Quando uma instituição é chamada a julgar a si mesma, as lacunas em suas regras tornam-se visíveis para todos. Na terça-feira, o Supremo Tribunal Federal viveu esse momento: Alexandre de Moraes votou em uma questão de ordem para a qual um ofício de seu próprio colega Flávio Dino o declarava impedido — e nenhum dos demais ministros ergueu a voz para contestar. O episódio não é apenas uma disputa técnica sobre rito processual; é um espelho sobre como cortes supremas lidam, ou deixam de lidar, com conflitos de interesse que tocam seus próprios membros.