Aos 35 anos, Diogo Defante pisou no palco do Rock in Rio carregando uma ambição musical que antecede em décadas sua fama como humorista. O que o público conhece como 'Repórter Doidão' é apenas uma face de um artista que, desde os 13 anos, busca na música um território próprio — e que agora, após cirurgia, recuperação e anos de bandas anônimas, escolhe construir esse espaço com paciência e autenticidade. Sua estreia no festival não é um desvio de rota, mas a chegada de um caminho que sempre existiu.
Diogo Defante estreia no Rock in Rio para provar que sua música 'não precisa ser piada'
A música não precisa necessariamente ser uma piada
Então Diogo Defante é basicamente um humorista que decidiu fazer rock de verdade?
Não exatamente. Ele sempre fez música — desde os 13 anos. O que mudou agora é que ele está deixando a música ser música, não apenas um apêndice do humor.
Mas as letras ainda têm muito humor, certo? Mamonas Assassinas, Raimundos — essas referências todas apontam para comedy rock.
Sim, mas ele é bem claro sobre isso: o humor faz parte dele, mas a música não precisa ser uma piada. Quer dizer, pode ter humor, mas não é obrigado.
E como ele está construindo esse público novo?
Organicamente. Ele não quer forçar o projeto musical em todos os seus vídeos de humor. Quer que as pessoas descubram a música porque gostam do som, não porque ele pediu.
Isso é uma estratégia inteligente, mas também é arriscado. Ele tem 5,5 milhões de seguidores no Instagram — por que não aproveitar isso?
Porque ele quer que o público de música seja genuíno. Se ele forçar, pode acabar com gente que o segue só pelo humor, não pela música.
E o Rock in Rio? Como ele se sente?
Nervoso. Ele chama de inacreditável, inimaginável. É o maior público da carreira dele.
Ele tem experiência em palcos grandes? Ou isso é realmente um salto?
Ele fez shows menores, inclusive no Circo Voador em 2023. Mas Rock in Rio é outra dimensão completamente.
E a música dele, como é? Qual é o som?
Rock inspirado em Mamonas Assassinas, Raimundos, mas também em Offspring, Guns N' Roses. Tem uma faixa chamada "Humanoide" que é futurista e crítica à IA.
Ele usa IA no clipe de uma música que critica IA?
Exatamente. Ele quer provocar a discussão, não dar uma resposta definitiva.
Le Pouls
- Um influenciador com 5,5 milhões de seguidores enfrenta o desafio de ser levado a sério como músico de rock em um dos maiores palcos do Brasil.
- A tensão entre a persona humorística e a ambição artística genuína obriga Defante a construir sua carreira musical de forma deliberadamente separada de seu conteúdo de entretenimento.
- Uma cirurgia para remover um tumor benigno forçou uma pausa e uma reavaliação de prioridades, tornando o Rock in Rio não apenas uma conquista, mas uma resposta existencial.
- Com faixas como 'Humanoide' — que usa IA para criticar a própria IA — Defante sinaliza que seu projeto musical quer provocar reflexão, não apenas arrancar risadas.
- A estreia no festival marca um ponto de virada: a música deixa de ser plano B e passa a caminhar lado a lado com o resto de sua carreira, com álbum lançado e olhos voltados para o futuro.
Aos 35 anos, Diogo Defante pisou no palco do Rock in Rio carregando uma ambição musical que antecede em décadas sua fama como humorista. O que o público conhece como 'Repórter Doidão' é apenas uma face de um artista que, desde os 13 anos, busca na música um território próprio — e que agora, após cirurgia, recuperação e anos de bandas anônimas, escolhe construir esse espaço com paciência e autenticidade. Sua estreia no festival não é um desvio de rota, mas a chegada de um caminho que sempre existiu.
Diogo Defante subiu ao palco do Supernova no Rock in Rio na noite de 4 de setembro, aos 35 anos, trazendo consigo duas décadas de ambição musical que poucos associam ao rosto do 'Repórter Doidão'. Com mais de 5,5 milhões de seguidores no Instagram e um programa de entretenimento consolidado, ele escolheu o maior festival do país para afirmar que a música é um território sério em sua vida — não um apêndice do humor.
A trajetória começou aos 13 anos, com a primeira banda, e passou por outras formações ao longo dos anos 2010, sempre com Defante na bateria. Foi só em 2023, com um show no Circo Voador, que a carreira solo ganhou forma mais consistente. No caminho até o Rock in Rio, ele enfrentou uma cirurgia para remover um tumor benigno — um momento que o forçou a reordenar prioridades e que, paradoxalmente, reforçou sua determinação de lançar um álbum e voltar aos palcos.
O que distingue esse projeto é a estratégia consciente de não misturar os mundos. Defante optou por não empurrar sua música nos vídeos de humor, preferindo que o público a descubra organicamente. Quer plateia que vá aos shows pelo som, não pela fama. Suas referências — Mamonas Assassinas, Raimundos, Offspring, Red Hot Chili Peppers — revelam uma geração inteira, e o legado dos Mamonas em particular moldou sua visão: humor e música podem coexistir sem que um diminua o outro.
Sua faixa recente 'Humanoide', com temática de crítica à inteligência artificial e clipe produzido com IA, exemplifica essa maturidade. Defante não tem respostas prontas sobre os limites da tecnologia, mas usa a música para colocar a pergunta em circulação. Para ele, o Rock in Rio é algo que descreve como inacreditável — um ponto de virada que não encerra nada, mas inaugura a fase em que a música conquista, de vez, seu próprio espaço em sua carreira.
Diogo Defante subiu ao palco do Supernova no Rock in Rio na noite de sexta-feira, 4 de setembro, aos 35 anos, carregando consigo duas décadas de ambição musical que poucos conhecem. O influenciador, mais reconhecido pela persona do "Repórter Doidão" e pela apresentação do programa "Rango Brabo", com mais de 5,5 milhões de seguidores no Instagram, fez sua estreia no festival a partir das 20h10, trazendo um repertório de rock que bebe em fontes bem-humoradas como Mamonas Assassinas e Raimundos, mas que se recusa a ser reduzido apenas ao riso.
A trajetória musical de Defante começou cedo. Aos 13 anos, ele já investia em sua primeira banda, Let's Go, seguida por Me Gusta Rock em 2013 e Catch Side em 2015, onde atuava como baterista. Mas foi apenas em 2023, com um show no Circo Voador, que ele começou a construir sua carreira solo de forma mais consistente. O caminho até o Rock in Rio não foi linear. No ano anterior ao festival, Defante enfrentou uma cirurgia para remover um tumor benigno, um momento que o forçou a repensar suas prioridades. Mesmo diante da recuperação física árdua, ele manteve a clareza sobre seus objetivos: lançar um álbum e retomar os palcos. Essa determinação o ajudou a atravessar o período de convalescença e a visualizar o que viria depois.
O que torna essa empreitada particularmente interessante é a forma como Defante está construindo sua identidade musical longe do reflexo automático de sua imagem como humorista. Ele reconhece que o público o conhece principalmente pelo entretenimento, e sabe que muitos se surpreenderão ao vê-lo em um palco de rock. Por isso, ele escolheu não forçar o projeto musical em seus vídeos e conteúdos de humor, preferindo deixar que as pessoas descubram organicamente sua música. Quer construir um público genuíno, gente que vá aos shows porque gosta do som, que acompanhe os próximos lançamentos e deseje saber qual será a próxima música que ele vai lançar. Essa estratégia, que durante um tempo funcionou como um plano B paralelo ao seu trabalho de entretenimento, agora caminha junto com o programa "Rango Brabo" e com sua carreira como um todo.
Suas referências musicais revelam uma geração inteira. Mamonas Assassinas é inescapável — faz parte da veia de quem cresceu nos anos 1990 no Brasil. Defante reconhece que é impossível começar a escrever uma letra com humor ou brincadeira sem passar por eles. Raimundos também marcou sua formação, assim como Offspring, Guns N' Roses, Red Hot Chili Peppers e Green Day. Mas o que o Mamonas Assassinas representou foi fundamental: mostraram que uma música com galhofa, besteirol e humor pode ser levada a sério no mercado musical, tocar em programas, vender ingressos e chegar a grandes palcos. Essa lição moldou a forma como Defante pensa sua própria obra. O humor faz parte dele, é verdade, mas ele não quer ficar preso à obrigação de colocar uma piada em toda música. A música não precisa necessariamente ser uma piada.
Um de seus lançamentos recentes, a faixa "Humanoide", exemplifica essa maturidade. Com temática futurista e crítica à inteligência artificial, a música foi acompanhada de um clipe que utilizou IA para gerar certas imagens — uma escolha deliberada de provocação. Defante não tem uma resposta definitiva sobre os limites do uso dessa tecnologia, mas quis colocar o assunto na mesa através da música. Para ele, o mais importante é a discussão sobre como a sociedade vai conviver com essa ferramenta, sem fechar a cabeça para as possibilidades, mas também compreendendo os excessos e pensando nos limites.
O Rock in Rio representa o maior público de sua carreira até aqui. Defante descreve a sensação como esquisita — um misto de gratidão e insegurança. Ele sabe o tamanho do que está acontecendo, especialmente quando olha para trás e vê todas as bandas que tentou fazer funcionar como baterista, sabendo que não é fácil. Agora, o Rock in Rio é algo que ele descreve como inacreditável, inimaginável. Ele está se preparando o máximo possível para esse dia, consciente de que essa apresentação marca um ponto de virada em sua carreira musical. O que vem depois ainda está sendo construído, mas a intenção é clara: fazer a música conquistar seu próprio espaço, de forma genuína e duradoura, em uma trajetória que ele reconhece ser uma maratona, não uma corrida de 100 metros.
Citations marquantes
Mesmo naquele momento, a música continuava muito presente para mim. Eu queria seguir com o projeto, lançar o álbum e voltar a fazer aquilo que gosto.— Diogo Defante, sobre sua recuperação cirúrgica
Quero que elas gostem organicamente, genuinamente. Quero criar um público para a música, uma galera que vá ao show porque gosta do som.— Diogo Defante, sobre sua estratégia de construir público