Quando uma grande potência perde a capacidade de falar com uma só voz, suas palavras deixam de ser diplomacia e passam a ser ruído. Documentos vazados sobre as negociações comerciais entre Estados Unidos e Brasil revelam não uma estratégia, mas uma colcha de retalhos de interesses privados — Boeing, gigantes da tecnologia, produtores de soja — cada um exigindo sua fatia sem que ninguém tenha costurado um propósito comum. O Brasil recusou o pacote, e essa recusa diz menos sobre o Brasil do que sobre o estado de uma diplomacia que esqueceu a arte de priorizar.