Bukele. Promete uma ofensiva militar contra grupos armados e narcotraficantes, construção de dez megapresídios e redução de 40% do tamanho do Estado. Também prometeu retirar a Colômbia de organismos internacionais como a ONU e a OEA, que segundo ele servem para promover "políticas de esquerda". De la Espriella é advogado e empresário sem experiência política anterior, cidadão naturalizado dos EUA, residente em Miami e filiado ao Partido Republicano.
Sua plataforma reflete as prioridades dos eleitores colombianos. Pesquisas de opinião apontam a violência como principal preocupação, à frente da economia, que permanece frágil apesar dos esforços do governo Petro em aumentar o salário mínimo nominal em 75% e reduzir o desemprego. De la Espriella culpa Petro pelos problemas econômicos e de segurança do país e promete cortar impostos corporativos para promover emprego no setor privado. Diferentemente de Cepeda, ele não acredita que guerrilhas remanescentes e grupos armados serão resolvidos por diálogo. "No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei", afirmou.
O candidato admirador de Trump e Bukele ganhou apoio explícito do presidente americano durante a campanha. Sua vitória se alinha com uma onda conservadora na região: ele se juntará a Jorge Kast no Chile e Rodrigo Paz na Bolívia como líderes de direita eleitos recentemente na América Latina. O presidente argentino Javier Milei celebrou o resultado nas redes sociais: "O leão e o tigre rugem na América Latina. A liberdade avança e já não há volta atrás".
Para além da política, De la Espriella mantém um site chamado "De la Espriella Style" onde vende bebidas alcoólicas, livros, músicas nas quais canta e roupas em que aparece como garoto-propaganda — uma contradição com seu discurso antissistema que não passou despercebida. Também se envolveu em polêmicas: em entrevista televisiva, gabou-se do tamanho do órgão genital e afirmou que isso o ajudava a conquistar votos. Além disso, foi questionado por ter defendido Alex Saab, empresário colombiano acusado pelo governo dos EUA de atuar como laranja do ditador venezuelano Nicolás Maduro.
O Conselho Nacional Eleitoral informou que a votação ocorreu de forma tranquila e foi acompanhada por observadores internacionais. Agora, tudo depende do escrutínio que começará na segunda-feira. Até lá, a Colômbia segue dividida entre a celebração de uma vitória preliminar e a incerteza de um resultado que ainda não é oficial.
Notable Quotes
Hoje, a Colômbia venceu o seu jogo mais importante— Abelardo de la Espriella, em vídeo de celebração
Com o escrutínio oficial, reconheceremos o resultado— Iván Cepeda, em pronunciamento aos apoiadores
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que essa margem de 245 mil votos é considerada apertada em um país de 50 milhões de habitantes?
Porque em eleições presidenciais, especialmente em segundo turno, a diferença percentual é o que importa. Aqui estamos falando de menos de 2% de vantagem. Em um país polarizado, isso é margem para surpresas durante o escrutínio.
O que exatamente muda entre o "preconteo" e o "escrutínio"?
O preconteo é rápido — é uma projeção baseada nas atas dos locais de votação. O escrutínio é quando juízes revisam essas atas linha por linha, procurando erros, inconsistências, fraudes. Pode mudar números.
Petro e Cepeda parecem estar sinalizando que não aceitarão o resultado. Isso é normal?
É cauteloso, não é rejeição. Eles estão dizendo: não reconhecemos nada até o processo estar completo. É uma forma de proteger a legitimidade do resultado final, seja qual for.
De la Espriella promete eliminar criminosos sem processos de paz. Como isso ressoa em um país que tentou negociações?
A Colômbia está cansada. Décadas de guerrilha, narcotráfico, violência. As negociações de Petro não resolveram a segurança rapidamente. As pessoas votaram por dureza, não por esperança em diálogo.
Ele vende bebidas e roupas com seu nome enquanto faz campanha antissistema. Como isso funciona?
Funciona porque o "antissistema" dele não é contra o capitalismo — é contra a esquerda, contra Petro. Ele é empresário, não revolucionário. Vender sua marca é coerente com sua visão de mundo.
A vitória de De la Espriella muda a posição da Colômbia internacionalmente?
Completamente. Ele quer sair da ONU e OEA, quer acordos militares com os EUA. A Colômbia passa de aliada de Petro na esquerda latino-americana para aliada de Trump. É uma reorientação geopolítica.