Direita conquista os dois deputados federais mais votados da história do Brasil

O eleitor está de saco cheio de alguns poderosos
Pavanato explicou sua votação recorde como reflexo de insatisfação eleitoral com o governo e o Supremo Tribunal.
Mark

Como dois candidatos conseguem superar um recorde que durou oito anos? Isso é resultado de uma mudança real no eleitorado ou apenas da força das redes sociais?

Mimi

Provavelmente é uma combinação. Nikolas já tinha uma base consolidada desde 2022, quando recebeu quase 1,5 milhão de votos. Pavanato era novo, mas tinha visibilidade em São Paulo. O que parece ter mudado é a amplitude — ambos conseguiram mobilizar muito mais gente desta vez.

Luke

Mas precisamos ser cuidadosos aqui. Pavanato recebeu 12,84% dos votos em São Paulo, enquanto Nikolas recebeu 27,97% em Minas Gerais. São proporções muito diferentes. Em números absolutos, Pavanato está na frente, mas isso pode refletir simplesmente o tamanho da população de São Paulo.

Mimi

Verdade. E ambos construíram suas campanhas em redes sociais, com mensagens muito semelhantes — crítica ao governo Lula, ao STF, defesa de liberdade de expressão. Pavanato mesmo disse que sua votação refletia uma "indignação do povo".

Mark

Então a mensagem importa mais que o candidato?

Luke

Ou a mensagem e o momento se encontram. Mas não sabemos se esses votos refletem apoio real às propostas deles ou principalmente rejeição ao governo. Pavanato atribuiu tudo à insatisfação, não às suas ideias.

Mimi

Ele foi bem específico: mencionou ministros do STF, Alexandre de Moraes, desgoverno. Parece que tocou em um nervo.

Mark

E isso vai se traduzir em poder político real na Câmara?

Luke

Ainda é cedo para dizer. Votação alta não garante influência legislativa. Mas o fato de dois candidatos da direita quebrarem um recorde histórico sugere que o Partido Liberal consolidou uma base muito forte.

  • Lucas Pavanato recebeu 2.856.411 votos em São Paulo (12,84% dos votos estaduais)
  • Nikolas Ferreira recebeu 2.794.182 votos em Minas Gerais (27,97% dos votos estaduais)
  • Ambos superaram o recorde anterior de Eduardo Bolsonaro (1.843.735 votos em 2018)
  • Nikolas Ferreira já havia sido o deputado federal mais votado do país em 2022 com 1.492.047 votos
  • Pavanato foi vereador mais votado de São Paulo em 2024 com 161.386 votos

Pavanato recebeu 2.856.411 votos em São Paulo (12,84% dos votos estaduais), enquanto Nikolas obteve 2.794.182 votos em Minas Gerais (27,97% do estado). Ambos candidatos da direita construíram suas campanhas em redes sociais, com foco em oposição ao governo Lula, liberdade de expressão e críticas ao STF.

Lucas Pavanato e Nikolas Ferreira, ambos do PL, conquistaram as duas maiores votações para deputado federal no Brasil, superando o recorde anterior de Eduardo Bolsonaro em 2018.

No domingo que encerrou a votação para deputado federal em 2026, dois nomes da direita brasileira ultrapassaram um marco que havia permanecido intocado por oito anos. Lucas Pavanato, vereador de São Paulo, e Nikolas Ferreira, deputado federal por Minas Gerais, ambos filiados ao Partido Liberal, conquistaram as duas maiores votações já registradas para o cargo na história do país. Pavanato recebeu 2.856.411 votos em São Paulo, equivalente a 12,84% de todos os votos para deputado federal no estado. Ferreira ficou logo atrás em números absolutos, com 2.794.182 votos em Minas Gerais, mas sua votação representava 27,97% do total estadual — uma proporção significativamente maior. Ambos superaram o recorde anterior de Eduardo Bolsonaro, que em 2018 havia recebido 1.843.735 votos.

O resultado marca uma transformação no cenário político brasileiro. Antes desta eleição, Eduardo Bolsonaro ocupava o primeiro lugar, com seus votos em São Paulo representando cerca de 10% do total estadual para o cargo. Antes dele, Enéas Carneiro havia mantido o recorde durante duas décadas, com 1.573.642 votos conquistados em 2002, também por São Paulo. A trajetória de Nikolas Ferreira, no entanto, já sinalizava essa possibilidade. Em 2022, quando disputou pela primeira vez uma vaga na Câmara, o mineiro havia recebido 1.492.047 votos e terminou como o deputado federal mais votado do país naquele ano. Para Pavanato, a eleição de 2026 representou sua estreia na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados, embora ele já possuísse visibilidade significativa: havia sido o vereador mais votado de São Paulo em 2024, quando recebeu 161.386 votos.

Nikolas Ferreira, aos 30 anos, nasceu em Belo Horizonte e formou-se em Direito. Antes de chegar à Câmara dos Deputados, atuou como vereador da capital mineira. Sua projeção nacional consolidou-se principalmente através das redes sociais, onde construiu uma presença que o transformou em um dos principais nomes do Partido Liberal e da direita brasileira no ambiente digital. Durante seu primeiro mandato como deputado federal, ampliou essa influência e passou a participar de campanhas de aliados em diferentes estados. Na eleição de 2026, além de buscar sua reeleição em Minas Gerais, divulgou apoio a candidatos em outras partes do país, incluindo Pavanato em São Paulo. Sua campanha concentrou-se em temas como oposição ao governo Lula, combate ao aborto, defesa da liberdade de expressão e críticas à regulação das redes sociais. Ferreira também defendeu a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro e apoiou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência.

Lucas Pavanato, aos 28 anos, nasceu em Sorocaba, no interior de São Paulo, e também construiu sua projeção política através das redes sociais. Antes de filiar-se ao Partido Liberal, passou pelo Novo e disputou uma vaga de deputado estadual em 2022. Na campanha para deputado federal, buscou expandir para todo o estado a visibilidade que havia conquistado na eleição municipal de 2024. Recebeu apoio de Nikolas Ferreira e manteve uma campanha fortemente concentrada nas redes sociais, onde reúne milhões de seguidores. Suas principais bandeiras incluíram endurecimento das leis penais, liberdade de expressão e oposição à regulação das redes sociais. Na educação, defendeu a substituição de cotas raciais e de gênero por critérios socioeconômicos. Também se posicionou contra restrições menores ao aborto, contra tratamentos hormonais para transição de gênero em menores de 18 anos e contra a participação de atletas trans em categorias femininas.

Após a votação, Pavanato atribuiu seu resultado extraordinário a uma insatisfação generalizada dos eleitores com o governo Lula e com ministros do Supremo Tribunal Federal. Em coletiva de imprensa, afirmou que sua votação não foi resultado apenas das propostas apresentadas durante a campanha, mas de uma "indignação do povo". Segundo ele, o eleitor estava descontente com "alguns poderosos, alguns ministros da Suprema Corte que se consideram acima da Constituição" e com "um desgoverno que torra dinheiro público". Pavanato citou especificamente o ministro Alexandre de Moraes e argumentou que havia expressado essa insatisfação contra a Corte e o governo quando outros políticos, em sua avaliação, tinham receio de fazer críticas. "Eu, um simples vereador, estava dizendo o que o povo acreditava. Então acho que é isso que as pessoas enxergaram", declarou. Os números de votação sugerem que essa estratégia de comunicação, centrada em críticas diretas ao governo e ao Supremo Tribunal, ressoou significativamente entre os eleitores de ambos os estados.

O eleitor está de saco cheio de alguns poderosos, de alguns ministros da Suprema Corte que se consideram acima da Constituição. O povo está de saco cheio de um desgoverno que torra dinheiro público.
— Lucas Pavanato, em coletiva de imprensa após a votação
Eu, um simples vereador, estava dizendo o que o povo acreditava. Então acho que é isso que as pessoas enxergaram.
— Lucas Pavanato, explicando sua votação recorde
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