No primeiro semestre de 2026, 319 instituições financeiras brasileiras registraram prejuízos, revelando um setor pressionado por forças que vão além do ciclo econômico — regulação mais severa, investigações criminais e transformações contábeis redefinem o que significa operar com responsabilidade no sistema financeiro. À frente dessa lista, o Digimais, banco ligado a Edir Macedo, acumulou R$ 581,4 milhões em perdas, tornando-se símbolo de uma era em que a fragilidade institucional encontra o escrutínio público. O resultado não é apenas financeiro: é um retrato de instituições que enfrentam, si
Digimais lidera prejuízos do setor financeiro com R$ 581,4 mi no 1º semestre
O pior resultado de todo o setor financeiro brasileiro
Por que o Digimais teve um prejuízo tão grande? É um banco que estava indo bem?
Não, na verdade o banco estava sob pressão do Banco Central há muito tempo. Eles exigiam reforço de capital, e em junho houve uma operação da Polícia Federal investigando fraude. Tudo isso junto criou um ambiente muito difícil.
Mas a gente não sabe exatamente o que causou o prejuízo de R$ 581 milhões. O texto não detalha se foi operacional, se foi provisão para perdas, se foi contingência. Sabemos o número, mas não sabemos a composição.
E os outros bancos? O UBS Brasil também teve prejuízo grande, mas é um banco internacional.
O UBS teve R$ 230 milhões de prejuízo, mas eles explicam que estava integrando o Credit Suisse globalmente e investindo em tecnologia. Então é uma situação diferente do Digimais.
Só que o UBS não divulgou balanço oficial. Esses números vêm do IFData do Banco Central, não do próprio banco. A matriz suíça não menciona nada sobre o Brasil que explique isso. Então temos números, mas sem confirmação da instituição.
E a Cobuccio? Ela diz que na verdade não teve prejuízo?
Exatamente. Ela argumenta que o prejuízo de R$ 222,7 milhões veio de uma mudança contábil em janeiro, uma reclassificação de provisões. Sem isso, ela diz que teria lucro de R$ 20,1 milhões.
Mas essa mudança contábil aconteceu, certo? Então tecnicamente houve prejuízo naquele semestre, mesmo que o grupo argumente que foi prudencial e não operacional. É uma questão de como você conta a história.
Parece que vários desses bancos têm problemas legais ou regulatórios.
Sim. O Reag IP teve sua licença cancelada em agosto. O BNY Mellon enfrenta nove processos cíveis. A Cobuccio teve operações suspensas pelo INSS. São instituições sob pressão de múltiplos lados.
Mas a gente precisa ser cuidadoso: 319 instituições tiveram prejuízo no primeiro semestre. Isso é normal em um semestre ruim, ou é sinal de crise sistêmica? O texto não contextualiza isso.
Der Puls
- O Digimais lidera o ranking de perdas com R$ 581,4 milhões, pressionado pelo Banco Central a reforçar capital e investigado pela Polícia Federal na operação Miragem por suspeita de fraude.
- O UBS Brasil acumulou R$ 230,2 milhões em prejuízo, com despesas operacionais engolindo ganhos de intermediação financeira em meio à complexa integração global com o Credit Suisse.
- A Financeira Cobuccio registrou R$ 222,7 milhões negativos após mudança nos critérios contábeis de provisão em FIDCs, gerando impacto de R$ 259,6 milhões sobre carteiras existentes.
- A Reag IP perdeu sua licença de instituição de pagamento em agosto, após prejuízo de R$ 210,9 milhões e envolvimento em operações policiais que investigam seu conglomerado.
- O BNY Mellon provisionou R$ 227,2 milhões para despesas cíveis relacionadas a nove processos por perdas em fundos de investimento que administrava.
- Ao todo, dez instituições somam bilhões em perdas, desenhando um setor onde pressão regulatória, litígios e reestruturações globais convergem para resultados negativos expressivos.
No primeiro semestre de 2026, 319 instituições financeiras brasileiras registraram prejuízos, revelando um setor pressionado por forças que vão além do ciclo econômico — regulação mais severa, investigações criminais e transformações contábeis redefinem o que significa operar com responsabilidade no sistema financeiro. À frente dessa lista, o Digimais, banco ligado a Edir Macedo, acumulou R$ 581,4 milhões em perdas, tornando-se símbolo de uma era em que a fragilidade institucional encontra o escrutínio público. O resultado não é apenas financeiro: é um retrato de instituições que enfrentam, simultaneamente, o peso do passado e a incerteza do futuro.
O Digimais, banco ligado a Edir Macedo, encerrou o primeiro semestre de 2026 com o pior resultado do setor financeiro brasileiro: R$ 581,4 milhões em prejuízo. Os dados, extraídos do sistema IFData do Banco Central, revelam uma instituição sob pressão crescente. O BC já exigia reforço de capital há tempos, e em abril o banco anunciou acordo de aquisição pelo BTG — operação que depende de empréstimo bilionário do Fundo Garantidor de Créditos. Em junho, a Polícia Federal deflagrou a operação Miragem para investigar possíveis fraudes na instituição.
O UBS Brasil ficou em segundo lugar, com R$ 230,2 milhões em perdas. Apesar de gerar R$ 807,3 milhões em intermediação financeira, as despesas com pessoal, administração e outras rubricas consumiram o resultado. Fontes próximas à operação apontaram o impacto da integração global com o Credit Suisse e investimentos em infraestrutura como fatores determinantes.
A Financeira Cobuccio, terceira colocada com R$ 222,7 milhões negativos, havia sofrido suspensão de operações de consignado pelo INSS. Em janeiro, o grupo alterou critérios de provisão em seus FIDCs, gerando efeito de R$ 259,6 milhões sobre a carteira existente. O conglomerado argumentou que, sem esse ajuste contábil, teria registrado lucro de R$ 20,1 milhões no período.
A Reag IP, com prejuízo de R$ 210,9 milhões, teve sua licença de instituição de pagamento cancelada pelo Banco Central em agosto, após envolvimento nas operações Carbono Oculto e Compliance Zero. Já o BNY Mellon acumulou R$ 210,6 milhões em perdas, impulsionadas por R$ 227,2 milhões em provisões para nove processos cíveis ligados a fundos de investimento que administrava.
Completam o ranking o Banco Volkswagen, a Cooperativa Sicoob Credicopa, o Banco CNH Industrial, a Cooperativa Sicredi Araxingu e o Banco Afinz — juntos, um mosaico de instituições consumidas por pressões regulatórias, investigações, mudanças contábeis e litígios que definem os contornos do setor financeiro brasileiro neste momento.
O Digimais, banco de propriedade de Edir Macedo, acumulou um prejuízo de R$ 581,4 milhões no primeiro semestre de 2026, marcando o pior desempenho entre todas as instituições financeiras brasileiras no período. Os números, extraídos do sistema IFData do Banco Central, revelam uma instituição sob pressão crescente de reguladores e investigadores. Ainda que o Digimais tenha liderado a lista de perdas, ele não estava sozinho: um total de 319 instituições financeiras, incluindo cooperativas, registraram prejuízos na primeira metade do ano.
O banco já era alvo de atenção do Banco Central há tempos, que vinha exigindo reforço de capital. Em abril, o Digimais anunciou um acordo para ser adquirido pelo BTG, embora a operação dependa de um empréstimo bilionário do Fundo Garantidor de Créditos. Dois meses depois, em junho, a Polícia Federal deflagrou a operação Miragem para investigar possíveis casos de fraude envolvendo a instituição.
O segundo maior prejuízo do setor coube ao UBS Brasil, com R$ 230,2 milhões em perdas. O banco ainda não havia divulgado seu balanço oficial para o período, e a matriz suíça não fornecia informações que explicassem o resultado brasileiro. Segundo dados do IFData, a instituição gerou R$ 807,3 milhões em resultado de intermediação financeira, mas esse ganho foi consumido por despesas: R$ 492,1 milhões com pessoal, R$ 384,7 milhões em gastos administrativos e R$ 682,2 milhões em outras despesas. Fontes próximas à operação brasileira apontavam que o resultado refletia ainda o impacto da integração global com o Credit Suisse, prevista para se completar naquele ano, além de investimentos em tecnologia, infraestrutura e iniciativas estratégicas para sustentar o crescimento futuro.
A Financeira Cobuccio ocupava o terceiro lugar com prejuízo de R$ 222,7 milhões. A instituição, que operava sob a marca Ágil como parte do conglomerado de Adriano Cobuccio, havia enfrentado a suspensão de suas operações de consignado pelo INSS no final do ano anterior, junto com outros bancos, devido a irregularidades na prestação de serviço. Em resposta, o grupo divulgou uma nota explicando que em janeiro havia alterado os critérios de cálculo e reconhecimento de provisão para perdas em seus fundos de investimento em dívida (FIDCs). Essa mudança contábil gerou um efeito de R$ 259,6 milhões sobre a carteira existente, reconhecido como ajuste no patrimônio líquido do conglomerado prudencial. O grupo argumentou que, desconsiderando esse efeito e resultados intragrupo, o lucro líquido combinado do primeiro semestre teria sido de R$ 20,1 milhões, não um prejuízo.
A Reag IP, instituição de pagamento que havia integrado o conglomerado de João Carlos Mansur, registrou prejuízo de R$ 210,9 milhões. A empresa havia sido alvo das operações Carbono Oculto e Compliance Zero. Mansur havia adquirido a licença de instituição de pagamento em parceria com Daniel Vorcaro, do Master, quando ambos compraram o Will Bank. Em agosto, o Banco Central cancelou a licença de instituição de pagamento da Reag IP.
O BNY Mellon, que operava como conglomerado prudencial incluindo sua distribuidora de títulos e valores mobiliários, acumulou prejuízo de R$ 210,6 milhões. A maior parte da perda, R$ 226,5 milhões, concentrava-se na distribuidora. O prejuízo foi causado principalmente por R$ 231,9 milhões em despesas de contingência, incluindo uma provisão de R$ 227,2 milhões para despesas cíveis. A distribuidora enfrentava nove processos cíveis, muitos deles com pedidos de indenização por perdas em fundos de investimento que administrava.
Completando a lista dos dez maiores prejuízos do setor estavam o Banco Volkswagen, com R$ 203,1 milhões; a Cooperativa Sicoob Credicopa, com R$ 175,2 milhões; o Banco CNH Industrial, com R$ 99,5 milhões; a Cooperativa Sicredi Araxingu, com R$ 94,6 milhões; e o Banco Afinz, com R$ 93,4 milhões. Juntos, esses números pintavam um quadro de instituições financeiras enfrentando pressões regulatórias, investigações criminais, mudanças contábeis e litígios que consumiam seus resultados operacionais.
Bemerkenswerte Zitate
O banco está na mira do Banco Central há muito tempo, que vem exigindo reforço de capital— Informações do Banco Central sobre o Digimais
Desconsiderando esse efeito e resultados intragrupo, o lucro líquido combinado do primeiro semestre de 2026 foi de R$ 20,1 milhões— Nota da Financeira Cobuccio sobre seu resultado